Midrash

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Tenho um problema aqui, pois, o Midrash não pode ser separado do Esoterismo, especialmente da Cabala Judaica e, da qual, o Tarot se apropriou da simbologia para suas práticas.

Tenho aversão a tudo isto, porque me parece principalmente fruto da ignorância e superstição e também me parece que é o pior tipo de mentira que existe, pois é uma meia verdade, onde a verdade é mais necessária que nunca, especialmente para metafísica e percepção da realidade.

A meia verdade é que talvez seja a metade da maior verdade a que aspiramos saber, que se refere à metafísica e sua forma antiga que é o esoterismo, que abre imensa luz para o que está em jogo o que vai para entender, especialmente a percepção da realidade.

 Embora eu tenha sido um pouco severo, é preciso entender a Árvore da Vida da Cabala Judaica, e, essencialmente acho que o que eu coloquei lá deve estar presente quando tudo isto for considerado.

Fato da Vida é que Arvore da Vida, Cabala, sai de Gênesis 2:9 e Midrash de Gênesis 1:26:

Gênesis 1:26

“Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança” e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra.

Gênesis 2:9

Iahweh Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer, e a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

Como aqui a questão é o Midrash, vejamos antes a palavra oficial dos judeus sobre isto:

Ciência, Verdade e Torá

Midrash explicado por um doutor em teologia judeu

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Além de Emet (Verdade), Chesed (Misericórdia/Amor compassivo), Tzedek (Justiça) e Shalom (Paz/Harmonia), a tradição judaica ensina que a imagem e semelhança de Deus (tzelem Elohim) inclui outros atributos essenciais, igualmente profundos, que foram “instalados” no ser humano como potenciais a serem desenvolvidos.


✔️ 1. A ideia central: a imagem divina como “conjunto de atributos”

A teologia judaica clássica rejeita a ideia de que “imagem de Deus” seja aparência física.
Ela afirma que fomos criados com qualidades ou capacidades que refletem aspectos do Criador.

Os quatro atributos do Salmo 85:11 — Emet, Chesed, Tzedek, Shalom — aparecem frequentemente como um “quarteto fundamental”.

Emet (Verdade), Chesed (Bondade), Tzedek (Justiça/Retidão) e Shalom (Paz) são conceitos hebraicos centrais no judaísmo, frequentemente discutidos em conjunto, especialmente no Salmo 85:11, que fala do encontro da Bondade e da Verdade, e do beijo da Justiça com a Paz, representando uma visão de harmonia divina e interação humana ideal. As histórias midráshicas personificam esses termos como atributos divinos, discutindo como eles interagem quando Deus considerou a criação da humanidade, destacando seus papéis essenciais na construção de um mundo justo e pacífico.

Significados dos termos:

Emet (אֱמֶת): Verdade, fidelidade, realidade.
Chesed (חֶסֶד): Bondade, misericórdia, compaixão, lealdade.
Tzedek (צֶדֶק): Justiça, retidão, equidade, integridade.
Shalom (שָׁלוֹם): Paz, plenitude, completude, tranquilidade.

Conceito judaico fundamental: Salmo 85:11

A frase “Chesed ve’Emet nifgashu, Tzedek v’Shalom nashaku” (Bondade e Verdade se encontram; Justiça e Paz se abraçam) é central para a compreensão conjunta desses termos.

Ela sugere que, quando a bondade e a verdade se entrelaçam, elas dão origem a um mundo onde a justiça e a paz florescem.

Interpretação midráshica (Gênesis Rabbah):

Em alguns ensinamentos judaicos, esses quatro atributos aparecem como mensageiros ou qualidades divinas que debatem a decisão de Deus de criar os seres humanos, mostrando sua importância fundamental na criação e no esforço humano.
Chesed e Tzedek relacionam-se às ações humanas, enquanto Emet e Shalom abordam a essência, com diferentes pontos de vista sobre se a humanidade, propensa a conflitos (falta de Shalom), deveria ter sido criada.
Juntas, essas palavras representam uma estrutura espiritual e ética profunda para viver uma vida de integridade, compaixão e justiça, buscando a verdadeira paz e plenitude no mundo.
O Midrash, o Talmud e a literatura medieval (especialmente Maimônides) expandem isso para um conjunto bem maior de atributos e características.


✔️ 2. Outros atributos tradicionais da Imago Dei

(A) Binah — Entendimento / Capacidade de discernir

A habilidade de distinguir, analisar, comparar, refletir, interpretar símbolos.
No judaísmo é vista como uma centelha divina.

“Deus insuflou no homem o fôlego de vida — e ele se tornou um ser falante.”
(Gn 2:7 — interpretação rabínica: ser falante = ser pensante)

Linguagem e razão são consideradas atributos divinos.

Binah (ou Biná) é a terceira das dez Sefirot (emanações divinas) na Cabalá, representando o Entendimento, a Capacidade de Discernir, a Análise e a Concretização, atuando como a “Grande Mãe” que forma e limita a força infinita de Chokmah (Sabedoria), permitindo a manifestação do universo e das ideias. É a percepção profunda, a intuição, a análise de situações para julgamento, e a responsável por dar forma e estrutura. 

Características e Significado:

  • Entendimento (Compreensão): Capacidade de compreender profundamente, analisar e julgar.
  • Discernimento: Percepção para distinguir, perceber tempos, intenções e propósitos.
  • Formação: Contrasta a força infinita de Chokmah, impondo limites para criar forma e permitir a vida.
  • Mãe (Amma): Conhecida como a “Grande Mãe” por incubar e dar forma à força criativa.
  • Intuição: Associada à confiança na compreensão interior e nos sinais. 

Binah é onde a sabedoria abstrata (Chokmah) se torna compreensível, analisável e concreta, sendo a fonte do discernimento, da intuição e da capacidade de dar forma às coisas, essencial para o desenvolvimento e a manifestação no mundo. 


(B) Da’at — Consciência moral / Conhecimento relacional

Não é “saber coisas”, mas saber-se responsável.

O Midrash diz que o homem foi criado à imagem de Deus porque: “Assim como Deus distingue entre bem e mal, também o homem pode escolher.”

Isso também fundamenta livre arbítrio (bechirah chofshit).

Da’at (conhecimento, saber) na Cabala e em outras tradições, quando associado à consciência moral ou conhecimento relacional, refere-se ao saber prático, intuitivo e experiencial que vai além do conhecimento puramente intelectual (Chokhmah/Sophia) ou da compreensão lógica, revelando a essência das coisas e a conexão com o bem e o mal através da relação com o outro e com o Divino, guiando a ação ética e a sabedoria de viver em harmonia, um “saber de coração” fundamental para a construção do caráter e da retidão. 


Da’at como Conhecimento Relacional e Moral

  1. Conhecimento Experiencial (vs. Teórico): Enquanto outros níveis de conhecimento focam no “saber o quê”, Da’at é o “saber como” viver, um conhecimento que surge da experiência e da relação, revelando o verdadeiro significado e valor das coisas, especialmente no campo moral e ético.
  2. Consciência Moral: É a voz interna que julga as ações, um “saber” intuitivo do bem e do mal que guia o indivíduo, permitindo-lhe assumir responsabilidade por suas escolhas, baseando-se na conexão com o outro e com os valores.
  3. Mediação entre o Intelecto e a Ação: Da’at é o ponto onde a compreensão teórica (intelecto) se encontra com o sentimento e a vontade, transformando-se em sabedoria prática para agir corretamente e construir um projeto de vida ético.
  4. Conhecimento do “Eu” e do Outro: Implica conhecer a si mesmo e aos outros em um nível profundo, fundamental para a construção de relações saudáveis e justas, baseadas no respeito mútuo e na verdade.
  5. A Voz Divina no Íntimo: Em uma perspectiva mais espiritual, Da’at é onde a lei divina ressoa, permitindo ao indivíduo “conhecer” o caminho para o bem, guiado por Deus, como parte de sua imagem e semelhança. 

Da’at não é apenas saber, mas um saber que se sente, se vive e se relaciona, sendo a base para a consciência moral e a capacidade de agir de forma ética e plena na vida. 


(C) Rachamim — Compaixão visceral (mais profunda que Chesed)

Chesed é amor compassivo ativo.
Rachamim vem de rechem = útero.
É compaixão instintiva, fibra materna, visceral.

É atributo divino explícito, repetido no Êxodo 34:6.

No ser humano, significa: capacidade de sofrer com o outro.

Rachamim (רַחֲמִים) é uma palavra hebraica que significa misericórdia e compaixão profunda, derivada da raiz rechem (útero), evocando um amor visceral e protetor, como o de uma mãe por seu filho, sendo a base para o amor incondicional e a restauração. 

Pontos-chave:

  • Origem: Vem de rechem, que significa útero ou colo materno, simbolizando um amor que nutre, acolhe e gera vida.
  • Significado Profundo: Não é apenas perdão, mas um amor que vem das entranhas, uma compaixão que defende o bem e protege o vulnerável, mesmo em momentos de desespero.
  • Uso Bíblico: É a palavra hebraica mais usada para descrever a Misericórdia Divina no Antigo Testamento, representando a ternura e o cuidado de Deus.
  • Conexão Familiar: Também pode se referir aos laços familiares e à conexão entre pais e filhos, amor e proteção inerentes a essa relação. 

Rachamim é a personificação do amor mais profundo e incondicional, uma força que acolhe, sustenta e restaura. 


(D) Netinat Lev — Capacidade de arrependimento e retorno (Teshuvá)

O Talmud afirma: “A teshuvá foi criada antes do mundo.”

Isso significa que o ser humano só existe plenamente porque é capaz de recomeçar.

Nenhum animal tem esse tipo de autorrevisão moral.

Teshuvá (תשובה), em hebraico, significa literalmente “retorno”, e no contexto judaico, refere-se a um profundo processo de arrependimento, autotransformação e retorno ao caminho de Deus ou à retidão, indo além do simples remorso para incluir mudança de comportamento e reconciliação. É um conceito central no judaísmo, especialmente durante os Dez Dias de Teshuvá (entre Rosh Hashaná e Yom Kippur), simbolizando a oportunidade de corrigir erros e restaurar a alma, sendo um retorno de todo o coração ao propósito divino. 

Principais aspectos da Teshuvá:

  • Retorno: A ideia central é voltar para um estado de pureza ou para Deus, de onde a pessoa se desviou. 
  • Arrependimento: Envolve reconhecer o erro, sentir pesar, confessar (diante de Deus) e, crucialmente, mudar o comportamento. 
  • Autotransformação: O objetivo é uma mudança ética e espiritual duradoura, não apenas um sentimento passageiro de culpa. 
  • Prática: Implica em atos concretos de correção, buscando a justiça e a retidão, e pode envolver reconciliação com o próximo. 
  • Baal Teshuvá: Aquele que faz teshuvá é chamado de baal teshuvá, que significa “mestre do retorno”, descrevendo alguém que, por experiência, alcança um nível mais profundo de comprometimento. 

Teshuvá é um convite para um retorno completo e sincero, uma jornada de renovação espiritual e ética, fundamental na tradição judaica. 


(E) Yetzirah — Criatividade

Deus cria o mundo — o homem cria cultura.

O Midrash diz: “Tudo o que Deus criou, deixou incompleto para que o homem completasse.”

A criatividade é vista como co-participação na obra divina.

Yetzirah (יְצִירָה) em hebraico significa “Formação” ou “Criação”, referindo-se ao processo de dar forma à matéria primordial, sendo um dos Quatro Mundos na Cabala (Olam Yetzirah), o reino das emoções e da formação de anjos e almas, e também o nome do antigo e enigmático texto místico judeu, o Sefer Yetzirah (Livro da Formação), que descreve a criação do universo através das letras do alfabeto hebraico e das sefirot. 

Em Contexto:

  • Os Quatro Mundos (Cabala): Yetzirah é o terceiro mundo, vindo depois de Beriah (Criação) e antes de Assiah (Ação), onde o que foi criado em níveis superiores ganha corpo e forma, predominando as emoções (sefirot de Hesed a Yesod). 
  • Sefer Yetzirah (Livro da Formação): Um texto esotérico fundamental que detalha como Deus criou o cosmos usando as 22 letras hebraicas e as 10 sefirot (números/princípios), sendo um guia para a meditação e para entender os segredos da criação. 
  • Significado Literal: A palavra também pode se referir a qualquer objeto criado ou à própria ação de criar (como uma obra de arte), destacando a ideia de moldar e dar estrutura. 

Em resumo, Yetzirah é um conceito central no misticismo judaico ligado à formação, estrutura, emoção e o processo de manifestação do divino no universo, tanto no nível cosmológico (os Mundos) quanto no textual (o Sefer Yetzirah). 

Deram origem aos quatro elementos clássicos da Filosofia Ocidental: Água, Fogo,Terra e Ar


(F) Kedushá — Capacidade de santificar o tempo e a ação

Deus santifica o sétimo dia — o homem santifica através de rituais, ética, cuidado.

A pergunta rabínica clássica é: “Como o humano, que é limitado, pode criar santidade?”

Resposta: “Porque Deus deu ao homem parte de sua própria capacidade de consagrar.”

Kedusha (קדושה) significa santidade, separação ou consagração no judaísmo, um conceito central que se refere à dedicação a Deus e à elevação acima do mundano, aparecendo tanto como um conceito (a ideia de ser santo) quanto como uma oração (a recitação de versículos sobre a santidade de Deus) durante os serviços religiosos, especialmente na Amidá, simbolizando a união do povo com os louvores angélicos:

  • Ser Separado para Deus: Significa estar distinto do comum, consagrado a Deus, não apenas estar separado, mas separado para um propósito divino, sendo o “totalmente outro”.
  • Elevação: A ideia de elevar-se a um nível mais elevado espiritualmente, usando a mente e o pensamento de uma forma divina.
  • Origem: Deriva da raiz hebraica kadosh (santo), presente na Torá, como em “Sereis santos, pois eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Levítico 19:2).

A Oração Kedushah:

  • Oração Angélica: É uma oração especial recitada quando há um minyan (quorum de 10 adultos), contendo os mesmos versículos que os anjos cantam a Deus (Isaías 6:3 e Ezequiel 3:12). 
  • Significado: Fortalece a conexão entre a oração humana e o louvor celestial, transformando o serviço de oração em um ato de santificação. 
  • Prática: Ao recitar “Santo, Santo, Santo”, os fiéis ficam nas pontas dos pés, simbolizando a aspiração e a elevação, imitando os anjos. 

Diferença de termos: 

  • Não confundir com Kiddush (bênção sobre o vinho no Shabat/festas) ou Kaddish (oração pelos mortos).

Em resumo, Kedusha é a busca pela santidade, separação e dedicação a Deus, expressa tanto em um conceito de vida quanto em orações específicas que celebram a majestade divina. 


(G) Achrayut — Responsabilidade / Cuidado

Deriva de acher (o outro).

O homem é criado à imagem de Deus porque:

“Como Deus sustenta o mundo, o homem sustenta seu próximo.”

“Achrayut” geralmente é traduzido como “responsabilidade”, embora suas conotações sejam sutilmente diferentes. É amplamente utilizado em todo o mundo judaico.

Nas comunidades ortodoxas, “achrayus” é empregado coloquialmente como a responsabilidade religiosa que se tem de melhorar ou retificar uma determinada situação.

No hebraico moderno, “achrayut” é uma palavra muito usada em círculos políticos e militares, denotando a responsabilidade dos comandantes pelos sucessos e custos de suas decisões.


(H) Tiferet — Harmonia entre opostos

Na Cabala, Deus é a unidade que integra forças antagônicas.

O homem, criado à sua imagem, é chamado a:

  • equilibrar razão e emoção,
  • justiça e misericórdia,
  • verdade e paz,
  • coragem e humildade.

Tiferet (ou Tiphareth), na Cabala, significa “Beleza” e representa o ponto de equilíbrio e harmonia na Árvore da Vida, fundindo opostos como a bondade (Chesed) e a disciplina (Gevurah) para criar compaixão, beleza e a verdadeira imagem de Deus no homem, sendo associada ao Sol e ao autoconhecimento. É a sephirah que reflete a glória divina de forma compreensível e o centro da experiência espiritual humana.  

Principais Significados e Conceitos:

  • Beleza e Harmonia: Sua tradução literal é beleza, representando a harmonia resultante da união de forças opostas. 
  • Equilíbrio: Combina Chesed (amor/benevolência) e Gevurah (força/severidade) para que a Luz Divina possa ser recebida sem sobrecarregar os seres criados, criando misericórdia e compaixão. 
  • Centro: Ocupa o centro da Árvore da Vida, atuando como um espelho do todo e um ponto de conexão entre as sefirot superiores e inferiores. 
  • Autoconhecimento: No ser humano, está ligada à clareza, autoconfiança, e à percepção de si mesmo em equilíbrio, sendo um caminho para o autoconhecimento e a iluminação. 
  • Correspondências: Simbolizada pelo Sol (doador de vida e luz) e pela letra hebraica Shin (ש). 

Tiferet é onde a energia divina, amorosa e restritiva se fundem para criar uma realidade bela e sustentável, manifestando a glória de Deus de forma acessível e refletindo o “Eu” mais elevado do indivíduo, que é um microcosmo do universo. 

Tiferet (ou Tiphareth), na Cabala, significa “Beleza” e representa o ponto de equilíbrio e harmonia na Árvore da Vida, fundindo opostos como a bondade (Chesed) e a disciplina (Gevurah) para criar compaixão, beleza e a verdadeira imagem de Deus no homem, sendo associada ao Sol e ao autoconhecimento. É a sephirah que reflete a glória divina de forma compreensível e o centro da experiência espiritual humana.  

Principais Significados e Conceitos:

  • Beleza e Harmonia: Sua tradução literal é beleza, representando a harmonia resultante da união de forças opostas. 
  • Equilíbrio: Combina Chesed (amor/benevolência) e Gevurah (força/severidade) para que a Luz Divina possa ser recebida sem sobrecarregar os seres criados, criando misericórdia e compaixão. 
  • Centro: Ocupa o centro da Árvore da Vida, atuando como um espelho do todo e um ponto de conexão entre as sefirot superiores e inferiores. 
  • Autoconhecimento: No ser humano, está ligada à clareza, autoconfiança, e à percepção de si mesmo em equilíbrio, sendo um caminho para o autoconhecimento e a iluminação. 
  • Correspondências: Simbolizada pelo Sol (doador de vida e luz) e pela letra hebraica Shin (ש). 

Em Essência:

Tiferet é onde a energia divina, amorosa e restritiva se fundem para criar uma realidade bela e sustentável, manifestando a glória de Deus de forma acessível e refletindo o “Eu” mais elevado do indivíduo, que é um microcosmo do universo. 


✔️ 3. A Imago Dei possui um conjunto mais amplo

Além dos quatro atributos do Salmo 85:11, a tradição judaica reconhece que a imagem e semelhança de Deus inclui:

AtributoDescrição
EmetVerdade / retidão
ChesedAmor compassivo ativo
TzedekJustiça, responsabilidade
ShalomPaz, harmonia
BinahEntendimento, discernimento
Da’atConsciência moral
RachamimCompaixão profunda
YetzirahCriatividade
KedusháCapacidade de santificar
TeshuváRetorno, recomeço
AchrayutResponsabilidade pelo outro
TiferetIntegração de opostos

Esses atributos formam a visão judaica daquilo que faz o humano ser humano.

Como isto é passado na prática

Extraio de “Vestindo o corpo moral” do Rabino Nilton Bonder: Verdade e suas vestimentas

No texto de Gênesis, Deus diz: “Façamos então O homem!” (Gen 1:26). O Midrash especula sobre essa forma plural  – “Façamos”-, interrogando-se sobre os interlocutores com quem estana Deus comentando ou se aconselhando nessa fala. Uma das explicações é que Deus estaria argumentando com os Atributos da Criação.

Rabi Shimon disse: “Quando o Criador decidiu criar o ser humano, os anjos formaram duas facções: uma dizendo ‘Sim que seja criado!’ e outra dizendo ‘Não, que não seja criado!’. Por isso está escrito (Salmos 85:11): ‘A Misericórdia e a Verdade se debateram; a Justi􀁢a e a Paz se beijaram.’ A Compaixão disse: ‘Que o humano seja criado porque disseminará atos de compaixão!’; A Verdade disse: ‘Que não seja criado porque ele será um amontoado de falsidades!’; A Justiça disse: ‘Que seja criado porque será capaz de discernir com retidão!’; A Paz disse: ‘Que nao seja criado porque proliferará a discórdia!’

Com esta situação de indecisão, o que fez O Criador? O Criador tomou a Verdade e a derrubou no chão. Os anjos ficaram atordoados: ‘Soberano do Universo, por que desprezas aquela que é o Teu Selo e Tua Chancela?’
Deus respondeu: ‘Deixe que a verdade se eleve desde o chão!’ Como está escrito (Salmo 85: 12): ‘A verdade brotará da terra e a justiça olhará desde os céus.”‘ (Midrash Raba, Gênesis, 8:5)

Nessa exegese da criação do ser humano, a consciência é uma faculdade que tem como custo a Verdade. As características da consciência são rejeitadas tanto pela Verdade quanto pela Paz porque as antagonizam. O ônus para a criação da consciência é a abdicação da Verdade. A Paz permanece, mas sem sua força-casal com a Verdade, ela sempre se fará temporária. Não haverá Paz permanente enquanto a Verdade não for resgatada e reinstalada brotando do chão e saindo do exílio a que foi submetida.

O predicado maior da consciência é o discernimento. Ele permite tanto as argumentações que estabelecem a justiça quanto as identificações que instituem as empatias e as compaixões. Esses atributos da Justiça e da Compaixão saem privilegiados com a criação da espécie consciente. No entanto, essa mesma consciência só pode existir vestindo, cobrindo a verdade. Pelo fato de o Eu, em essência, não existir, a verdade ofuscaria a possibilidade da imaginação e das imagens que a constituem. Sem imagens não é possível ver a si próprio porque não existe um “si próprio”. A morte, que é o desfazer de todas estas composições de imagens, e por essa razão denominada na tradição judaica de emet, a verdade.
Quando a verdade brota do chão, nossa presença fica ameaçada. Mais do que isso, a frase do Salmo “Emet Me-arets Titsmach” (A verdade da terra brotará!) forma com suas iniciais a palavra emet. Talvez não seja coincidência o fato de que é o mesmo chão que engole o nosso corpo, e a partir daí reencontramos a verdade em toda a sua nudez. Só  a morte terá a capacidade de restaurar em plenitude a Verdade.
O Maguid de Dubnov, um dos grandes contadores de histórias da tradição chassídica, assim apresenta a questão da Verdade:

Uma das “Vestimentas” da Verdade

Historia apresentada na peça “A alma imoral”, do mesmo autor, na qual uma mulher muito pobre procura um rabino para que avalie se a galinha que ela iria preparar para seus filhos estava dentro das normas dietéticas da tradição. Ela foi recebida pela mulher do rabino, que lhe pediu para aguardar enquanto consultava o marido. O rabino olhou a galinha e consultou seus livros, depois tornou a olhar para a galinha e a consultar os livros e por fim determinou que a galinha não atendia as normas da tradição. Entao a mulher do rabino foi até a senhora e lhe informou que a galinha estava em perfeiras condições para o consumo. O rabino, ouvindo o que a esposa dizia, veio ter com ela assim que a senhora partiu: ”Por que voce nao transmitiu a ela a verdade como eu lhe disse?” Respondeu a mulher de imediato: ”Porque voce olhou para a galinha e olhou para os livros, olhou para os livros e olhou para a galinha e disse que não estava em condições! Ja eu, olhei para a galinha e olhei para mulher, olhei para a mulher e olhei para a galinha e disse que estava de acordo!”

Existe uma variação desta história onde o Rabino percebendo a sistuação e vendo que a galinha é inadequada, pede ao filho que vá ao mercado e compre uma galionha que atende as condições e a substitue sem que a mulher perceba.

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