A História Oculta da Qualidade: Como o Reino Unido Moldou o Comércio Mundial com Normas, Prestígio e o Idioma Certo

 
Colocando “minhas coisas em ordem”, já que estou com 83 anos, com um câncer de colon que provocou metástase para o fígado e o pulmão e, às vezes parece que vai me levar, às vezes, como agora, parece que vai deixar que eu viva o que me estava reservado, que ainda representa um bom tempo. Meu plano agora é curtir os anos que vêm pela frente com o corpo saudável e a mente em paz.

Estou revisitando, pensando nos meus netos e na posteridade, uma das experiências mais importantes de minha vida e quano fiz não me dei conta de algo que estou vendo agora, que é ter mais mérito do que me pareceu quando fiz.

Fui ser Diretor do CB25 e responsavel pela tradução das ISO Guides, representar o Brasil na ISO/CASCO e ISO/TC176, descobrir o que era necessário para obter o selo “CE” para livre circulação dos bens do Mercosul e do Brasil na Comunidade Européia e compartilhar e auxiliar os membros do Mercosul a obterem isso.

Fui para a ISO em Genebra junto com Reynaldo Balbino Figueiredo, ele, jovem de uns 30 anos, e eu aos 50, em vias de sair da IBM, que estava explodindo. Aliás, uma das consequências destas viagens foi eu decidir sair da IBM, pois eu me juntei com o grupo americano que estava lá com o mesmo problema e eram todos ex-ibmistas e a surpresa deles porque eu ainda não tinha saído foi decisiva. Minha sequência eu conto noutro lugar e a sequência de Reynaldo Figueiredo foi surpreendente. Ele acabou transferindo-se para os Estados Unidos e teve uma carreira brilhante na ANSI American National Standards Institute, chegando a ocupar a função de Chair da ISO CASCO e TC 176, recentemente, entre 2020 e 2021. Quando fiquei sabendo, um pouco depois, me comuniquei com ele para cumprimentá-lo pela fantástica jornada e ele que me chamou atenção sobre aquele trabalho que fizemos quando eu fui dar um mão para o Inmetro e a ABNT, como algo que eu devia me orgulhar. Ele usou uma expressão que me levou a postar o que se seguirá: Eu tinha “cracked the code”, que significa que alguém conseguiu desvendar um mistério, resolver um problema muito difícil ou descobrir o segredo de como algo funciona. Na verdade, foi o tema da minha tese de mestrado que virou um documento oficial do governo brasileiro, tanto para o INMETRO como para a ABNT e explico melhor noutro lugar.

“Cracking the code”

Quando o comitê ISO/TC 176 foi criado em 1979 e lançou a ISO 9000 em 1987, o mundo dos negócios celebrou como se fosse uma revolução técnica neutra e universal. Não era bem assim. Por trás da arquitetura desse sistema havia história, interesse e uma geopolítica comercial que poucos nomeavam claramente na época — e que eu tive a oportunidade de observar de perto quando representei o Brasil em Genebra.

A linha do tempo

Tudo começa muito antes de 1979. Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a OTAN perceberam que peças militares fabricadas em países diferentes precisavam ser intercambiáveis e confiáveis. Criaram normas rígidas de inspeção, como a americana MIL-Q-9858, de 1959. O Reino Unido absorveu essas normas militares e foi além: na década de 1970, a BSI — o órgão britânico de normalização — percebeu que a indústria civil precisava do mesmo rigor e lançou a BS 5750 em 1979, a primeira norma comercial de gestão da qualidade de sucesso mundial.

Quando a ISO decidiu criar uma norma internacional unificada, não reinventou a roda. Adotou a BS 5750 como base quase idêntica e lançou a ISO 9000 em 1987. O modelo era britânico. A língua de trabalho era o inglês. E as maiores empresas do mundo habilitadas a emitir o selo — como a BSI, a LRQA e a Intertek — eram britânicas, acreditadas pelo UKAS e reconhecidas automaticamente em toda a Europa por acordos de reconhecimento mútuo.

A agenda que não estava escrita

Naquele período de consolidação da União Europeia, o bloco enfrentava uma pressão crescente de produtos americanos e asiáticos que chegavam em escala e a preços que a indústria europeia tinha dificuldade de acompanhar. A tensão era visível — explodiu publicamente nas guerras comerciais agrícolas entre franceses e americanos, mas estava presente em praticamente todos os setores.

A ISO 9000 chegou num momento muito conveniente. Uma norma que exigia auditorias complexas, documentação extensa e certificação cara para qualquer fornecedor que quisesse vender na Europa funcionava, na prática, como um filtro de entrada. Não proibia nada formalmente — o que seria ilegal pelas regras do GATT e depois da OMC. Mas criava um custo e uma burocracia que favorecia quem já operava dentro do sistema europeu e penalizava quem vinha de fora.

É importante ser preciso aqui: a ISO 9000 avalia o sistema de gestão, não o produto. Ela atesta que potencialmente existe qualidade no processo — não que o produto final seja bom. Essa subjetividade, que é uma limitação técnica real, era também uma vantagem estratégica: permitia exigir conformidade sem precisar definir critérios objetivos que pudessem ser contestados formalmente no tribunal da OMC.

O paradoxo britânico

O que a história mostrou depois é uma ironia considerável. Os britânicos foram os grandes arquitetos das regras da qualidade global — e ao mesmo tempo viram sua própria indústria manufatureira desaparecer do mercado internacional.

Duas razões explicam isso.

A primeira é o peso do passado imperial. Durante séculos, ostentar o brasão da realeza britânica — os leões, o “By Appointment to His Majesty” — era garantia suficiente de prestígio. No auge do império onde o sol nunca se punha, o mundo comprava produtos britânicos pela reputação, não pela competição. Quando o mercado global mudou e passou a exigir eficiência real, parte da indústria britânica não tinha feito o dever de casa. Enquanto os alemães reconstruíam a engenharia no pós-guerra e os japoneses criavam o Sistema Toyota de Produção, os ingleses confiavam que o brasão e o discurso bastariam.

A segunda razão é exatamente essa: o domínio pelo discurso. Como o sistema nasceu dentro do ecossistema britânico, as regras foram escritas na língua deles, com a lógica deles, priorizando documentação e descrição de processos. Saber descrever o processo com precisão técnica em inglês valia mais, no sistema de auditorias, do que o resultado real na linha de produção. E o inglês como língua universal dos negócios fez o resto — expandiu esse modelo pelo mundo e garantiu aos britânicos uma vantagem permanente nas mesas de negociação e nos comitês técnicos internacionais.

O resultado está nos museus e nas concessionárias. Rover, Austin, Triumph, Morris — marcas que ajudaram a inventar o automóvel moderno — praticamente desapareceram do comércio internacional. As que sobreviveram foram compradas por estrangeiros que sabiam fazer o que os ingleses sabiam apenas descrever: a Mini e a Rolls-Royce pelos alemães da BMW, a Bentley pela Volkswagen, a Jaguar e a Land Rover pela indiana Tata Motors.

O que isso significava e significa para o Brasil e o Mercosul

Quando o Brasil começou a se engajar seriamente com a ISO 9000 nos anos 1990, o desafio era duplo. De um lado, havia a pressão legítima de modernizar a gestão industrial. De outro, havia o risco de adotar um sistema pensado para um contexto europeu específico, com custos de certificação que favoreciam as grandes empresas e penalizavam as pequenas, e com auditores britânicos chegando ao país para avaliar processos industriais brasileiros segundo critérios que eles próprios não conseguiam aplicar plenamente em casa.

Os paises do Mercosul enfrentavam o mesmo problema, particularmente a Argentina, como contei que tipo de pressão ela sofreu quando um cerficador britânico exigiu que ela mostrasse os padrões CGS para certificar venda de carne!

A lição que fica não é que normas são inúteis. É que normas não são neutras. Elas carregam a visão de quem as escreve, os interesses de quem as promove e o idioma de quem as controla. Entender isso não é cinismo — é a diferença entre usar uma ferramenta e ser usado por ela.

A análise da situação e o que tinha que ser feito pode ser visto na minha tese de mestrado:

Normalização, Conformidade e o Jogo por Trás da ISO 9000

Japão, aí vou eu!


maio 9, 2026 / Roque E. de Campos / Editar

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Japão, Semana 1 Dia 1 — De Narita a Tóquio, 6 de maio de 2026

A viagem começou com um pequeno contratempo: uma mala despachada que não resistiu à conexão em São Francisco. Trinta minutos no balcão da ANA em Narita para registrar uma reclamação — e o que poderia ter sido um começo frustrante se transformou em algo completamente diferente. A equipe foi precisa, sem pressa e atenciosa, de uma forma que fez com que o problema parecesse resolvido, e não simplesmente ignorado. Uma pequena lição de como a disciplina nos processos pode transformar uma falha no serviço em uma experiência positiva.  

O primeiro jantar em Tóquio reforçou a mesma impressão. Tirar os sapatos na entrada, rodada após rodada de pequenos pratos — coração de frango frito, um peixe não identificado, várias coisas indescritíveis — servidos em um ritmo que fazia até os não familiarizados se sentirem organizados. O serviço aqui não é uma transação. É algo mais próximo da dignidade.

Primeiro dia: uma mala perdida, uma recuperada, uma refeição que levantou mais perguntas do que respostas. Um bom começo.

Japão – Semana 2 Dia 2 — Tóquio, 7 de maio de 2026

03 Este é o edifício Proud Jingumae, um condomínio residencial de luxo em Tóquio, concluído em 2024 e projetado por Kengo Kuma.

Uma manhã dividida entre duas aulas sobre cadeia de suprimentos e uma tarde em Asakusa — e as duas acabaram sendo a mesma lição em formatos diferentes.

Em SCHM3301, o conceito era simples e poderoso: uma interrupção em qualquer ponto da cadeia de suprimentos se propaga por todo o processo subsequente. SCHM2301, por sua vez, aprofundou-se na camada prática — como executar as ações necessárias dentro dessa cadeia quando as coisas dão errado.

Asakusa tornou isso concreto. O Templo Sensoji, com 1.400 anos de história, atrai mais de 30 milhões de visitantes anualmente através de um corredor fixo de vendedores na Rua Nakamise — pequenos comerciantes com direitos estáveis, estoque previsível e um ponto de referência que gera demanda que eles não precisam criar por conta própria. Uma cadeia de suprimentos completa, construída em torno de um  bodhisatva.

O templo em si era genuinamente belo — laca vermelha, um pagode de cinco andares, telhados sobrepostos. No salão principal, o ritual me pareceu estranho naquele momento: moedas jogadas na caixa de oferendas, uma reverência, palmas das mãos unidas. Ler sobre ele depois mudou tudo. A oferenda de moedas não é um pagamento — é kisha , dar com alegria, onde o objetivo é liberar fisicamente algo de valor. O gesto não é transacional. É uma pequena prática de desapego.

Os vendedores de Nakamise — organizados, com estabilidade geracional e operando dentro de um sistema formal — ofereciam seu próprio contraste silencioso: a dignidade construída dentro do sistema, em oposição à dignidade construída à margem, quando o sistema não oferece entrada.

Segundo dia: cadeias de suprimentos, arquitetura sagrada e uma moeda jogada em uma caixa por razões que se revelam importantes.

Japão, Semana 1, dia 3 – Akihabara e Taito-ku, 8 de maio de 2026


No terceiro dia, duas salas de aula muito diferentes — uma sede corporativa e uma cozinha de ramen — e ambas acabaram por abordar o mesmo tema: o que fazer quando o mercado imobiliário para de crescer.

Na sede da Nippon Express, o problema estratégico foi apresentado com uma franqueza incomum. A população do Japão está diminuindo. A NX já é a principal transportadora de cargas no país. Manter-se local significa encolher junto com o Japão. Portanto, a resposta é a Índia — uma meta de receita de US$ 400 milhões até 2028, aproximadamente três vezes a projeção de 2023, com 103 escritórios, 60 armazéns e instalações dedicadas a semicondutores já em construção em 39 cidades indianas.

A estratégia de IA surpreendeu mais do que a mudança para a Índia. A NX está construindo toda a sua integração de IA por meio de parcerias com terceiros, em vez de internamente. A primeira impressão foi de que isso era arriscado — a integração de IA é contínua, não uma instalação única. Mas a análise econômica de engenheiros de IA internos mudou essa perspectiva: a escolha pela parceria é mais defensável do que parece à primeira vista quando se compara os preços da alternativa.

A tarde foi dedicada ao ramen — mais tecnicamente exigente do que eu esperava, com bastante precisão necessária para abrir a massa bem fina. O macarrão ficou ótimo.

O paralelo com o Pachinko era evidente: a entrada da NX na Índia é o reflexo da situação de Solomon , o mercado financeiro de Tóquio — uma instituição bem capitalizada e com credenciais que se torna a forasteira em um mercado alheio e descobre o quanto esse papel gera atrito, independentemente do que você tenha a oferecer.

Terceiro dia: dados demográficos como estratégia, inteligência terceirizada e macarrão artesanal.

Japão – semana 1 Dia 4 — Tóquio, 9 de maio de 2026

21 Edifício Shin-Marunouchi, Chiyoda, Tóquio, sede da NHX

Shibuya ao final do dia era o oposto: puro movimento, nenhuma quietude, todo o peso de uma cidade se movendo através de si mesma a cada instante.
Um dia inteiro em seis locais diferentes, organizado em torno de um único contraste: quietude e movimento, antigo e imediato, a floresta e a travessia.

O mirante do Tochō estava fechado — um dos poucos dias do ano em que isso acontece — então as torres gêmeas de 243 metros só puderam ser vistas de baixo. Uma pequena decepção que liberou a manhã para o que acabou sendo o ponto alto do dia.

O Santuário Meiji é impressionante. A floresta que o circunda não foi encontrada, mas sim criada — 100.000 árvores doadas de todo o Japão na década de 1920, plantadas em um cronograma coordenado, projetado para parecer ancestral em uma geração e permanente em duas. Até mesmo a natureza aqui é resultado de um planejamento meticuloso. O Grande Torii tem 12 metros de altura, pesa 13 toneladas e foi reconstruído em 1975 a partir de um cipreste de 1.500 anos, após um raio ter destruído o original em 1966 — razão pela qual agora possui para-raios em suas laterais. A história foi restaurada e protegida, não substituída.

Um casamento xintoísta estava em andamento no salão principal — a noiva em quimono branco, o noivo em trajes escuros formais, um sacerdote conduzindo a cerimônia, sacerdotisas acompanhando, policiais abrindo caminho. Um lugar até então considerado histórico tornou-se, em uma lenta procissão, simplesmente o local para o dia do casamento do casal. O santuário ganhou vida.

Michi-san conduziu o grupo pelo ritual ni-rei, ni-hakushu, ichi-rei — duas reverências, duas palmas, uma reverência — o mesmo gesto deliberado repetido por milhões ao longo dos séculos.

Shibuya ao final do dia era o oposto: puro movimento, nenhuma quietude, todo o peso de uma cidade se movendo através de si mesma a cada instante. O contraste com o Santuário Meiji fazia com que a sobreposição de tradição e modernidade em Tóquio parecesse menos um paradoxo e mais um projeto.

O tema do pachinko permeou o dia discretamente. O Meiji Jingu homenageia o imperador sob o qual o Japão anexou a Coreia em 1910 — o evento que dá início a toda a narrativa do romance. Caminhar por um santuário que comemora esse sistema imperial em paz, numa tarde de sábado, enquanto turistas fotografam o torii e recém-casados ​​passam por baixo dele, é uma experiência complexa por si só.

Quarto dia: uma floresta construída à mão, um casamento em um santuário e uma travessia que nunca para de se mover.

Japão – Semana 1 Dia 5 — Ginza e arredores, 10 de maio de 2026

Almoço em um restaurante especializado em carne de porco no sétimo andar de um shopping center.

Um dia livre — e o mais revelador até agora, justamente porque nada estava programado.

Ginza em primeiro lugar: Onitsuka Tigers, adquiridos por meio de um processo que pareceu deliberadamente exclusivo, com bordados feitos na hora que soam como um artifício, mas que claramente cumprem exatamente o seu propósito. Posicionamento da marca como cerimônia.

A Don Quijote era o extremo oposto do espectro — todos os produtos imagináveis, cores vibrantes, música alta, sinalização de preços projetada como um cassino para te manter em movimento e gastando. Um relógio Casio e alguns carrinhos de brinquedo, talvez para meu pai e meu irmão. O problema operacional inerente ao local é um estudo de caso à parte: variedade máxima, caos visual máximo, conversão por impulso máxima — o inverso exato do modelo de estoque enxuto do SCHM2301.

Almoço em um restaurante especializado em carne de porco no sétimo andar de um shopping center, com iluminação fraca e quase vazio, onde a garçonete deixava as pessoas ficarem quase uma hora além do horário de término. Paciência silenciosa como filosofia de varejo, funcionando tão bem quanto o caos lá embaixo.

A corrida noturna em direção nordeste, rumo à Tokyo Skytree, oferece a visão mais útil da cidade até o momento. Pedestres parando em todos os cruzamentos, sem nenhum carro à vista. Caminhantes dando passagem para corredores. A mesma precisão que opera o sistema de trens se manifestando como comportamento padrão em uma rua vazia ao entardecer. E a cidade finalmente começando a se revelar — não uma série de excursões desconexas, mas uma geografia coerente com o hotel como ponto de referência.

Depois, a ANA, ainda ligando. Uma rachadura minúscula na mala devolvida, aparentemente inaceitável para eles. Vários pedidos de desculpas, um saguão de hotel localizado, uma ajuda de custo de ¥4.000 oferecida em Narita no dia 6 de junho por um conserto não solicitado.

A referência ao Pachinko foi certeira: a mesma máquina institucional que gera um auxílio para a mala danificada de um estrangeiro também produz o documento de registro que identifica Solomon como estrangeiro no país onde nasceu. Precisão aplicada uniformemente, sem levar em conta o que está sendo medido.

Quinto dia: duas filosofias de varejo, um cruzamento vazio e um pedido de desculpas de ¥4.000 por uma rachadura que ninguém notou.

Resumo da Semana 1

Cinco dias em Tóquio, e uma única pergunta surgiu, que persistirá na segunda semana: os padrões japoneses realmente viajam, ou a infraestrutura cultural que os torna possíveis em casa fica para trás quando a empresa cruza a fronteira?

O destaque da semana foi a visita às instalações da Nippon Express — uma empresa que domina a logística doméstica a tal ponto que manter-se local significa reduzir suas operações devido ao declínio populacional do Japão. A resposta é a meta de triplicar a receita na Índia até 2028, com armazéns dedicados a semicondutores já em construção em Gujarat e Assam. Um exemplo clássico de diversificação geográfica impulsionada pela pressão demográfica, conectando-se diretamente à lógica da cadeia de suprimentos de ponta a ponta do SCHM3301 e à camada de execução operacional do SCHM2301.

Mas o tema mais profundo que permeou a semana não foi a estratégia. Foi a disciplina — e sua dupla face.

Da pontualidade da Estação de Tóquio ao fluxo coreografado do Sensoji, do ritual de oração padronizado no Meiji Jingu à investigação minuciosa da ANA sobre uma minúscula rachadura em uma mala devolvida e aos pedestres parando em faixas de pedestres vazias durante uma corrida de domingo à noite — a sociedade japonesa codificou o comportamento coletivo com uma resolução excepcionalmente alta. Disciplina processual como vantagem competitiva e, simultaneamente, como sistema de pressão cultural.

O pachinko continuava mostrando os dois lados da moeda. A mesma precisão que produz a atenciosa hospitalidade de Yangjin e o estipêndio espontâneo de ¥4.000 da ANA também produz o cartão de registro de estrangeiro entregue a Solomon aos quatorze anos — nascido em Yokohama, marcado como estrangeiro pela mesma máquina que se desculpa por bagagens danificadas. O sistema se aplica de forma uniforme. Esse é exatamente o problema.

A observação sobre a 7-Eleven encerra a semana de forma concisa: mesmo nome, operações radicalmente diferentes, moldadas inteiramente pelas demandas de cada mercado e pelos recursos de cada cultura. Resta saber se a NX conseguirá exportar a excelência logística japonesa para mercados que não possuem a infraestrutura cultural que a torna possível em seu país de origem. Essa é a questão que vale a pena discutir na segunda semana.

Primeira semana: o processo como cultura, a disciplina como dignidade e como exclusão, e uma floresta construída manualmente no meio de Tóquio para dar a sensação de que sempre esteve ali.

Japão Semana 2, Dia 1 — Tsukiji, Hamarikyu, Rio Sumida, 11 de maio de 2026

Três ambientes muito diferentes em um único dia, mas com o mesmo princípio em comum.

O Mercado Externo de Tsukiji era a cadeia de suprimentos reduzida ao essencial — sem depósitos, sem embalagens de marca, sem estoque escondido atrás de portas fechadas. Você aponta, o vendedor embala, a transação acontece na mesma superfície onde o produto chegou. Cada metro quadrado em uso, cada reputação em jogo a cada venda. O extremo oposto do modelo de distribuição de múltiplos níveis mapeado em SCHM3301, e por isso mais honesto.

Mercado Externo de Tsukiji

Os Jardins Hamarikyu foram a surpresa do dia. Uma paisagem secular projetada com tanta precisão que o horizonte de Tóquio se torna um pano de fundo, e não uma intrusão — a modernidade emoldurada pela natureza, em vez de competir com ela. Incomumente tranquilo e notavelmente diferente dos parques americanos: ninguém sentado na grama, sem piqueniques, sem pessoas se espalhando descuidadamente. Um espaço que se visita com intenção, não um lugar para simplesmente ocupar.

Jardins Hamarikyu

O passeio de barco pelo rio Sumida a bordo do Hotaluna — uma embarcação elegante e futurista — proporcionou a observação mais sincera do dia: ele cochilou. Nem toda experiência programada corresponde às expectativas.

Cruzeiro no rio Sumida a bordo do Hotaluna

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A academia, depois, superou as expectativas. Cada aparelho popular tinha uma lista de espera escrita à mão em um quadro branco, com limite de 30 minutos. Nenhum funcionário para fiscalizar. Todos faziam a rotação no horário. O sistema funcionou porque desviar da rotina seria socialmente custoso — a hierarquia era imposta não de cima para baixo, mas por acordo coletivo. Uma grande variedade de idades, e quase todos surpreendentemente fortes para o quão magros eram.

ACADEMIA

O tema do pachinko chegou à academia: a mesma coordenação invisível que faz um quadro branco manuscrito funcionar perfeitamente também determina a quem pertencer cada lugar na sociedade japonesa — e para Mozasu e outros como ele, essas regras não escritas são tão vinculativas quanto qualquer lei e muito mais difíceis de contestar.

Primeiro dia da segunda semana: um mercado sem nada a esconder, um jardim projetado para a contemplação, um barco que me fez adormecer e um quadro branco que me prendeu a atenção.

Japão, Semana 2, Dia 2 — Sala de aula e teamLab Borderless, 12 de maio de 2026

Uma fórmula, uma revolução e um professor que escolhia suas palavras com o mesmo cuidado que dedicava à sua carreira.

A Lei de Little abriu o dia: F = I / TH. O tempo de fluxo é igual ao estoque dividido pela produção. Matematicamente simples, universalmente aplicável — produção de fábrica, tempo de espera em hospitais, filas de caixa, rotatividade de equipamentos de ginástica, filas de vendedores em Tsukiji. A fórmula deu uma explicação matemática clara para algo que ele vinha observando intuitivamente a semana toda, sem saber como nomear.

A aula de história de Michi-san reformulou tudo o que tínhamos visto até então. O xogunato Tokugawa governou o Japão por mais de 260 anos, até que samurais pró-imperialistas de Satsuma e Chōshū o derrubaram na Guerra Boshin de 1868-69, restaurando o Imperador Meiji como chefe de Estado. O que se seguiu não foi simbólico — foi uma ruptura violenta com a ordem feudal que produziu tudo o que veio depois: o culto imperial, a expansão colonial na Coreia em 1910, o sistema de registro de estrangeiros que permeia toda a trama de Pachinko. O Meiji Jingu, visitado dias antes como um belo santuário, agora carrega todo o seu peso histórico.

O TeamLab Borderless impressionou visualmente, mas pareceu-me mais fino do que eu esperava. Às vezes, a reputação precede a experiência.

A academia manteve seu sistema de quadro branco. Confiança como infraestrutura, mais uma vez.

O jantar foi o ponto alto. Um professor de economia japonês — profundamente informado sobre a política americana, cuidadoso em formular cada opinião com “na minha opinião” para não representar mal seu país — deu uma aula magistral sobre como não exagerar nas afirmações. O comentário casual de que a vida acadêmica não era sua primeira opção de carreira complicou a fácil suposição de que alguém tão perspicaz sempre soube aonde queria chegar.

O cuidado deliberado do professor em como representava o Japão conectava-se diretamente ao tema de Pachinko — personagens que calculam constantemente como se apresentar a estrangeiros, porque o que você diz tem peso além de si mesmo. O mesmo instinto, em uma forma benigna.

Segundo dia: uma fórmula que explica quase tudo, uma revolução que explica o resto e um professor que ensinava mais pela forma como falava do que pelo que dizia.


A Lei de Little — F = I / TH — é algo que você reconheceria imediatamente em qualquer chão de fábrica.

Estou aprendendo aprendendo em sala de aula o que seria necessário para ele trabalhar no chão de fábrica. Caminho diferente, mesmo território.

Semana do Japão 2, Dia 3 — Mapeamento de Processos e o Palácio Imperial, 13 de maio de 2026

Uma estrutura para enxergar o desperdício e um palácio que o personifica.

A aula 3 introduziu o mapeamento de processos — a decomposição de qualquer fluxo de trabalho em etapas discretas e a classificação de cada uma como ação, atraso, transporte, inspeção ou armazenamento. As ações críticas são aquelas que realmente transformam o produto. Todo o resto — espera, movimentação, verificação adicional — é desperdício. O exemplo foi um documento que exigia três assinaturas de partes diferentes. Simples, universal e, de repente, visível em todos os lugares.

O conceito me impactou particularmente porque eu o vinha observando a semana toda, embora sem o vocabulário adequado. Vendedores de Tsukiji sem depósito. O formulário de admissão preciso da ANA . O quadro branco da academia . A lógica Lean já estava presente — o mapeamento de processos deu um nome a ela.


Vendedores Tsukiji

Os Jardins Orientais do Palácio Imperial apresentavam a mesma qualidade de vista cuidadosamente planejada vista em Hamarikyu — o horizonte de Tóquio como pano de fundo deliberado, natureza e modernidade em harmonia. O palácio em si permanece inacessível: um imperador ainda reside lá.

Jardins orientais do Palácio Imperial

O passeio pelos jardins se transformou em uma conversa sobre máquinas de venda automática japonesas — como os operadores gerenciam a economia de escala de espaços minúsculos em terrenos alugados. O professor reforçou a ideia com um exemplo de um estádio de beisebol: uma cabine de dois metros de largura limita a oferta mecanicamente, enquanto a demanda permanece alta. O preço acompanha essa limitação. Uma curva de oferta restrita na menor escala possível.

O tema do pachinko permeava o próprio palácio. Os Jardins Orientais, abertos ao público, enquanto o interior permanece permanentemente fechado, capturam algo que o romance retoma constantemente: os símbolos mais poderosos do Japão, simultaneamente visíveis e inacessíveis. Noa passa a vida tentando acessar formas de pertencimento que nunca lhe foram estruturalmente acessíveis. O portão é visível. A porta, não.

Terceiro dia: o desperdício tornado visível, curvas de abastecimento em dois metros quadrados e um palácio que mostra exatamente onde você não pode ir.

Semana 2 no Japão, Dia 4 — Sede da DHL no Japão, 14 de maio de 2026

A melhor sessão da viagem até agora, e não teve nada a ver com logística. Teve a ver com convicção.

A apresentação de Tony Kahn na sede da DHL Japão, em Higashi Shinagawa, destacou-se menos pelos detalhes operacionais — a Nippon Express abordou o assunto com mais profundidade — e mais pela qualidade da pessoa que a apresentou. Um executivo ocidental que escolheu o Japão, acredita na empresa que representa e no país que adotou, e isso transpareceu em cada resposta.

O princípio organizador de toda a apresentação foi o compromisso da DHL Japão com emissões líquidas zero até 2050. Não como uma estratégia de marketing, mas como uma disciplina de decisão concreta — se tudo precisa estar alinhado com a meta de emissões líquidas zero até 2050, não se pode escolher soluções que resolvam problemas hoje e criem passivos amanhã. O exemplo citado foi o combustível de aviação sustentável feito a partir de óleo de cozinha usado, atualmente caro e escasso, apoiado por uma aposta de longo prazo de que a oferta e a escala acompanharão a demanda. A mesma lógica de longo prazo por trás dos armazéns de semicondutores da Nippon Express em Gujarat — investir agora em infraestrutura para um mercado que ainda não existe plenamente.

A analogia com o bug do milênio foi o momento que mais impactou. Quando questionado sobre a IA substituindo empregos, Tony voltou a falar sobre uma transição que todos previam como catastrófica — e que, em vez disso, deu origem a empresas como Amazon, Airbnb e Starbucks em grande escala, além de uma geração de empresas que não existiam antes. Grandes transições tecnológicas tendem a expandir o campo de atuação para novos negócios, em vez de reduzi-lo. Vindo de alguém que vivenciou uma dessas transições no setor de logística, o argumento teve muito mais peso do que o mesmo argumento apresentado em sala de aula.

A temática de Pachinko se inverteu aqui. Tony — um executivo não japonês que dirige uma importante subsidiária japonesa — representa o oposto corporativo da dinâmica de forasteiro do romance. Aceito no sistema com base em sua competência e comprometimento, em vez de excluído pela lógica de pertencimento. Um lembrete de que as hierarquias retratadas em Pachinko são fortemente defendidas, não absolutas.

Quarto dia: um compromisso para 2050 que norteia todas as decisões tomadas hoje, uma analogia com o bug do milênio que reformula a ansiedade em relação à inteligência artificial e um homem cuja convicção deu mais importância ao conteúdo do que teria de outra forma.

Semana do Japão 2, Dia 5 — Gestão de Riscos e o Museu Nacional de Tóquio, 15 de maio de 2026

Duas sessões que reformularam toda a semana e um museu que reformulou a história japonesa.

A sessão mais densa da manhã foi a SCHM3301 sobre gestão de riscos e crises — prevenção, transferência, mitigação e aceitação — tendo a COVID-19 como estudo de caso . O exemplo mais marcante: empresas que construíram suas próprias operações de transporte durante a pandemia, quando o transporte comercial de cargas entrou em colapso, e que posteriormente mantiveram e monetizaram essa capacidade. A capacidade adquirida em meio à crise se transformou em vantagem competitiva permanente. A pesquisa que identificou sete principais fatores de falha na cadeia de suprimentos colocou a dependência de um único país no topo da lista — e a conexão foi imediata: a Lei CHIPS e Ciência, com US$ 52 bilhões destinados a trazer a fabricação de semicondutores de volta para os Estados Unidos, é uma estratégia de mitigação em nível nacional justamente contra esse risco. A mesma estratégia da Nippon Express ao construir armazéns dedicados na Índia . Quando o risco de concentração é mencionado, o capital segue a diversificação.

A palestra sobre riscos também reformulou as operações enxutas. A eficiência just-in-time — a principal contribuição da Toyota — é justamente o que torna uma cadeia de suprimentos frágil em situações de interrupção. A tendência pós-COVID em direção a estoques de segurança para casos de emergência e redundância geográfica não representa um retrocesso em relação ao pensamento enxuto. Pelo contrário, é o seu contrapeso necessário.

À tarde, o Museu Nacional de Tóquio ressignificou algo maior. Enquanto os museus americanos tendem a exibir armas de fogo e conquistas, a coleção japonesa focava principalmente em roupas, anzóis, arcos, telas pintadas à mão e utensílios para o preparo de alimentos. Havia algumas katanas em exposição, mas o foco principal era como as pessoas viviam, não como lutavam.

Museu Nacional de Tóquio

Embora não haja uma exposição permanente ou um bem oficial conhecido como o “fio do pachinko” no Museu Nacional de Tóquio, visto que este museu se concentra estritamente na arte clássica japonesa, artefatos arqueológicos, armamento samurai e tesouros imperiais históricos, podemos pensar no fio do pachinko como gerações de personagens definidos menos pelo que combateram do que pelo que descobriram como produzir, vender e sobreviver. A pensão de Yangjin. O carrinho de kimchi de Sunja. Os salões de pachinko de Mozasu. Resistência e habilidade como a verdadeira história, ferramentas de sobrevivência como os verdadeiros artefatos.

Quinto dia: o risco de concentração foi mencionado em todas as escalas, da corporativa à nacional; a eficiência enxuta atingiu seus limites; e um museu que escolheu a sobrevivência em vez da conquista como princípio organizador de uma civilização.

Semana 2 do Japão , Dia 6 — Kamakura e Ilha de Enoshima, 16 de maio de 2026

Um dia inteiro nos arredores de Tóquio, e o mais visualmente impressionante da viagem.

Em Kōtoku-in e Hase-dera , o que mais chamou a atenção não foi a arquitetura, mas as oferendas — flores frescas, comida, água, cuidadosamente dispostas em cada altar, inclusive nos mais visitados. Alguém as coloca lá diariamente. Não para turistas. Isso mudou a perspectiva de todos os locais religiosos que visitei até então: não são reservas históricas. São práticas ativas, mantidas silenciosamente por pessoas que fazem as mesmas coisas todos os dias.

Grande Buda de Kamakura em Kōtoku-in

Enoshima tinha uma atmosfera diferente — cidade litorânea, colinas arborizadas, paisagem costeira íngreme que o fez lembrar muito de Ubatuba, no Brasil. A lógica visual do oceano à frente e das montanhas atrás era a mesma. Mas a observação mais interessante era econômica: nenhuma loja 7-Eleven ou Lawson em toda a ilha, algo incomum, considerando a saturação dessas redes em todo o resto do Japão. O terreno explica isso. Ruas estreitas e íngremes quebram o modelo de entrega padrão — veículos menores, viagens mais frequentes, custo unitário mais alto, provavelmente uma rede de distribuidores locais em vez do sistema centralizado just-in-time que domina o varejo urbano. A inviabilidade operacional das redes nesse terreno preservou um ecossistema de varejo exclusivamente local, que foi praticamente eliminado em todos os outros lugares. Uma restrição que se tornou uma espécie de proteção.

O tema do Pachinko permeava as oferendas: o ritual preservado não por instituições, mas por pessoas que silenciosamente faziam as mesmas coisas todos os dias — o mesmo fio condutor da fé de Isak que sobreviveu ao aprisionamento e ao deslocamento.


Semana 2 no Japão , Dia 7 — Região do Monte Fuji, Kawaguchiko, 17 de maio de 2026

Um dia livre, um longo cálculo e uma aula de economia clara em grandes altitudes.

Nove horas e meia de viagem para aproximadamente três horas em terra firme. O teleférico estava fechado. O Apple Maps nos mandou para o lado errado da montanha. Quase ficamos presos antes de encontrarmos a trilha certa. A resposta para se valeu a pena: Não sabemos quando voltaremos ao Japão, então fomos.

Monte Fuji

A verdadeira descoberta foi a economia de Kawaguchiko . As lojas locais cobravam significativamente mais do que as opções equivalentes em Tóquio — baixo volume de vendas, altos custos logísticos, demanda cativa de turistas que já investiram três horas de viagem e não se importam com o preço do almoço. O 7-Eleven cobrava o mesmo que na cidade. Distribuição nacional, compras consolidadas, estrutura de preços predefinida em milhares de lojas — a filial de Kawaguchiko absorve o custo mais alto da última milha como um erro de arredondamento em relação ao volume nacional. A rede pode arcar com o prejuízo porque a rede é o sistema. A lanchonete familiar ao lado não pode.

A conversa mais globalizada da viagem aconteceu nesta remota cidadezinha nas montanhas — um turista francês, futebol, comida e experiências em Tóquio. Curioso que o lugar mais internacional do Japão tenha se revelado uma cidadezinha construída em torno de uma única vista para a montanha.

A inversão do pachinko também chegou aqui: Kawaguchiko é uma cidade japonesa que discretamente serve uma maioria estrangeira — a mesma tensão entre dentro e forasteiros que ocorre na direção oposta à de Ikaino, em Sunja.


Resumo da Semana 2

A principal descoberta da semana foi surgindo gradualmente e se consolidou por completo ao final: a cultura empresarial japonesa — a deferência, o pensamento de longo prazo, a disciplina nos processos — não está dissociada da estratégia operacional. Ela é a base que torna a estratégia possível. A produção just-in-time não surge de uma cultura que tolera a improvisação. Os compromissos de emissões líquidas zero até 2050 não emergem de uma cultura que prioriza o próximo trimestre.

A sessão da DHL com Tony foi o ponto alto da semana. O compromisso com a meta de 2050 como disciplina decisória. A analogia com o bug do milênio reformulando a questão da substituição da IA. E um executivo não japonês aceito em uma importante subsidiária japonesa com base em sua competência — o inverso corporativo do caminho bloqueado de Salomão na Travis Brothers. A hierarquia não se dissolveu. Os critérios para ascensão mudaram de laços familiares para competência, ainda que de forma desigual.

A gestão de riscos conectou tudo. A dependência de um único país foi a principal causa das falhas na cadeia de suprimentos durante a COVID. A Lei CHIPS como medida de mitigação em nível nacional. A Nippon Express na Índia. O investimento da DHL na SAF. Todos seguem a mesma lógica de longo prazo: quando o risco de concentração é mencionado, o capital segue a diversificação.

A questão que se estende à terceira semana é: essa disciplina se aplica a empresas familiares — como as que vemos em Enoshima e Kawaguchiko — e como funciona a sucessão geracional nessas empresas à medida que a força de trabalho japonesa diminui?

A cultura empresarial japonesa é a base, e não a decoração.

Paris, the City That Exists Because We Imagine It

veja em Português

We dedicate this post to our children, grandchildren, and granddaughter.

Tiago was in Paris several times last year, Gabriel just visited it, and this reminded us, their grandparents, of our silver wedding anniversary, which took place in 1993, and which we celebrated by visiting Paris. We still have photos from that trip, which I am now publishing, trying to somehow organize what we saw and felt.

There are cities we visit. And there are cities we’ve already lived in before arriving. Paris is the latter.

When the plane lands at Charles de Gaulle and the taxi—in our case, I think it was a bus or some kind of public transportation —enters the city for the first time, something strange happens—the feeling isn’t one of discovery but of recognition. The wide sidewalks, the cafes with chairs facing the street, the Eiffel Tower appearing unexpectedly among buildings—everything seems familiar. As if we’d been there before.

And in a way, we were.

The subway is a pleasant surprise, making it easy to reach all the important points quickly, economically, and simply.
The tourist attractions, which I will present in more detail later, exceeded our expectations. In fact, everything exceeded our expectations.


The city that cinema built

Paris has been filmed more than any other city in history. Not because it’s more beautiful than Rome or more dramatic than New York—but because something in its light, the “City of Lights” as it’s known, in its human scale, in its boulevards deliberately designed to be walked and seen, has invited generations of filmmakers to build their dreams there.

Gene Kelly danced through its gardens in An American in Paris in 1951. Audrey Hepburn graced its streets with impossibly elegant grace in Funny Face and Charade. Audrey Tautou transformed Montmartre into a neighborhood of everyday magic in Amélie .

The best film about what we’re talking about would still be made long after we were there in 1993, which was Woody Allen’s film, Midnight in Paris.

Each film added a layer to the imagination. Each layer made Paris more Parisian—not the real city, but the city we carry within us as a promise that beauty, love, and transformation are possible.

When a couple goes to Paris to celebrate their silver or golden wedding anniversary, or simply to enjoy a romantic getaway, like Tiago and Gabriel, they’re not just going to a beautiful European city. They’re going to the city that cinema and literature have built in people’s imaginations over decades. And the city, which has long since learned to be what culture has dictated it to be, lives up to that promise.


Woody Allen and the moment of synthesis

In 2011, at 75 years old and with a century of Parisian imagery absorbed, Woody Allen did something no other director had managed—he made a film about the Parisian imagination knowing it was an imagination, without thereby destroying it.

Midnight in Paris begins with five minutes of no dialogue—Paris at dawn, in the rain, at dusk, at night. No characters, no story, no words. Just the city in all its deliberate beauty. Allen is telling the viewer before any words are spoken: I’m going to show you the city that you all carry within you.

The protagonist Gil, played by Owen Wilson, is an American writer who loves Paris with the intensity of someone who first encountered it through books—Hemingway, Fitzgerald, Gertrude Stein. At midnight, magically, you are transported to 1920s Paris and find exactly who you expected to find. Hemingway speaks as Hemingway wrote. Fitzgerald is both brilliant and fragile. Gertrude Stein receives artists in her salon with serene authority.

I missed a similar approach to James Joyce… But I understand why Woody Allen avoided it: James Joyce is a “tough nut to crack” that has nothing to do with the lightness and all that Paris suggests, and let’s leave it that way…

Woody Allen’s film is absurd. It’s impossible. And it’s completely true—because that’s exactly how these characters live in the imagination of anyone who has read them.

The philosophical argument hidden in a romantic comedy.

What makes Midnight in Paris truly extraordinary isn’t the romance, nor the magic, nor Owen Wilson wandering the illuminated streets. It’s the plot that Allen hides within the lightness.

Adriana, Picasso’s lover whom Gil encounters in the past, doesn’t dream of the 1920s—she dreams of the Belle Époque of the 1890s. When the two are magically transported to this even more distant period, the characters from the Belle Époque dream of the Renaissance.

Allen is saying something accurate and disturbing — nostalgia is neither an individual weakness nor a pathology. It is the universal human condition. Every era looks back to a golden age that also looked back to another. Paradise is always in the past — and the past is always receding.

Like a matrioska...

And I add: and our memory will always be constructed as we would wish and imagine what it was like, and not as reality would tell it, if we were not imbued with the spirit that we are analyzing here.

Gil realizes this—and this realization liberates him. Not because nostalgia disappears, but because he understands that living permanently in it is a way of not living at all. Paris in the 1920s was extraordinary. But the people who inhabited it were alive—with real problems, difficult loves, hard work, uncertainty about the future. The magic was the life they were living, not the era in which they lived it.

Why Allen was so right

Other directors have filmed Paris with love but without distance. Allen filmed it with love and with distance—and that combination is what makes the film last.

A younger director might have made a naive celebration or perhaps a cynical deconstruction. Allen did both simultaneously—he celebrated the myth knowing it is a myth, and showed that this awareness does not diminish its beauty, but rather deepens it.

Because that’s what Paris ultimately offers — not the illusion that the past was better, but the permission to fully inhabit the present with the intensity of someone who knows that this moment too will pass and will also be remembered with nostalgia.

A couple who go to Paris to celebrate fifty years together are not fleeing to the past, like any other couple. They are doing what Gil finally learns to do—being completely present in a place that culture has made sacred, knowing that sacredness is a construct, and choosing to inhabit it.

Paris exists because we imagine it. And because we imagine it consistently enough for long enough—it truly exists.
Woody Allen understood this with the clarity that only 75 years and a lifetime of love for culture allow.
And he made a film worthy of that understanding.
We, your grandparents, realized this after 25 years of marriage and confirm, looking back into the future, what Woody Allen so brilliantly perceived.

“If you are lucky enough to have lived in Paris as a young man, then wherever you go for the rest of your life, it stays with you, for Paris is a moveable feast.” — Ernest Hemingway

Woody Allen realized that you don’t need to have lived in Paris as a young person. You just need to have imagined it well enough. Or to have visited it, and you immediately understand why it exerts this fascination, this attraction, and why it’s in people’s imaginations.

Our Trip

EPSON MFP image

Hotel Primavera

View from the room

Taking a stroll

Subway

Monuments

Versailles

Lido

City Hall of Versailles

Notre Dame de Paris

Torre Eifel

Musée d’Orsay

It is world-famous for housing the largest collection of Impressionist and Post-Impressionist works in the world. 

What to see (Highlights)

The collection focuses on French art produced between  1848 and 1914. Key highlights include: 

  • Claude Monet :  The Artist’s Garden at Giverny  and the  Rouen Cathedral series .
  • Vincent van Gogh :  The Starry Night Over the Rhône  and his famous self-portraits.
  • Pierre-Auguste Renoir :  The Dance at the Moulin de la Galette .
  • Édouard Manet :  Almoço na Relva  ( Lunch on the Grass ) and  Olympia .
  • Edgar Degas : His iconic sculptures and paintings of ballerinas, such as  Little Dancer Aged Fourteen .
  • The Historic Building

The museum is as famous for its architecture as for its art. It is housed in the former  Gare d’Orsay , a monumental train station inaugurated for the 1900 Universal Exposition. 

  • Tip:  Don’t miss the giant clocks in the station; through them, you have a privileged view of the Seine River towards the Louvre.
Monet – The Artist’s Garden
Thatched Cottages at Cordeville
Van Gogh – Night Out of the Rodano
Pierre-Auguste Renoir :  The Dance at the Moulin de la Galett
Olympia
Olympia.
Luncheon on the Grass – Monet

Emile-Auguste Carolus-Duran – Le Convalescent – Wounded man

Edgar Degas : Ballerina

Louvre Museum

When we were in Paris, we were helped by Elô’s Gilberto’s sister. I don’t remember if she did a master’s degree or her husband a doctorate at an university in Paris, but she had lived there and knew the city well. She guided Gilberto and Elô while they were there, and Gilberto gave me the information about the hotel, the subway, and tourist attractions. Since we were short on time, we prioritized the Musée d’Orsay because the Louvre would have required much more time. Even so, we went to the Louvre, we saw the glass pyramid, which, incidentally, had just been installed, saw the Mona Lisa and the largest painting in the world, but we didn’t take any photos.
As we are dedicating this website to our children and grandchildren, I will elaborate a little on the Louvre and how to do it with limited time, and here is a suggestion:

The  Louvre Museum in Paris is the largest and most visited art museum in the world. It houses over 35,000 works in a space of 60,000 square meters. Originally a  medieval fortress  dating back to 1190, it served as a royal palace for centuries before becoming a public museum in 1793 during the French Revolution.

Must-See Works (Masterpieces)

  • Mona Lisa  (Leonardo da Vinci): Denon Wing, Room 711.
  • The Wedding at Cana  (Paolo Veronese): The largest painting in the museum, located directly opposite the Mona Lisa.
  • Venus de Milo : Ancient Greek sculpture in the Sully Wing, Room 345.
  • Winged Victory of Samothrace : Hellenistic sculpture at the top of the Daru Staircase.
  • The Code of Hammurabi : One of the oldest sets of written laws in the world.
  • Napoleon III’s Apartments : Opulent 19th-century decoration in the Richelieu Wing.

Here is an efficient  3-hour itinerary  focused on the most iconic works, starting with the entrance to the Pyramid  or  Carrousel :

Hour 1: The Denon Wing (The Stars of the Louvre)

  • The Winged Victory of Samothrace : Climb the grand Daru Staircase. This marble statue of a winged goddess is one of the museum’s landmarks.
  • Mona Lisa (Room 711) : Follow the flow (and the signs) to the Grand Gallery. Be prepared for crowds; the painting is protected by glass and is located some distance away.
  • The Wedding at Cana : Don’t forget to turn your back to the Mona Lisa; the largest painting in the Louvre is right behind you, covering an entire wall.
  • French Painting : Upon leaving the Mona Lisa room, see  The Coronation of Napoleon  and  Liberty Leading the People  in the adjacent red rooms.

Hour 2: The Sully Wing (Antiquity and History)

  • Venus de Milo (Room 345) : Head down to the Sully Wing to see the world’s most famous Greek statue, known for its perfection and missing arms.
  • Medieval Louvre : Descend to the underground to walk through the old moat of the original 12th-century fortress. It’s the most “Castle-like” part of the museum.
  • The Sphinx of Tanis : On the way to the Egyptian antiquities, you will find this enormous granite sphinx.

Hour 3: The Richelieu Wing (Light and Luxury)

  • Hammurabi’s Code (Room 227) : A black basalt column containing one of humanity’s oldest codes of law.
  • Marly Courtyard and Khorsabad Courtyard : Areas covered by glass ceilings with incredible natural light, filled with monumental French sculptures and winged bulls from Mesopotamia.
  • Napoleon III’s Apartments : Finish the tour by seeing the extreme luxury of the Second French Empire, with giant chandeliers and red velvet.

Paris, a Cidade que Existe Porque a Imaginamos

See it in English

Dedicamos este post aos nossos filhos, netos e neta.

Tiago esteve em Paris varias vezes no ano passado, Gabriel acaba de visitá-la e isto nos remeteu, seus avós, às nossas bodas de prata, ocorrida em 1993, que comemoramos visitando Paris, viagem da qual ainda guardamos as fotos que agora publico tentando ordenar de alguma forma o que vimos e sentimos.

Há cidades que visitamos. E há cidades que já habitamos antes de chegar. Paris é do segundo tipo.

Quando o avião pousa no aeroporto Charles de Gaulle e o táxi, no nosso caso acho que foi ônibus ou algum tipo de transporte publico, entra na cidade pela primeira vez, algo estranho acontece — a sensação não é de descoberta mas de reconhecimento. As calçadas largas, os cafés com cadeiras viradas para a rua, a Torre Eiffel aparecendo inesperadamente entre prédios — tudo parece familiar. Como se já tivéssemos estado lá antes.

E de certa forma estivemos.

O metrô é uma agradável surpresa pela facilidade de atingir todos os pontos que importam de forma rápida, econômica e fácil de entender.
Os pontos turísticos, que vou apresentar mais na sequência, superam nossas expectativas. Aliás, tudo supera nossas expectativas.


A cidade que o cinema construiu

Paris foi filmada mais do que qualquer outra cidade da história. Não porque seja mais bonita que Roma ou mais dramática que Nova York — mas porque algo na sua luz, cidade luz como é conhecida, na sua escala humana, nos seus boulevards deliberadamente projetados para serem percorridos e vistos, convidou gerações de cineastas a construir ali os seus sonhos.

Gene Kelly dançou pelos seus jardins em  An American in Paris  em 1951. Audrey Hepburn atravessou as suas ruas com elegância impossível em Funny Face (Cinderela em Paris) e Charade. Audrey Tautou transformou Montmartre num bairro de magia quotidiana em Amélie.

O melhor filme sobre o que estamos conversando iria ainda ser criado muito depois que lá estivemos em 1993, que foi o filme de Woody Allen, Midnight in Paris, Meia Noite em Paris.

Cada filme adicionou uma camada ao imaginário. Cada camada tornou Paris mais Paris — não a cidade real mas a cidade que carregamos dentro de nós como promessa de que a beleza, o amor e a transformação são possíveis.

Quando um casal vai a Paris celebrar bodas de prata ou de ouro, ou para simplesmente namorar, como Tiago e Gabriel, não vai apenas a uma cidade europeia bonita. Vai à cidade que o cinema e a literatura construiu na imaginação das pessoas ao longo de décadas. E a cidade, que há muito aprendeu a ser o que a cultura disse que era, confirma a promessa.


Woody Allen e o momento da síntese

Em 2011, com 75 anos e um século de imaginário parisiense absorvido, Woody Allen fez algo que nenhum outro diretor havia conseguido — fez um filme sobre o imaginário de Paris sabendo que era um imaginário, sem por isso destruí-lo.

Midnight in Paris começa com cinco minutos sem diálogo — Paris ao amanhecer, à chuva, ao entardecer, à noite. Sem personagens, sem história, sem palavras. Apenas a cidade em toda a sua beleza deliberada. Allen está dizendo ao espectador antes de qualquer palavra ser proferida: vou mostrar-vos a cidade que todos carregais dentro de vós.

O protagonista Gil, interpretado por Owen Wilson, é um escritor americano que ama Paris com a intensidade de quem a conheceu primeiro pelos livros — Hemingway, Fitzgerald, Gertrude Stein. À meia-noite, magicamente, é transportado para o Paris de 1920 e encontra exatamente quem esperava encontrar. Hemingway fala como Hemingway escrevia. Fitzgerald é simultaneamente brilhante e frágil. Gertrude Stein recebe artistas no seu salão com autoridade serena.

Senti falta de uma elaboração semelhante para James Joyce… Mas entendo porque Woody Allen se esquivou: James Joyce é uma “pedreira” que não tem nada com a leveza e o que Paris sugere e vamos deixar para lá…

O filme de Woody Allen é absurdo. É impossível. E é completamente verdadeiro — porque é exatamente assim que esses personagens vivem na imaginação de qualquer pessoa que os leu.

O argumento filosófico escondido numa comédia romântica

O que torna Midnight in Paris genuinamente extraordinário não é o romance nem a magia nem Owen Wilson a vaguear pelas ruas iluminadas. É o argumento que Allen esconde dentro da leveza.

Adriana, a amante de Picasso que Gil encontra no passado, não sonha com os anos 1920 — sonha com a Belle Époque dos anos 1890. Quando os dois são magicamente transportados para esse período ainda mais recuado, os personagens da Belle Époque sonham com o Renascimento.

Allen está dizendo algo preciso e perturbador — a nostalgia não é uma fraqueza individual nem uma patologia. É a condição humana universal. Toda época olha para trás para uma idade de ouro que também olhava para trás para outra. O paraíso está sempre no passado — e o passado está sempre a recuar.

Como uma boneca matrioska..

E acrescento: e nossa recordação sempre vai ser construída como desejaríamos e imaginamos o que era e não como a realidade contaria, se não estivéssemos embebidos do espírito que analisamos aqui.

Gil percebe isso — e a percepção liberta-o. Não porque a nostalgia desapareça mas porque ele percebe que viver permanentemente nela é uma forma de não viver de todo. Paris de 1920 era extraordinária. Mas as pessoas que a habitavam estavam vivas — com problemas reais, amores difíceis, trabalho duro, incerteza sobre o futuro. A magia era a vida que estavam a viver, não a época em que a viviam.

Por que Allen acertou em cheio

Outros diretores filmaram Paris com amor mas sem distância. Allen filmou-a com amor e com distância — e essa combinação é o que faz o filme durar.

Um diretor mais jovem teria feito uma celebração ingénua ou uma desconstrução talvez cínica. Allen fez as duas coisas simultaneamente — celebrou o mito sabendo que é um mito, e mostrou que essa consciência não diminui a beleza, antes a aprofunda.

Porque no fundo é isso que Paris oferece — não a ilusão de que o passado foi melhor, mas a permissão para habitar plenamente o presente com a intensidade de quem sabe que este momento também passará e também será lembrado com nostalgia.

O casal que vai a Paris celebrar cinquenta anos juntos não está a fugir para o passado, como também qualquer casal. Está fazendo o que Gil finalmente aprende a fazer — estar completamente presente num lugar que a cultura tornou sagrado, sabendo que a sacralidade é uma construção, e escolhendo habitá-la na mesma.

Paris existe porque a imaginamos. E porque a imaginamos com suficiente consistência durante suficiente tempo — existe de verdade.
Woody Allen percebeu isso com a clareza que só os 75 anos e uma vida inteira de amor pela cultura permitem.
E fez um filme à altura dessa percepção.
Nós, seus avós, percebemos isto aos 25 anos de casados e confirmamos de volta para o futuro o que Woody Allen genialmente percebeu.

“If you are lucky enough to have lived in Paris as a young man, then wherever you go for the rest of your life, it stays with you, for Paris is a moveable feast.” — Ernest Hemingway

“”Se você tiver a sorte de ter vivido em Paris quando jovem, então, para onde quer que você vá pelo resto da vida, ela permanecerá com você, pois Paris é uma festa que se leva para qualquer lugar.”

Woody Allen percebeu que não é preciso ter vivido em Paris em jovem. Basta tê-la imaginado suficientemente bem. Ou tê-la visitado, você entende logo de cara porque ela exerce este fascínio, esta atração e porque está no imaginário das pessoas.

Nossa Viagem

Hotel Primavera

Vista do quarto

Passeando

“APOLIS BAR”

Metrô

Monumentos

Versailles

Lido

Prefeitura de Versailles

Notre Dame de Paris

Torre Eifel

Musée d’Orsay

Ele é mundialmente famoso por abrigar a maior coleção de obras impressionistas e pós-impressionistas do mundo. 

🎨 O que ver (Destaques)

A coleção foca na arte francesa produzida entre 1848 e 1914. Os principais destaques incluem: 

  • Claude MonetO Jardim do Artista em Giverny e a série da Catedral de Rouen.
  • Vincent van GoghA Noite Estrelada sobre o Ródano e seus famosos autorretratos.
  • Pierre-Auguste RenoirO Baile no Moulin de la Galette.
  • Édouard ManetAlmoço na Relva (Le Déjeuner sur l’herbe) e Olympia.
  • Edgar Degas: Suas icônicas esculturas e pinturas de bailarinas, como a Pequena Bailarina de Catorze Anos. 7

🏛️ O Edifício Histórico

O museu é tão famoso por sua arquitetura quanto por sua arte. Ele está instalado na antiga Gare d’Orsay, uma estação de trem monumental inaugurada para a Exposição Universal de 1900. 

  • Dica: Não deixe de ver os relógios gigantes da estação; através deles, você tem uma vista privilegiada do Rio Sena em direção ao Louvr

Monet – Jardim do artista
Thatched Cottages at CordevilleCasas de palha em Cordeville

Van Gogh – Noite estralada do Rodano
Pierre-Auguste RenoirO Baile no Moulin de la Galett
Olympia
Olympia.
Dejeuner sur l’herbe – Monet

Emile-Auguste Carolus-Duran – Le Convalescent – Wounded man

Edgar Degas: Ballerina

Musée du Louvre

Quando estivemos em Paris, fomos auxiliados pela irmã do Gilberto, da Elô, que não me lembro se ela fez mestrado ou o marido doutorado, em alguma universidade em Paris, mas tinha morado lá e conhecia bem a cidade. Ela orientou o Gilberto e a Elô quando estiveram lá e o Gilberto me passou a orientação, quanto ao Hotel, Metrô, pontos turísticos. Como estávamos com falta de tempo, privilegiamos o Musée D’Orsay porque o Louvre demandaria muito mais tempo. Mesmo assim, fomos ao Louvre, vimos a Pirâmide de vidro, que, aliás tinha acabado de ser instalada, vimos a Mona Lisa e a maior pintura do mundo, mas não tiramos nenhuma foto.
Como estamos dedicando este site aos nossos filhos e netos, vou elaborar um pouco sobre o Louvre e como fazer com pouco tempo, e aqui vai a sugestão:

Musée du Louvre, em Paris, é o maior e mais visitado museu de arte do mundo. Ele abriga mais de 35 mil obras em um espaço de 60 mil metros quadrados. Originalmente uma fortaleza medieval de 1190, serviu como palácio real por séculos antes de se tornar um museu público em 1793, durante a Revolução Francesa.

Obras Imperdíveis (Masterpieces)

  • Mona Lisa (Leonardo da Vinci): Ala Denon, Sala 711.
  • As Bodas de Caná (Paolo Veronese): A maior pintura do museu, localizada bem em frente à Mona Lisa.
  • Vênus de Milo: Escultura grega antiga na Ala Sully, Sala 345.
  • Vitória de Samotrácia: Escultura helenística no topo da Escadaria Daru.
  • Código de Hamurábi: Um dos conjuntos de leis escritas mais antigos do mundo.
  • Apartamentos de Napoleão III: Decoração opulenta do século XIX na Ala Richelieu.

Aqui está um roteiro eficiente de 3 horas focado nas obras mais icônicas, começando pela entrada da Pirâmide ou Carrousel:

Hora 1: A Ala Denon (As Estrelas do Louvre)

  • A Vitória de Samotrácia: Suba a grande Escadaria Daru. Esta estátua de mármore de uma deusa alada é um dos marcos do museu.
  • Mona Lisa (Sala 711): Siga o fluxo (e as placas) para o Grande Galeria. Prepare-se para a multidão; a pintura é protegida por vidro e fica a uma certa distância.
  • As Bodas de Caná: Não esqueça de virar as costas para a Mona Lisa; a maior pintura do Louvre está logo atrás de você, cobrindo uma parede inteira.
  • Pintura Francesa: Ao sair da sala da Mona Lisa, veja A Coroação de Napoleão e A Liberdade Guiando o Povo nas salas vermelhas adjacentes.

Hora 2: A Ala Sully (Antiguidade e História)

  • Vênus de Milo (Sala 345): Desça em direção à Ala Sully para ver a estátua grega mais famosa do mundo, conhecida por sua perfeição e braços ausentes.
  • Louvre Medieval: Desça ao subsolo para caminhar pelo antigo fosso da fortaleza original do século XII. É a parte mais “Castelo” do museu.
  • A Esfinge de Tânis: No caminho para as antiguidades egípcias, você encontrará esta enorme esfinge de granito.

Hora 3: A Ala Richelieu (Luz e Luxo)

  • Código de Hamurábi (Sala 227): Uma coluna de basalto negro com um dos códigos de leis mais antigos da humanidade.
  • Pátio Marly e Pátio Khorsabad: Áreas cobertas por tetos de vidro com luz natural incrível, cheias de esculturas monumentais francesas e touros alados da Mesopotâmia.
  • Apartamentos de Napoleão III: Termine o tour vendo o luxo extremo do Segundo Império Francês, com candelabros gigantes e veludo vermelho.

New York

Chartres

Genebra

Inteligência artificial e a marmita

See it in English

 / Roque E. de Campos / Editar

MAM Museu de Arte Moderna de São Paulo

Eu, Roque Ehrhardt de Campos, ingressei na IBM Brasil em dezembro de 1970, inicialmente na Engenharia Industrial e, a partir de 1973, na Engenharia de Produto, onde permaneci por 15 anos, até 1988. Em seguida, ingressei no ILAT, o Instituto Latino-Americano de Tecnologia, uma entidade breve e discreta que desapareceu sem o menor alarde ou qualquer tipo de notícia, e onde encerrei minha trajetória na IBM em 1993. Na Engenharia Industrial, ajudei a montar o estande da IBM na  SUCESU , quando ainda era no Ibirapuera, SP, até sua transferência e longa permanência no Anhembi, onde, curiosamente, também participei em diversas ocasiões enquanto trabalhava na Engenharia de Produto da IBM.

Neste evento da SUCESU, ajudei a montar o estande da IBM, que ficava no mesmo prédio que o  MAM Museu de Arte Moderna  de São Paulo, como pode ser visto na foto acima.

Era 1971 e, ao mesmo tempo, estava prestes a acontecer a 10ª edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo , na qual pudemos vislumbrar a perspectiva brasileira sobre a arte, com a ajuda de alguns expositores europeus, notadamente os franceses, apesar do boicote da França, da União Soviética e de vários outros países que a excluíram devido à ditadura que governou o país de 1964 a 1985.

Na época, eu não sabia, pois era jovem e o que eu entendia por arte era o que mais tarde descobriria ser chamado de figurativismo.
A arte figurativa é um estilo que busca representar figuras e objetos do mundo real de uma forma reconhecível.
Artistas figurativos retratam pessoas, paisagens, objetos e outras figuras de uma maneira que as torna facilmente identificáveis. A ideia é reproduzir a realidade. Das pinturas rupestres pré-históricas às obras dos mestres da Renascença, esse estilo artístico tem sido praticado ao longo da história.

O MAM (Museu de Arte Moderna) de São Paulo foi criado justamente para contrastar o figurativismo com o abstracionismo.
A arte abstrata é um estilo que se distancia da representação fiel do mundo visível e explora elementos que não se assemelham à realidade. Nesse estilo, os artistas enfatizam a expressão emocional e conceitual, utilizando formas, cores, linhas e texturas para transmitir ideias e sensações.
A arte abstrata rompe com as convenções tradicionais da representação figurativa, permitindo ao artista explorar a liberdade criativa em sua forma mais pura e sendo altamente subjetiva.

A questão não é tão simples. Artistas abstratos podem usar objetos para criar obras de arte que deixam de ser aquilo para o qual foram originalmente criadas, tornando-se metáforas para uma infinidade de coisas e, inevitavelmente, criticando a ordem social ou se rebelando contra soluções políticas que não consideram corretas. Como os objetos usados ​​para criar esse tipo de arte já são produzidos e acabados, esse estilo é conhecido como “ready-made”.

Bem, voltando à SUCESSU em 1971, veríamos inúmeros exemplos de arte moderna que continham tudo o que expliquei, algo que, na época, eu não fazia ideia do que se tratava.

A obra de arte abstrata “ready made” que me chamou a atenção foi, se bem me lembro, um conjunto de lancheiras arredondadas empilhadas, que se pareciam com isto (tentei localizar a que vi, mas não consegui encontrá-la):

Quem me esclareceu o significado disso foi Rolando Milone, um italiano na casa dos quarenta que foi trabalhar na IBM Brasil como engenheiro industrial, ajudando a montar todo tipo de instalação que a Engenharia Industrial da época fazia. Ele acrescentou, sorrindo, a frase:  “Quem come de marmita, come de marmita para sempre…”

Com a ajuda dos meus quase 83 anos de vida, eu não entendia naquela época o que entendo agora, e vou entrar em mais detalhes sobre como a arte pode expressar coisas de maneiras inesperadas e como isso se relaciona com a Inteligência Artificial.

O que o sorriso de Rolando Milone escondia e não me revelava era que esta escultura retrata, na percepção do artista, classe social e mobilidade (ou da falta dela).
A mensagem é brutal: não importa se você “progride” materialmente (ferrugem → alumínio → aço inoxidável brilhante), você continua sendo essencialmente a mesma coisa – um trabalhador que carrega uma marmita.
O artista estava expressando:

  1. Crítica marxista : O trabalhador pode ter a ilusão de progresso (uma marmita melhor), mas continua a vender sua força de trabalho, continua sem possuir os meios de produção. A essência da relação não se altera.
  2. Mobilidade social como ilusão: você pode ascender socialmente (melhorar sua condição), mas nunca escapará de sua origem. “Quem nasce para fazer lancheiras não vira dono de restaurante.”
  3. Condição humana: Todos nós estamos sujeitos às nossas necessidades básicas (alimentação), independentemente da aparência de progresso.

Como isso se relaciona com a IA?

A Inteligência Artificial como a “marmita de aço inoxidável” – parece revolucionária, brilhante, futurista… mas, em sua essência, não altera a estrutura fundamental: quem tem capital e controla a tecnologia, quem não tem continua vendendo mão de obra (só que agora competindo com máquinas ou sendo supervisionado por elas). Os principais pontos em que ela atuará são:

  1. A automação não elimina a classe baixa – apenas a desloca. Sempre haverá empregos precários e mal remunerados que não foram automatizados (ou que não valem a pena automatizar). A classe trabalhadora simplesmente se expande para baixo, por exemplo, motoristas profissionais se tornando taxistas, telefonistas se tornando vendedoras por telefone, digitadores se tornando criadores de conteúdo ilustrando influenciadores, etc.
  2. Estão surgindo novas funções exploratórias – como moderadores de conteúdo traumatizante, etc., pessoas que criam e inserem programas gerados por IA por centavos em plataformas como o Amazon Mechanical Turk , moderadores de conteúdo traumatizante, etc.
  3. Quem lucra são os que já tinham capital – OpenAI, Google, Microsoft . Não é a pessoa que perdeu o emprego para a automação.
  4. A ilusão do progresso – “Ah, mas agora existem novos empregos na área de tecnologia!” Sim, para os 5% que conseguem se requalificar. E os outros 95%? Eles se adaptarão como descrito anteriormente.
  5. Por último, mas não menos importante, os números reais que irão concentrar ainda mais riqueza com o uso da IA ​​são os seguintes: no primeiro trimestre de 2024, quase dois terços da riqueza total nos Estados Unidos estavam nas mãos dos 10% mais ricos. Em comparação, os 50% mais pobres detinham apenas 2,5% da riqueza total.
  • Os 10% mais ricos detêm 67% da riqueza.
  • Os 50% mais pobres detêm apenas 2,5% da riqueza.
  • O 1% mais rico detém aproximadamente 35% da riqueza total (de acordo com dados históricos).

A promessa libertadora da tecnologia (como sempre) é que ela nos livrará do trabalho árduo. A realidade é que ela redistribui o trabalho árduo, geralmente concentrando a riqueza no topo e relegando as tarefas que exigem menos habilidade para baixo, na base.
Ferrugem, alumínio, aço inoxidável. Mas ainda é uma marmita.
A IA, quando considerada nessa metáfora, perde o encanto de ser algo poderoso e se reduz a apenas uma ferramenta, por mais sofisticada que seja.
Sofisticada, sim – mas uma ferramenta.
A questão não é se isso me diminui, mas sim: em mãos de quem está essa ferramenta e para qual propósito?
A marmita de aço inoxidável não é “onipotente” – ela ainda serve ao mesmo propósito, só que agora pertence a outros donos, talvez usada com mais eficiência para realizar mais trabalho.

O “encanto” nunca teve a ver com IA… Tem a ver com a Anthropic, a OpenAI, o Vale do Silício, vendendo a narrativa do progresso enquanto concentram capital, como sempre fizeram desde a sua origem, validando todas as ideias que explicam, apoiam ou criticam o capitalismo e, no caso das lancheiras, é uma crítica à teoria clássica de Marx sobre capital e trabalho e à divisão de classes.
A IA, agora, é o aço inoxidável reluzente que desvia a atenção da estrutura imutável que detém a chave para entendermos o que está acontecendo, o que acontecerá e o que está reservado para aqueles que giram em torno dela ou são sustentados por ela, o que inclui praticamente tudo; não é mais possível fazer nada neste mundo sem o uso da inteligência artificial de alguma forma.

Em resumo, qual o impacto da IA ​​na sua vida?

Você precisa levar em consideração tudo o que foi explicado aqui e garantir que não acabe se tornando um “turco mecânico” ou que não esteja acima do comando ou do controle deles.
Ou ainda, que ganhe muito dinheiro ajudando aqueles que têm o poder de manter a situação, que precisa ser mudada, como está há muito tempo e não mostra nenhum sinal de uma nova perspectiva.