Paris, a Cidade que Existe Porque a Imaginamos

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Dedicamos este post aos nossos filhos, netos e neta.

Tiago esteve em Paris varias vezes no ano passado, Gabriel acaba de visitá-la e isto nos remeteu, seus avós, às nossas bodas de prata, ocorrida em 1993, que comemoramos visitando Paris, viagem da qual ainda guardamos as fotos que agora publico tentando ordenar de alguma forma o que vimos e sentimos.

Há cidades que visitamos. E há cidades que já habitamos antes de chegar. Paris é do segundo tipo.

Quando o avião pousa no aeroporto Charles de Gaulle e o táxi, no nosso caso acho que foi ônibus ou algum tipo de transporte publico, entra na cidade pela primeira vez, algo estranho acontece — a sensação não é de descoberta mas de reconhecimento. As calçadas largas, os cafés com cadeiras viradas para a rua, a Torre Eiffel aparecendo inesperadamente entre prédios — tudo parece familiar. Como se já tivéssemos estado lá antes.

E de certa forma estivemos.

O metrô é uma agradável surpresa pela facilidade de atingir todos os pontos que importam de forma rápida, econômica e fácil de entender.
Os pontos turísticos, que vou apresentar mais na sequência, superam nossas expectativas. Aliás, tudo supera nossas expectativas.


A cidade que o cinema construiu

Paris foi filmada mais do que qualquer outra cidade da história. Não porque seja mais bonita que Roma ou mais dramática que Nova York — mas porque algo na sua luz, cidade luz como é conhecida, na sua escala humana, nos seus boulevards deliberadamente projetados para serem percorridos e vistos, convidou gerações de cineastas a construir ali os seus sonhos.

Gene Kelly dançou pelos seus jardins em  An American in Paris  em 1951. Audrey Hepburn atravessou as suas ruas com elegância impossível em Funny Face (Cinderela em Paris) e Charade. Audrey Tautou transformou Montmartre num bairro de magia quotidiana em Amélie.

O melhor filme sobre o que estamos conversando iria ainda ser criado muito depois que lá estivemos em 1993, que foi o filme de Woody Allen, Midnight in Paris, Meia Noite em Paris.

Cada filme adicionou uma camada ao imaginário. Cada camada tornou Paris mais Paris — não a cidade real mas a cidade que carregamos dentro de nós como promessa de que a beleza, o amor e a transformação são possíveis.

Quando um casal vai a Paris celebrar bodas de prata ou de ouro, ou para simplesmente namorar, como Tiago e Gabriel, não vai apenas a uma cidade europeia bonita. Vai à cidade que o cinema e a literatura construiu na imaginação das pessoas ao longo de décadas. E a cidade, que há muito aprendeu a ser o que a cultura disse que era, confirma a promessa.


Woody Allen e o momento da síntese

Em 2011, com 75 anos e um século de imaginário parisiense absorvido, Woody Allen fez algo que nenhum outro diretor havia conseguido — fez um filme sobre o imaginário de Paris sabendo que era um imaginário, sem por isso destruí-lo.

Midnight in Paris começa com cinco minutos sem diálogo — Paris ao amanhecer, à chuva, ao entardecer, à noite. Sem personagens, sem história, sem palavras. Apenas a cidade em toda a sua beleza deliberada. Allen está dizendo ao espectador antes de qualquer palavra ser proferida: vou mostrar-vos a cidade que todos carregais dentro de vós.

O protagonista Gil, interpretado por Owen Wilson, é um escritor americano que ama Paris com a intensidade de quem a conheceu primeiro pelos livros — Hemingway, Fitzgerald, Gertrude Stein. À meia-noite, magicamente, é transportado para o Paris de 1920 e encontra exatamente quem esperava encontrar. Hemingway fala como Hemingway escrevia. Fitzgerald é simultaneamente brilhante e frágil. Gertrude Stein recebe artistas no seu salão com autoridade serena.

Senti falta de uma elaboração semelhante para James Joyce… Mas entendo porque Woody Allen se esquivou: James Joyce é uma “pedreira” que não tem nada com a leveza e o que Paris sugere e vamos deixar para lá…

O filme de Woody Allen é absurdo. É impossível. E é completamente verdadeiro — porque é exatamente assim que esses personagens vivem na imaginação de qualquer pessoa que os leu.

O argumento filosófico escondido numa comédia romântica

O que torna Midnight in Paris genuinamente extraordinário não é o romance nem a magia nem Owen Wilson a vaguear pelas ruas iluminadas. É o argumento que Allen esconde dentro da leveza.

Adriana, a amante de Picasso que Gil encontra no passado, não sonha com os anos 1920 — sonha com a Belle Époque dos anos 1890. Quando os dois são magicamente transportados para esse período ainda mais recuado, os personagens da Belle Époque sonham com o Renascimento.

Allen está dizendo algo preciso e perturbador — a nostalgia não é uma fraqueza individual nem uma patologia. É a condição humana universal. Toda época olha para trás para uma idade de ouro que também olhava para trás para outra. O paraíso está sempre no passado — e o passado está sempre a recuar.

Como uma boneca matrioska..

E acrescento: e nossa recordação sempre vai ser construída como desejaríamos e imaginamos o que era e não como a realidade contaria, se não estivéssemos embebidos do espírito que analisamos aqui.

Gil percebe isso — e a percepção liberta-o. Não porque a nostalgia desapareça mas porque ele percebe que viver permanentemente nela é uma forma de não viver de todo. Paris de 1920 era extraordinária. Mas as pessoas que a habitavam estavam vivas — com problemas reais, amores difíceis, trabalho duro, incerteza sobre o futuro. A magia era a vida que estavam a viver, não a época em que a viviam.

Por que Allen acertou em cheio

Outros diretores filmaram Paris com amor mas sem distância. Allen filmou-a com amor e com distância — e essa combinação é o que faz o filme durar.

Um diretor mais jovem teria feito uma celebração ingénua ou uma desconstrução talvez cínica. Allen fez as duas coisas simultaneamente — celebrou o mito sabendo que é um mito, e mostrou que essa consciência não diminui a beleza, antes a aprofunda.

Porque no fundo é isso que Paris oferece — não a ilusão de que o passado foi melhor, mas a permissão para habitar plenamente o presente com a intensidade de quem sabe que este momento também passará e também será lembrado com nostalgia.

O casal que vai a Paris celebrar cinquenta anos juntos não está a fugir para o passado, como também qualquer casal. Está fazendo o que Gil finalmente aprende a fazer — estar completamente presente num lugar que a cultura tornou sagrado, sabendo que a sacralidade é uma construção, e escolhendo habitá-la na mesma.

Paris existe porque a imaginamos. E porque a imaginamos com suficiente consistência durante suficiente tempo — existe de verdade.
Woody Allen percebeu isso com a clareza que só os 75 anos e uma vida inteira de amor pela cultura permitem.
E fez um filme à altura dessa percepção.
Nós, seus avós, percebemos isto aos 25 anos de casados e confirmamos de volta para o futuro o que Woody Allen genialmente percebeu.

“If you are lucky enough to have lived in Paris as a young man, then wherever you go for the rest of your life, it stays with you, for Paris is a moveable feast.” — Ernest Hemingway

“”Se você tiver a sorte de ter vivido em Paris quando jovem, então, para onde quer que você vá pelo resto da vida, ela permanecerá com você, pois Paris é uma festa que se leva para qualquer lugar.”

Woody Allen percebeu que não é preciso ter vivido em Paris em jovem. Basta tê-la imaginado suficientemente bem. Ou tê-la visitado, você entende logo de cara porque ela exerce este fascínio, esta atração e porque está no imaginário das pessoas.

Nossa Viagem

Hotel Primavera

Vista do quarto

Passeando

“APOLIS BAR”

Metrô

Monumentos

Versailles

Lido

Prefeitura de Versailles

Notre Dame de Paris

Torre Eifel

Musée d’Orsay

Ele é mundialmente famoso por abrigar a maior coleção de obras impressionistas e pós-impressionistas do mundo. 

🎨 O que ver (Destaques)

A coleção foca na arte francesa produzida entre 1848 e 1914. Os principais destaques incluem: 

  • Claude MonetO Jardim do Artista em Giverny e a série da Catedral de Rouen.
  • Vincent van GoghA Noite Estrelada sobre o Ródano e seus famosos autorretratos.
  • Pierre-Auguste RenoirO Baile no Moulin de la Galette.
  • Édouard ManetAlmoço na Relva (Le Déjeuner sur l’herbe) e Olympia.
  • Edgar Degas: Suas icônicas esculturas e pinturas de bailarinas, como a Pequena Bailarina de Catorze Anos. 7

🏛️ O Edifício Histórico

O museu é tão famoso por sua arquitetura quanto por sua arte. Ele está instalado na antiga Gare d’Orsay, uma estação de trem monumental inaugurada para a Exposição Universal de 1900. 

  • Dica: Não deixe de ver os relógios gigantes da estação; através deles, você tem uma vista privilegiada do Rio Sena em direção ao Louvr

Monet – Jardim do artista
Thatched Cottages at CordevilleCasas de palha em Cordeville

Van Gogh – Noite estralada do Rodano
Pierre-Auguste RenoirO Baile no Moulin de la Galett
Olympia
Olympia.
Dejeuner sur l’herbe – Monet

Emile-Auguste Carolus-Duran – Le Convalescent – Wounded man

Edgar Degas: Ballerina

Musée du Louvre

Quando estivemos em Paris, fomos auxiliados pela irmã do Gilberto, da Elô, que não me lembro se ela fez mestrado ou o marido doutorado, em alguma universidade em Paris, mas tinha morado lá e conhecia bem a cidade. Ela orientou o Gilberto e a Elô quando estiveram lá e o Gilberto me passou a orientação, quanto ao Hotel, Metrô, pontos turísticos. Como estávamos com falta de tempo, privilegiamos o Musée D’Orsay porque o Louvre demandaria muito mais tempo. Mesmo assim, fomos ao Louvre, vimos a Pirâmide de vidro, que, aliás tinha acabado de ser instalada, vimos a Mona Lisa e a maior pintura do mundo, mas não tiramos nenhuma foto.
Como estamos dedicando este site aos nossos filhos e netos, vou elaborar um pouco sobre o Louvre e como fazer com pouco tempo, e aqui vai a sugestão:

Musée du Louvre, em Paris, é o maior e mais visitado museu de arte do mundo. Ele abriga mais de 35 mil obras em um espaço de 60 mil metros quadrados. Originalmente uma fortaleza medieval de 1190, serviu como palácio real por séculos antes de se tornar um museu público em 1793, durante a Revolução Francesa.

Obras Imperdíveis (Masterpieces)

  • Mona Lisa (Leonardo da Vinci): Ala Denon, Sala 711.
  • As Bodas de Caná (Paolo Veronese): A maior pintura do museu, localizada bem em frente à Mona Lisa.
  • Vênus de Milo: Escultura grega antiga na Ala Sully, Sala 345.
  • Vitória de Samotrácia: Escultura helenística no topo da Escadaria Daru.
  • Código de Hamurábi: Um dos conjuntos de leis escritas mais antigos do mundo.
  • Apartamentos de Napoleão III: Decoração opulenta do século XIX na Ala Richelieu.

Aqui está um roteiro eficiente de 3 horas focado nas obras mais icônicas, começando pela entrada da Pirâmide ou Carrousel:

Hora 1: A Ala Denon (As Estrelas do Louvre)

  • A Vitória de Samotrácia: Suba a grande Escadaria Daru. Esta estátua de mármore de uma deusa alada é um dos marcos do museu.
  • Mona Lisa (Sala 711): Siga o fluxo (e as placas) para o Grande Galeria. Prepare-se para a multidão; a pintura é protegida por vidro e fica a uma certa distância.
  • As Bodas de Caná: Não esqueça de virar as costas para a Mona Lisa; a maior pintura do Louvre está logo atrás de você, cobrindo uma parede inteira.
  • Pintura Francesa: Ao sair da sala da Mona Lisa, veja A Coroação de Napoleão e A Liberdade Guiando o Povo nas salas vermelhas adjacentes.

Hora 2: A Ala Sully (Antiguidade e História)

  • Vênus de Milo (Sala 345): Desça em direção à Ala Sully para ver a estátua grega mais famosa do mundo, conhecida por sua perfeição e braços ausentes.
  • Louvre Medieval: Desça ao subsolo para caminhar pelo antigo fosso da fortaleza original do século XII. É a parte mais “Castelo” do museu.
  • A Esfinge de Tânis: No caminho para as antiguidades egípcias, você encontrará esta enorme esfinge de granito.

Hora 3: A Ala Richelieu (Luz e Luxo)

  • Código de Hamurábi (Sala 227): Uma coluna de basalto negro com um dos códigos de leis mais antigos da humanidade.
  • Pátio Marly e Pátio Khorsabad: Áreas cobertas por tetos de vidro com luz natural incrível, cheias de esculturas monumentais francesas e touros alados da Mesopotâmia.
  • Apartamentos de Napoleão III: Termine o tour vendo o luxo extremo do Segundo Império Francês, com candelabros gigantes e veludo vermelho.

New York

Chartres

Genebra

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