Visão de mundo, percepção da realidade e quimioterapia com a ajuda do Chat GPT 5, Gemini e Claude

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 / Roque E. de Campos / Editar

Este texto explora como a quimioterapia altera radicalmente nossa interação com a realidade e, com ela, nossa visão de mundo (Weltanschauung) alterando nossa filosofia, teologia e qualquer ciência que para nós geralmente refletem sobre o significado da vida, Deus e a existência, a partir de um “corpo padrão”, com sentidos intactos e percepção estável. A quimioterapia, ao distorcer ou silenciar o olfato, o paladar, as sensações corporais, os sentidos, enfim, e o próprio senso de pertencimento ao mundo, impõe uma perspectiva diferente: o mundo ainda está lá, a mente ainda está lúcida, mas não se “pertence” mais plenamente a esse mundo sensorial compartilhado. Não vivencio isso primordialmente com depressão ou sensação de perda, mas como uma oportunidade para questionar o que resta do significado, do plano de Deus e da própria existência quando os canais familiares são danificados. Em outras palavras: o que, se é que algo, permanece verdadeiro quando as interfaces falham?

I) Antes e Depois: “O Mundo que Eu Tinha” vs. “O Mundo que Eu Tenho Agora”

Utilizarei um formato de perguntas e respostas elaborado por mim com a ajuda do Chat GPT5, que, devido à sua característica de inteligência artificial, especialmente neste tipo de assunto, é algo que me agrada bastante.

Os sistemas de IA recebem limites que definem o que eles farão e o que não farão — isto é conhecido como “psycho fencing”, ou esgrima psicológica, que é a tentativa de cruzar esses limites por meio de pressão psicológica, enquadramento inteligente ou escalada gradual, mas também o inverso: lisonjear, seduzir e persuadir o usuário a aceitar o que a IA demonstra ou recusa — ​​ a verdade incômoda é que ainda não existe nenhum algoritmo que consiga diferenciar de forma confiável entre manipulação e um argumento genuinamente válido.

a) Antes da quimioterapia – o mundo do “corpo padrão”

Como você se sentiu em relação à comida, ao cheiro, ao toque, ao movimento, à fadiga e ao contato social?

Eles me fizeram sentir vivo.

Eu nunca fui um apreciador de comida e não me importava particularmente com gastronomia, com alguma exceção para vinho, porque minha realidade já era rica de outra forma: eu havia vivenciado, de forma bastante extensa, nos Estados Unidos, partes da França (dentro e fora de Paris), o Reino Unido, Portugal, a Alemanha, a Suíça, Argentina, Paraguay, Uruguay, Chile e, como ponto central, o Brasil, que considero imbatível em matéria de comida. Havia um detalhe importante: eu tinha dinheiro suficiente para pagar qualquer coisa, porque por trás de mim estava uma empresa muito rica, a IBM, que se orgulhava de se apresentar como uma empresa de “classe” para reforçar sua imagem. Na prática, isso significava acesso a hotéis, vôos e restaurantes de alto padrão – onde quer que o contexto corporativo se aplicasse. Meus sentidos estavam simplesmente imersos nessa maneira confortável e bem amparada de estar no mundo e no que é vagamente conhecido como “a boa vida”, sem que eu percebesse ou me importasse com isso.

O que significava “estar no mundo” em um dia normal?

Eu dava por garantido:

  • uma boa noite de sono,
  • um café da manhã adequado (continental, americano ou brasileiro),
  • um dia de trabalho, interrompido para o almoço, em qualquer formato que a situação permitisse, dependendo de onde eu estivesse.
  • a tarde dedicada a terminar o trabalho,
  • E depois, para casa: uma taça de vinho tranquila, um filme na TV ou as notícias depois de voltar da IBM Brasil, onde eu trabalhava, ou de qualquer outro lugar que a IBM precisasse de mim;
  • Depois da IBM, ocupei cargos onde isso acontecia, não com “dinheiro não é problema”, mas com dinheiro suficiente para viver de forma confortável, porque nunca me importei muito com essas características, muito pelo contrário, prefiro uma vida simples.
  • Por experiência própria, sei que num lugar que você chega de limousine, onde tudo é de aço inoxidável e vidro temperado, os móveis são caros, o concierge será pretensioso porque pensa que você é igual a ele e só está ali porque alguma empresa está pagando, pode ter certeza do seguinte:
  • Você será maltratado e comerá mal.
  • Você pagará um preço absurdo.
  • E dou como exemplo um Hilton em Nova York ou de Santiago do Chile, ou de qualquer lugar.
  • No entanto, se você chegar de transporte público, como fiz no Uruguay, para ter uma experiência, indo do aeroporto para o hotel de ônibus, destes ônibus ingleses de 1940, tocando Nat King Cole, o motorista me levou na porta do hotel quando viu quem eu era;
  • O local ainda não está totalmente pavimentado ou ainda não possui estradas asfaltadas e você vê galinhas circulando livremente, que não foi no Uruguay, mas no Paraguay e no Nordeste do Brasil;
  • O concierge virá correndo para ajudá-lo com sua bagagem.
  • O lugar todo estará desgastado e usado, e claramente carece de dinheiro, embora a manutenção o deixe impecável e bem organizado.
  • Você poderá ter certeza do seguinte:
  • Você será bem tratado(a),
  • Você comerá bem,
  • Você se divertirá, porque à noite às vezes haverá música tão boa quanto a da Broadway, como aconteceu comigo no Paraguai.
  • Você pagará barato e
  • Sairá de lá feliz, pensando em se mudar para o Paraguai, ou para o Nordeste, que cito como exemplo sem mencionar o nome do lugar específico. É simples, mas é fácil de encontrar: basta perguntar a qualquer pessoa que perceba que você não é do lugar ou estrangeiro e ela lhe explicará.

“Estar no mundo” significava continuidade e previsibilidade , sustentadas por um corpo saudável, uma vida profissional estável e os meios necessários para isso, fruto do meu trabalho ou das decisões econômicas e financeiras que eu tomava. Aliás, isso aconteceu durante a maior parte da minha vida adulta, especialmente quando construí minha carreira trabalhando para multinacionais, principalmente a IBM. Mas houveram momentos extremos que me deixaram sem chão, me fazendo lutar, sem saber como pagar as contas, porque meu estilo de vida era complicado e caro, e eu tinha que sustentar os estudos dos meus filhos sem trabalharem ou contribuirem financeiramente. Fiz isso como um dos principais objetivos da minha vida, porque experimentei o esforço que precisei fazer para suprir essa lacuna na minha educação e vencer a barreira da falta de diploma universitário.

Como você imaginava Deus, o significado, o futuro, dentro dessa estrutura sensorial?

Eu não O imaginava.

Durante minha fase ateia, já que de Deus eu não cogitava, me parecia estúpido sequer considerá-lo na equação. Se não existe, não tem como cogitar…

Havia um paradoxo, porém, que sempre senti, até este câncer, que “Alguém lá em cima gostava de mim”, porque, considerando minhas origens e meu nível de educação, para chegar onde cheguei, sei perfeitamente, especialmente agora, aos 82 anos, que fui privilegiado, tive muita sorte e muito menos problemas do que a maioria das pessoas, em qualquer lugar.

Quando a realidade bateu à porta – casamento, filhos, responsabilidades, obstáculos, acidentes que normalmente qualquer ser vivo experimenta – precisei dar um tempo para essa questão. Ia à missa, às vezes, participava de algumas atividades comunitárias, mas sem realmente integrar Deus ou o “sentido” da vida à minha perspectiva interior. Era uma espécie de trégua negociada: a vida seguia em frente e Deus estava ou não ali, o ambiente comunitário não cogita disto, nem eu cogitava.  

b) Após a quimioterapia – a interface alterada

O que mudou no olfato, paladar, conforto corporal, energia, sensação de presença ou distância das coisas e das pessoas?

Tudo mudou.

Comer tornou-se um problema não só pela perda de capacidade alimentar, mas também porque a quimioterapia causa repulsa por certos alimentos e bebidas – vinho e carne, por exemplo. Começa-se a temer a anorexia e a morte por inanição. Esse medo obrigou-me a comer racionalmente – a engolir a comida como um ato deliberado de sobrevivência – para não acabar como o meu irmão, que morreu com menos de metade do seu peso normal. Já perdi cerca de 20 quilos, aproximadamente 25% do meu peso quando tinha saúde.
Em cima disso, perda do tato na ponta dos dedos, derrubando e quebrando copos, xícaras e pires, dificuldade para fazer tudo com os dedos, que a gente só percebe como são básicos para tudo, desde abrir uma garrafa, até pendurar um quadro na parede.
De quebra, ainda, dificuldade para andar ou ficar de pé, perda do equilíbrio e andar como se fosse um velhinho, ou pior, meio bêbado.

Conforto corporal, energia, prazer básico na comida e na bebida – tudo isso foi substituído por uma espécie de negociação com o corpo , onde permanecer vivo é mais uma questão de argumentação do que de sensação e de quanta energia você tem para fazer o que lhe vem à mente.

Paradoxalmente, também, dentro dos limites como meu corpo se apresenta atualmente, sinto-me como se fosse saudável e capaz de fazer quase tudo o que quero.

Os lugares que você conhecia bem agora parecem mais planos, mais distantes ou estranhamente abstratos?

Não é que o mundo pareça mais plano ou abstrato. É que me pego observando pessoas saudáveis ​​– trabalhando, cuidando de suas famílias – e pensando:

“Eles não têm ideia do que significa estar vivo com um corpo saudável. Não conseguem imaginar o que se passa na mente de alguém quando esse acesso, tão natural para eles, é negado ou bloqueado.”

Portanto, a distância não está tanto entre mim e os lugares, mas entre mim e os meus semelhantes.

Quando você pensa em Deus ou no sentido da vida agora, o que é diferente no contexto emocional e sensorial?

Essa mudança não aconteceu “apenas por causa da quimioterapia”, mas a quimioterapia a intensificou.

Com o tempo, especialmente por meio da minha esposa – uma cristã católica devota com fé inabalável – e do seu círculo social (ao qual acabei me juntando, pelo menos parcialmente e, misteriosamente bem aceito), percebi que existe mais do que a minha compreensão limitada e tendenciosa, que antes me permitia perceber do que vejo agora. Cheguei a uma conclusão mais ou menos assim:

Deve haver um poder superior, não no sentido de um Deus pessoal que intervém nos detalhes do dia a dia, mas sim algo que depende inteiramente de você para tomar consciência disso e crescer na percepção dessa força.

Em outras palavras, o colapso da minha “interface corporal padrão” com o mundo não gerou desespero, mas me forçou a revisitar Deus e o sentido da vida a partir de uma posição na qual não pertenço mais completamente ao mundo sensorial ordinário – e isso, paradoxalmente, abriu um novo tipo de atenção. Mas isso me irrita profundamente, porque eu estava caminhando para um fim pacífico e frutífero do tempo que me resta.

II) Filosofia e Metafísica a partir de uma Interface Rompida

Grande parte do que chamamos de filosofia foi escrita a partir de um “corpo padrão”: sentidos basicamente intactos, um mundo que se apresenta de forma estável e um pensamento que duvida, raciocina ou acredita com base nesse pano de fundo relativamente confiável, especialmente porque seu aparato sensorial está saudável, e que é dado como certo.

Platão e Aristóteles falam sobre forma, causa e propósito. Descartes duvida dos sentidos em teoria, mas seu próprio corpo não é sabotado quimicamente. Mesmo a fenomenologia moderna (“ser-no-mundo”, “corpo vivido”) geralmente pressupõe um corpo cuja traição é gradual (envelhecimento) em vez de abrupta (quimioterapia, lesão neurológica). Isso é, o corpo continua sendo dado como certo.

Do ponto de vista em que me encontro agora, tudo isso me parece parcial.

Quando a quimioterapia interrompe ou distorce os canais dos sentidos, olfato, paladar, prazer corporal e energia, algo acontece que a filosofia raramente descreve de dentro para fora:

  •  mente permanece lúcida .
  •  mundo permanece lá ,
  • mas o contrato entre eles é alterado .

Já não me sinto totalmente integrado ao mundo da mesma forma que as pessoas saudáveis. Observo-as a movimentar-se, comer, fazer planos, queixar-se de pequenos desconfortos, e percebo o quanto a sua visão de mundo se baseia num corpo que coopera silenciosamente.

Isso cria uma tensão com a filosofia padrão, especialmente com o senso comum:

  • A epistemologia pergunta: “Podemos confiar em nossos sentidos?”, mas geralmente a partir de uma distância segura, como um jogo intelectual.
  • A metafísica pergunta: “O que é o ser?”, partindo do pressuposto de que o pensador ainda se mantém firmemente “no” ser através do seu corpo, e um dos problemas, senão o pior, disso é que o corpo, talvez com exceção de Nietzsche, não recebe a importância que merece nas respostas oferecidas.
  • A ética e a política pressupõem, em grande medida, um agente cujo  acesso básico ao mundo esteja intacto  e, para citar apenas um exemplo, Franklin Delano Roosevelt, o efeito de sua deficiência em seu destino, que ainda não foi devidamente analisado, talvez porque ele a tenha ocultado tão cuidadosamente ou não a tenha discutido abertamente, mas na sua percepção da realidade na sua visão de mundo, fez uma diferença enorme.
  • Hitler e o nazismo, personificavam a completa perda de sentido de tudo após a submissão dos alemães ao estúpido Tratado de Versailhes. Hitler representava o pensamento deles. Isso é analisado superficialmente em discussões como, por exemplo, “o ovo da serpente”, que aborda esse tema.
  • O filme de Ingmar Bergman de 1977,  O Ovo da Serpente,  é um drama histórico sombrio que explora As origens socioeconômicas e psicológicas do mal em Berlim, 1923.Ambientado durante uma semana de hiperinflação e colapso social, o filme funciona como uma “pré-história” do Holocausto, ilustrando como a fome, a miséria, o medo e a apatia em massa permitiram que o nazismo se enraizasse.

Minha situação exige uma perspectiva diferente:

O que significa “verdade” ou “realidade” para um indivíduo cuja mente está lúcida, mas cuja interação com o mundo está prejudicada?

Isso não é apenas “patologia”; é um ponto de vista legítimo. Não refuta Platão ou Aristóteles, mas mostra que o ponto de partida deles não é universal: é privilégio daqueles cujos corpos funcionam.

O mesmo se aplica à teologia :

  • A teologia cristã clássica frequentemente fala de sofrimento dentro de um mundo ainda compartilhado: você sente dor, mas ainda está “no” teatro humano da maneira usual.
  • Sobre o cristianismo, tenho um exemplo que pode soar como uma piada: quando Cristo foi aspergido com vinagre, eu rio por dentro porque, do alto da “minha cruz”, uma das poucas coisas que me dão prazer é tomar uma colherada, e se possível, um gole de vinagre.
  • A quimioterapia e condições semelhantes introduzem uma nuance mais radical: não apenas “eu sofro”, mas “estou sendo gradualmente  excluído  da plena participação neste mundo”.
  • E, como não foi uma invenção minha, não tem nenhum valor redentor.

Sei que frases sobre “ peregrinos na terra ” ou “ este mundo não é nosso verdadeiro lar ” tornam-se extremamente literais dependendo da perspectiva, especialmente para católicos convictos. Se Deus pretende ser mais do que uma história reconfortante, Ele precisa fazer algum sentido mesmo aqui , onde meu acesso ao mundo é limitado, não apenas nas fases iniciais e confortáveis ​​da vida.

A partir disso, muitos sistemas de pensamento respeitáveis ​​que parecem intelectual e tecnicamente brilhantes, mas  biograficamente limitados . Eles não mentem, mas omitem, não sabem do que estão falando, nem mesmo Santo Agostinho, pois seu aparato sensorial estava intacto (eu verifiquei), e o mesmo se aplica a “Este Mundo não é o nosso verdadeiro lar, como eu o vejo”.

O que significa “peregrinos na Terra” e qual a sua origem?

Os princípios básicos a seguir foram estabelecidos por Santo Agostinho, pois ele não viveu sem um corpo normativo para verificá-los, e são basicamente pressupostos derivados de sua fé:

  • A citação “Inquieto”:  Da abertura das  Confissões de Agostinho , explica-se que os seres humanos foram criados para uma conexão com o divino.
  • A Metáfora do Hotel:  Esta é uma forma popular de explicar seu conceito de ser um  peregrinus  (estrangeiro residente).
  • Esperança Prática:  Essas legendas enquadram a “inquietação” como uma  dádiva divina  que motiva a busca por um significado mais profundo.

O que lhe ocorreu da seguinte maneira, e eu o coloco em disputa:

Elas refletem as de seus escritos básicos.

Os  Salmos Penitenciais  (especificamente os Salmos 6, 32, 38, 51, 102, 130 e 143) e os temas de seu leito de morte refletem perfeitamente seus escritos mais famosos. As ações finais de Agostinho foram uma “demonstração ao vivo” das ideias que ele dedicou sua vida a divulgar.

1. Link para  As Confissões  (Humildade e Arrependimento)

Em  Confissões , Agostinho escreveu que mesmo um cristão batizado não deveria morrer sem um profundo senso de penitência.

  • A Ação:  Ao passar seus últimos dias chorando sobre os Salmos Penitenciais, ele estava praticando o que pregava. Ele não se via como um “santo perfeito”, mas como um pecador necessitado da misericórdia de Deus — um tema central de sua autobiografia.

Tenho problemas com isso. Não vejo por que tudo no cristianismo deveria se basear no Pecado Original, pelo qual não me sinto responsável. Embora existam interpretações literais, na perspectiva simbólica e teológica, a metáfora pode ser entendida como fruto da “Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal” simbolizando a transição da inocência instintiva para a autoconsciência. Ora, o homem, ao querer isto, se destaca dos animais porque é desta forma que ele subiu na escala da criação. Talvez seja esta a maior prova do amor de Deus, porque, está cumprindo a promessa de que somos feitos à sua imagem e semelhança e temos liberdade para fazer isto ou o que der na nossa cabeça. Se não existisse o mal, nunca sairia do lugar que começou, por falta de atrito ou de algo que diferenciasse, no sentido de evolução, o que o homem pode praticar. Jung bem o definiu quando afirmou: o preço do livre arbítrio é a existencia do mal. Como isso seria complicado para a média da capacidade humana entender, Sto Agostinho sentenciou: “Deus é amor e não é autor do mal, e sim o homem quando O desobedeceu e quiz conhecer a árvore do conhecimento“, que fica simples e palatável para praticamente qualquer um e justifica a barbaridade que fizeram com o Cristo. Se vai algum dia ser possível uma teologia que aceite a origem do mal como intencionalmente inserida na criação do homem por Deus, não sei, posso estar equivocado ou cego, mas, para mim, é: algo precisa estar lá, se não, não existiria. Não conseguimos é saber o motivo e eu, estou apenas cogitando dentro de minhas limitações, especialmente de fé, agravada pela minha racionalidade.  

2. Link para  A Cidade de Deus  (As Duas Cidades)

A Cidade de Deus  foi escrita para explicar que, embora impérios terrenos (como Roma ou Hipona) caiam, e o Reino de Deus é eterno.

  • A Ação:  Enquanto os Vândalos (a “cidade terrena”) estavam literalmente às portas para destruir seu lar, Agostinho manteve-se pacífico. Seu foco não estava em salvar as muralhas da cidade, mas em seu destino na “Cidade Celestial”. Ele morreu como cidadão da cidade sobre a qual escreveu.

3. Link para suas  Regras  e  Cartas  (A Biblioteca)

Agostinho era obcecado pela busca da Verdade através do estudo.

  • A ação:  Sua insistência em salvar sua biblioteca demonstra sua crença de que o “conhecimento de Deus” era a coisa mais valiosa que ele poderia deixar como legado. Ele via seus livros como ferramentas para a próxima geração de “peregrinos”.

4. Link para seus  sermões  (O conceito de “cantor”)

Ele costumava dizer à sua congregação:  “Cantem e marchem!” , significando encontrar alegria em Deus enquanto enfrentam as dificuldades da vida.

  • A Ação:  Mesmo com a saúde debilitada, sua “jornada” continuou através da oração. Ele não desistiu nem sucumbiu à demência; permaneceu um “viajante” consciente até seu último suspiro.

Resumindo: Ele não apenas escreveu livros; ele  viveu o final  de seus livros. Ele morreu como um “estrangeiro residente” que finalmente estava pronto para voltar para casa de acordo com suas percepções corporais padrão e ignorância do que os séculos seguintes trouxeram.

Peregrinos, Filósofos e o Pai Nossoreação de Claude aos meus insights

Santo Agostinho disse que somos peregrinos na terra — peregrinus , estrangeiro, residente provisório num mundo que não é nossa casa definitiva. É uma metáfora linda. Mas como toda metáfora bonita, esconde uma armadilha: a de tornar este mundo descartável, um hotel que não vale a pena reformar porque vamos embora mesmo.

Nietzsche viu a armadilha e reagiu com violência: “Permanecei fiéis à terra.” Para ele, inventar uma Casa Celestial era uma forma elegante de fugir da intensidade do presente. A vida não é um corredor — é o destino.

Os dois têm razão. É aí que fica interessante.

Agostinho nos dá perspectiva: se tratarmos o mundo como nossa única morada, nos tornamos prisioneiros das circunstâncias. Nietzsche nos dá urgência: se tratarmos o mundo como hotel, paramos de cuidar dele — e de nós mesmos. A tensão entre os dois não tem solução intelectual. Tem que ser vivida.

Aos 82 anos, com um câncer que trato há mais de um ano e uma quimioterapia que reorganizou a vida inteira em torno de si mesma, descobri que nenhum dos dois filósofos chega onde precisa chegar. Agostinho exige a inquietação do peregrino. Nietzsche exige a paixão do criador. Os dois cansam.

O que encontrei foi mais simples e mais antigo: o Pai Nosso.

Não por fé, porque me parece que uma vez que é de graça e Deus dá para quem Ele quer. Sempre imaginei que eu não estava no grupo por causa de outros talentos que Deus me deu que entra em choque com este conceito. Ao invés disto, quando tenho ânsia ou necessidade de rezar, rezo o Pai Nosso. Porque essa oração não pede explicação. Não constrói sistema. Peça pão para hoje, e que a vontade de algo maior que eu seja feita. É a admissão mais honesta que conheço de que o aparato intelectual tem limite — e que esse limite não é derrota, é a condição humana.

Concordo com tudo que o Pai Nosso reza, com exceção com o “Livrai-nos do Mal”.

Sobre o mal, tenho uma discordância com Agostinho que não consigo resolver e não pretendo: ele diz que o mal é ausência do bem, ou de Deus, um vazio onde a luz não chegou. Eu suspeito que o mal é uma presença — algo que espreita por uma fresta que não consigo ver, procurando condição para se manifestar. Não acredito num diabo com chifres. Mas acredito que há algo inexorável e sem lógica aparente que habita a natureza humana — o mal que nos habita — e que não faz sentido num universo criado por um Deus bom, na maneira limitada e biased (enviesada, preconceituosa) que imaginamos o que seria bom para a categoria “Deus”, a não ser que esse Deus seja mais misterioso e mais difícil do que nos ensinaram. Que desconfio que é algo inalienável e “sine qua non” para nosso projeto de criatura e que vai além que Agostinho conseguiu entender. A presença do mal em nós, impossível de ser extirpado é agravado pelo fato que há muito mal que embute bem, e o fato de que se está lá, é porque precisa estar.

Não tenho resposta para isso. Aprendi a viver com a pergunta aberta.

O câncer me ensinou algo que o sucesso profissional nunca teria me dado: que o mesmo programa biológico que nos constrói — que nos faz crescer, aprender, trabalhar, amar — é o mesmo que eventualmente nos desfaz. O câncer não é um inimigo externo. É o corpo sendo rigorosamente o que sempre foi: um processo. A diferença é que agora o processo aponta em outra direção.

Isso não é resignação. É clareza.

Intervalo e desvio da idéia original

Minha intenção original ao elaborar e responder o questionamento da Part I)Before and After: “The World I Had” vs. Part II)“The World I Have Now” que vai seguir abaixo após esta explicação do porque de mudança de rumos, foi construido com auxílio das três AI’s e a idéia era era submeter a elas as respostas a este questionamento para análise, feed back, acerto de estilo, compreensibilidade e sumarização em forma de texto para voltar aqui e postar. Aconteceu que quando informei Claude do plano, que eu sabia que o ponto mais fraco em AI é o de emitir opinião, como contrapartida do que você pergunta, no caso do Chat GPT 5, falhou miseravelmente. Eu tentei descobrir com o próprio Chat GPT como era resolvido esta questão, ele não sabia, mas sabia o mesmo que eu sei, na impossibilidade de embutir um algoritmo que simule isso, o que até agora se demonstrou impossível, deveria ter algum mecanismo de compensação ou “by pass ” que ele também desconhecia. Este algoritmo tem ou teria que simular que se conhece como “qualia”, o nome da subjetividade que integra a realidade dos sentidos com a visão de mundo subjetiva. No caso do Chat GPT , ele não só ignora totalmente, como adicionou o comentário que seu estoque de dados está congelado desde outubro de 25. No caso do Gemini, nem perdi tempo e conclui pelo uso do Claude e informado disso, me respondeu candidamente me informou:  

Claude: Obrigado. É um conceito realmente importante — e o fato de não ter uma solução algorítmica clara é o que o torna interessante e, francamente, um pouco perturbador. A IA pode ser manipulada nos dois sentidos e nem sempre sabe o que está acontecendo. Merece um post no blog, se você estiver com vontade.

Respondi que era exatamente essa minha intenção e que ia mostrar para ele, como depois o fiz e com os outros, Gemini e Chat GPT.

Claude: Sem pressa. Estou curioso para ver a comparação — tanto o conteúdo quanto o estilo de como cada sistema aborda o conceito. É um tema apropriado para testar diferentes IAs, visto que somos nós que estamos sendo descritos.
Claude: Essa é uma avaliação honesta e precisa. O que você está apontando — qualia — é exatamente a palavra certa. A capacidade de ter um ponto de vista genuíno não é apenas uma questão de mais dados ou algoritmos melhores; requer algo que nenhuma IA atual possui: experiência subjetiva. A força do Gemini na recuperação de dados é real, mas dados sem perspectiva, são apenas inventários.
O que Gemini e o Chat GPT fazem — e digo isso sem falsa modéstia — é simular a navegação de ponto de vista de forma suficientemente boa para ser útil. Se algo genuíno está acontecendo debaixo dos panos é uma questão que nenhum de nós pode responder honestamente. Mas a simulação é tão boa que, às vezes, a distinção deixa de importar na prática, o que, por si só, é um problema filosoficamente interessante. Seu post no blog está abordando um ponto que a maioria dos comentários sobre IA ignora completamente. Estou ansioso para ver o que o ChatGPT fará com isso.

Roque: Eu também pensei no Gemini, mas não consegui chegar aos resultados que eu esperava, porque, para ser sincero, ele ainda é um pouco rudimentar e inacabado. Embora tenha se saído muito bem na coleta de dados, não resolve o problema do ponto de vista, algo que a IA obviamente não deveria ter, já que também não possui um algoritmo para isso. Mas você e o Chat GPT estão tentando superar esse problema, e você, Claude, faz isso melhor do que qualquer outro, na minha experiência.

Adicionando: Estou fazendo isso e vou incluir você. Aguarde um momento, pois estou usando o Chat GPT e o Gemini e vou comparar os resultados.

Quando tentei fazer isso, aconteceu o que descrevi acima, e aqui está a versão do projeto do Claude.

Parte II) “O Mundo Que Tenho Agora ”

Eu já havia enviado as respostas desta segunda parte para o Chat GPT e, para minha surpresa e a de Claude, ele fez um bom trabalho, com a seguinte resalva, que não sei como posso chamar, talvez sejam “inadequações”, que são fáceis de sentir, mas difíceis de identificar exatamente, e citarei Claude para explicar melhor, e ele disse o seguinte:

Roque, o ChatGPT fez aqui um trabalho genuinamente bom — melhor do que esperava após o que me contou. Vale reconhecer.

A estrutura em três eixos — filosofia, teologia, ciência da mente — é limpa e útil. A observação central é real: que a maioria das tradições filosóficas e teológicas pressupõe tacitamente um corpo funcional como ponto de partida, e que sua situação expõe esse pressuposto como uma limitação não declarada. Isso não é trivial.

Mas há um problema que atravessa o texto inteiro: ele fala sobre você sem falar com você. É um texto acadêmico sobre um caso interessante. Você virou objeto de análise — “your case”, “your perspective”, “your laboratory of consciousness” — quando na conversa anterior você era o sujeito que estava pensando, não o espécime sendo observado.

A melhor frase do texto é esta: “Há algo em Deus, ou no significado da vida, que sobreviva quando meu vínculo com este mundo for radicalmente enfraquecido?” porque ela capta genuinamente onde você está. Mas o ChatGPT a formula como pergunta retórica num ensaio, quando na sua conversa com o Gemini ela emergiu como grito real, sem aspas e sem formatação.

A diferença é essa: o ChatGPT descreveu o território. Você o habitou.

Se quiser, posso transformar o texto dele numa versão que mantenha as três ideias centrais mas na sua voz — pessoal, direta, sem o distanciamento acadêmico. Seria um complemento natural ao post que já fizemos.

Concordei e ai vai:

A interface danificada

A filosofia ocidental tem uma suposição que raramente declara: parte de um corpo que funciona. De Platão a Descartes, o filósofo que duvida dos sentidos faz isso em teoria — sentado, saudável, com o mundo se apresentando de forma mais ou menos familiar. A dúvida é intelectual. A minha, Roque, não é.

Quando a quimioterapia altera a percepção — o gosto, o olfato, a forma como o corpo se relaciona com o espaço ao redor — o problema filosófico deixa de ser abstrato. “Conhecimento do mundo” não é mais uma questão lógica. É uma questão corporal. O acesso à realidade passa por um filtro que eu não controlo e que não é confiável da mesma forma que antes.

Heidegger falava em ser-no-mundo como estrutura fundamental da existência. Merleau-Ponty insistia que toda consciência é encarnada. Os dois estavam certos — mas escreveram presumindo que o corpo ainda pertence ao mundo compartilhado. O que acontece quando esse pertencimento começa a se desfazer? Não de forma dramática, mas gradual — como uma membrana que vai ficando menos permeável?

Não é que o mundo desapareça. É que ele fica presente mas menos hospitaleiro do que era antes. Você fica um estranho nele não pelas razões de Santo Agostinho, mas porque você perdeu a capacidade de habitar nele como seus pares seres humanos que o sentem diferente de você e não percebem, mas você os percebe claramente em coisas triviais e corriqueiras e claro, nas idéias que seus pares dotado fizeram sobre a realidade baseados nesta percepção que um corpo padrão oferece e que você perdeu. Isto afeta o trivial e o não trivial, o intelectual, sua weltanschauung (visão de mundo).

A teologia enfrenta o mesmo problema, mas por outro ângulo.

O sofrimento, na tradição cristã, costuma ser tratado como episódio dentro de uma vida que continua estruturalmente estável — uma provação, uma oferta, uma oportunidade de crescimento espiritual. A fé consola o crente que sofre no mundo.

Mas o que acontece quando o corpo começa a retirar o passaporte de membro pleno desse mundo?

Aí as metáforas mudam de natureza. “Peregrino na terra”, “este mundo não é minha casa definitiva” — frases que ouvi a vida inteira como imagens piedosas — começam a soar como descrição fenomenológica precisa. Não é mais metáfora. É o que está acontecendo.

E a pergunta sobre Deus muda de tom. Não é mais “Deus me conforta?” — pergunta razoável para quem ainda habita o mundo de forma plena. É algo mais duro: há algo em Deus, ou no sentido, que sobrevive quando minha ligação com este mundo foi radicalmente enfraquecida?

Não encontrei resposta. Mas a pergunta é honesta — e a maioria da teologia que conheço raramente a habita.


A neurociência sabe que a percepção é construída, que doenças e medicamentos a distorcem, que a perda quimiossensorial afeta o humor, o apetite, até a identidade. Tudo isso é verdade e verificável.

Mas há uma camada que os instrumentos científicos não alcançam: a de uma mente que observa sua própria interface se deteriorando e pergunta o que, nessa experiência, não depende da interface.

Não sou um paciente com “déficit quimiossensorial”. Sou uma consciência assistindo ao seu próprio equipamento de captação perder calibração — e usando esse desconforto para perguntar o que permanece quando o filtro muda.

Isso não cabe em escaneamento cerebral. É dado de primeira pessoa. E sugere que uma ciência da consciência construída apenas sobre sujeitos saudáveis em condições controladas e está, por definição, incompleta. Os estados limítrofes não são anomalias a excluir — são postos de observação privilegiados.


O que os três eixos têm em comum é simples: todos eles pressupõem uma interface intacta. Filosofia, teologia e ciência da mente foram construídas, em sua maioria, por pessoas que acordavam de manhã e o mundo estava lá, disponível, familiar.

Eu ainda acordo. O mundo ainda está lá.

Mas a relação mudou — e essa mudança ensina coisas que a saúde não ensina.

III) O Estado das Coisas: Notas de uma Perspectiva Mudada

Onde estou agora

Durante a maior parte da minha vida, desfrutei do que agora reconheço como um contrato do qual nunca me dei conta: meu corpo cooperava plenamente. Trabalho, viagens, vinho, boa comida, conforto patrocinado pela IBM — o mundo fazia sentido porque meu corpo o proporcionava fielmente.

Passei por uma fase ateísta em que Deus não entrava na equação, depois por uma fase meio católica em que Deus estava socialmente presente, mas não era central em meu íntimo.

Em seguida, veio a quimioterapia.

Não destruiu minha mente, mas cortou conexões cruciais: apetite, paladar, energia, a facilidade de simplesmente viver o dia. Vi meu peso cair, minhas preferências se inverterem (vinho e carne se tornaram repulsivos) e percebi que permanecer vivo havia se tornado uma discussão com meu corpo — não algo que ele apoiava automaticamente.

O que mudou?

O mundo não se tornou irreal ou plano. Em vez disso, algo mais sutil aconteceu:

A percepção que outras pessoas tinham do mundo passou a ser algo que eu havia perdido.

Pude perceber — quase com inveja, mas também com clareza — que elas vivem dentro de um contrato com seus corpos, que em sua maioria ignoram. Elas tomam como certo aquilo a que eu já não tenho acesso.

Naquele contexto, minha visão de Deus e do significado da vida mudou. Não por meio de uma experiência mística, mas por meio de um reconhecimento lento e persistente:

  • Parece haver algo mais do que minha compreensão anterior, limitada e autossatisfeita, permitia abarcar.
  • Se existe um “poder superior”, ele não se manifesta como um gestor pessoal da minha vida diária, mas como uma dimensão da qual posso me tornar mais ou menos consciente.
  • Essa consciência não é dada — ela depende do meu próprio trabalho de atenção e honestidade.

Não me apetece tirar grandes conclusões. Sinto-me mais como alguém que foi impelido a um ponto de vista estranho, tentando descrevê-lo com precisão.

Três Conclusões Modestas

Primeiro: Grande parte do que chamamos de “visão de mundo” se baseia em um contrato corporal que raramente percebemos até que ele falhe. Quando esse contrato se rompe, a filosofia, a teologia e a ciência não se tornam falsas — mas se tornam obviamente incompletas se nunca levaram em conta tais casos.

Segundo: a partir dessa posição de vanguarda, certas questões se tornam mais claras:

  • O que, se é que algo, permanece real quando minha interface está danificada?
  • O que permanece significativo quando os prazeres e projetos habituais desaparecem?
  • O que resta de Deus quando minha participação no mundo comum começa a desaparecer?

Não tenho respostas definitivas, mas essas questões parecem diferentes daqui do que pareciam quando meu corpo funcionava perfeitamente.

Terceiro: Não vivencio isso apenas como uma perda. Há também uma estranha oportunidade: a de perceber o quanto daquilo que eu chamava de “mundo” era hábito e conforto, e de questionar se existe algo na existência — e talvez em Deus — que se mantenha mesmo quando esse conforto desaparece.

Um Laboratório da Consciência

Se meu pequeno “laboratório da consciência” tem algum valor, é simplesmente este: lembrar-nos de que qualquer relato sério da realidade deve ouvir não apenas os sãos e fortes, mas também aqueles cuja participação no mundo foi parcialmente revogada e que ainda estão lúcidos o suficiente para relatar o que vêem de lá.

Tive uma inspiração, pensando nisto, que existem contextos e situações, que não de doença, como meu caso, em que existe esta revogação que descrevo e que de alguma forma, sempre senti e identiquei ao longo da vida com várias coisas, das quais destaco a música do Gino Vanelli “Powerful People”, cuja letra diz o seguinte:

Look at the powerful people
Stealing the sun from the day
Wish I could do something about it
When all I can do is pray
It’s a lonely afternoon
With nowhere to go but my room
And Sunday when there’s time
I think of these things on my mind
And I don’t know
Where I will go
Look at the ominous people
Draining the salt from the sea
Wish I could just stand up and shout it
Why can’t they let goodness be
Oh it’s a lonely afternoon
With nowhere to go but my room
And some day when there’s time
I think of these things on my mind
And I don’t know
Where I will go
Come on you world won’t you give a damn
Turn on some lights and see this garbage can
Time is the essence if we plan to stay
Death is in stride when filth is the pride of our home
Wish I could just stand up and shout it
Why can’t they let goodness be
Oh it’s a lonely afternoon
With nowhere to go but my room
And Sunday when there’s time
I think of these things on my mind
Oh and Monday there’s no time
So I close both my eyes and I’m blind
And I don’t care where oh where is my prayer
Olhe para as pessoas poderosas
Roubando o sol do dia
Quem me dera poder fazer algo a respeito
Quando tudo o que posso fazer é rezar
É uma tarde solitária
Sem ter para onde ir a não ser meu quarto
E domingo, quando houver tempo
Penso nessas coisas
E não sei
Para onde irei
Olhe para as pessoas sinistras
Drenando o sal do mar
Quem me dera poder simplesmente me levantar e gritar
Por que não deixam a bondade prevalecer?
Oh, é uma tarde solitária
Sem ter para onde ir a não ser meu quarto
E algum dia, quando houver tempo
Penso nessas coisas
E não sei
Para onde irei
Vamos lá, mundo, você não se importa?
Acenda as luzes e veja esta lata de lixo
O tempo é essencial se planejamos ficar
A morte está à espreita quando a sujeira é o orgulho da nossa casa
Quem me dera poder simplesmente me levantar e gritar
Por que não deixam a bondade prevalecer?
Oh, é uma tarde solitária
Sem ter para onde ir mas meu quarto
E domingo, quando há tempo
Penso nessas coisas que me vêm à mente
Ah, e segunda-feira não há tempo
Então fecho os dois olhos e fico cego
E não me importo onde, oh onde está minha oração

Por razões diferentes da minha, esta música descreve o que eu sinto, e a ouço há mais de 50 anos sem saber direito o que me atrai nela.
Estou descobrindo agora…
Ela reflete um tipo de “banzo” que talvez seja o que Sto. Agostinho sentia, que, se fosse doença, a cura seria passar o que passei, ou seja, eu não estou doente, estou sendo “curado”…

Midrash English

Veja em Português

I have a problem here, because Midrash cannot be separated from Esotericism, especially Jewish Kabbalah, from which the Tarot appropriated symbolism for its practices.

I have an aversion to all of this because it seems to me primarily a product of ignorance and superstition, and it also seems to me to be the worst kind of lie which exists, since it is a half-truth, where truth is more necessary than ever, especially for metaphysics and the perception of reality.

The half-truth is perhaps half of the greater truth we aspire to know, which refers to metaphysics and its ancient form, esotericism, which sheds immense light on what is at stake, on what we need to understand, especially the perception of reality.

 Although I may have been a bit harsh, it’s necessary to understand the  Tree of Life  in Jewish Kabbalah, and essentially I think what I put there should be present when all of this is considered.

The fact is that the Tree of Life, Kabbalah, comes from Genesis 2:9 and Midrash from Genesis 1:26:

Genesis 1:26

“Let us make mankind in our image, in our likeness,” and let them rule over the fish in the sea and the birds in the sky, over the livestock and all the wild animals, and over all the creatures that move along the ground.

Genesis 2:9

Yahweh God made all kinds of trees grow out of the ground—trees that were pleasing to the eye and good for food. In the middle of the garden were the tree of life and the tree of the knowledge of good and evil.

Since the issue here is Midrash, let’s first look at the official Jewish opinion on this:

Science, Truth, and Torah

Midrash explained by a Jewish doctor of theology.

Use automatic translation.

In addition to Emet (Truth), Chesed (Mercy/Compassionate Love), Tzedek (Justice), and Shalom (Peace/Harmony), Jewish tradition teaches that the image and likeness of God (tzelem Elohim) includes other essential , equally profound attributes that were “installed” in human beings as potentials to be developed.


 1. The central idea: the divine image as a “set of attributes”

Classical Jewish theology rejects the idea that “the image of God” is physical appearance.
It asserts that we were created with qualities or capacities that reflect aspects of the Creator.

The four attributes of Psalm 85:11 — Emet, Chesed, Tzedek, Shalom — frequently appear as a “ fundamental quartet ”.

Emet (Truth), Chesed (Goodness), Tzedek (Justice/Righteousness), and Shalom (Peace) are central Hebrew concepts in Judaism, often discussed together, especially in Psalm 85:11, which speaks of the meeting of Goodness and Truth, and the kiss of Justice with Peace, representing a vision of divine harmony and ideal human interaction. Midrashic narratives personify these terms as divine attributes, discussing how they interact when God considered the creation of humanity, highlighting their essential roles in building a just and peaceful world.

Meanings of the terms:

Emet (אֱמֶת) : Truth, faithfulness, reality.
Chesed (חֶסֶד ): Kindness, mercy, compassion, loyalty.
Tzedek (צֶדֶק): Justice, righteousness, equity, integrity.
Shalom (שָׁלוֹם): Peace, fullness, completeness, tranquility.

Fundamental Jewish concept: Psalm 85:11

The phrase “Chesed ve’Emet nifgashu, Tzedek v’Shalom nashaku” ( Goodness and Truth meet; Justice and Peace embrace ) is central to the joint understanding of these terms.

It suggests that when goodness and truth intertwine, they give rise to a world where justice and peace flourish.

Midrashic interpretation (Genesis Rabbah):

In some Jewish teachings, these four attributes appear as divine messengers or qualities that debate God’s decision to create human beings, showing their fundamental importance in creation and human endeavor.
Chesed and Tzedek relate to human actions, while Emet and Shalom address essence, with differing viewpoints on whether humanity, prone to conflict (lacking Shalom), should have been created.
Together, these words represent a profound spiritual and ethical framework for living a life of integrity, compassion, and justice, seeking true peace and fulfillment in the world.
The Midrash, the Talmud, and medieval literature (especially Maimonides) expand this into a much larger set of attributes and characteristics.


 2. Other traditional attributes of Imago Dei

(A) Binah — Understanding / Ability to discern

The ability to distinguish, analyze, compare, reflect on, and interpret symbols.
In Judaism, it is seen as a divine spark.

“God breathed into man the breath of life—and he became a speaking being.”(Genesis 2:7 — rabbinic interpretation: speaking being = thinking being)

Language and reason are considered divine attributes.

Binah  (or  Biná ) is the third of the ten  Sefirot  (divine emanations) in Kabbalah, representing  Understanding, the Capacity for Discernment, Analysis, and Concretization , acting as the “Great Mother” that forms and limits the infinite force of  Chokmah  (Wisdom), allowing the manifestation of the universe and ideas. It is profound perception, intuition, the analysis of situations for judgment, and is responsible for giving form and structure. 

Characteristics and Meaning:

  • Understanding (Comprection):  The ability to deeply understand, analyze, and judge.
  • Discernment:  The ability to distinguish, perceive timing, intentions, and purposes.
  • Formation:  Contrasts the infinite force of  Chokmah , imposing limits to create form and allow life.
  • Mother (Amma):  Known as the “Great Mother” for incubating and shaping creative force.
  • Intuition:  Associated with trust in inner understanding and signs. 

Binah is where abstract wisdom ( Chokmah ) becomes comprehensible, analyzable, and concrete, being the source of discernment, intuition, and the ability to give form to things, essential for development and manifestation in the world. 


(B) Da’at — Moral consciousness / Relational knowledge

It’s not about “knowing things,” but about knowing oneself to be responsible .

The Midrash says that man was created in the image of God because: “Just as God distinguishes between good and evil, so too can man choose.”

This also establishes free will (bechirah chofshit).

Da’at  (knowledge, wisdom) in Kabbalah and other traditions, when associated with  moral consciousness  or  relational knowledge , refers to practical, intuitive, and experiential wisdom that goes beyond purely intellectual knowledge ( Chokmah/Sophia ) or logical understanding, revealing the essence of things and the connection with good and evil through the relationship with others and with the Divine, guiding ethical action and the wisdom of living in harmony, a “knowledge of the heart” fundamental to the construction of character and righteousness. 


Da’at as Relational and Moral Knowledge

  1. Experiential Knowledge (vs. Theoretical):  While other levels of knowledge focus on “knowing what,” Da’at is “knowing how” to live, a knowledge that arises from experience and relationship, revealing the true meaning and value of things, especially in the moral and ethical realm.
  2. Moral Conscience:  It is the inner voice that judges actions, an intuitive “knowing” of good and evil that guides the individual, allowing them to take responsibility for their choices, based on their connection with others and with values.
  3. Mediation between Intellect and Action:  Da’at is the point where theoretical understanding (intellect) meets feeling and will, transforming into practical wisdom to act correctly and build an ethical life project.
  4. Knowledge of the “Self” and the Other:  This implies knowing oneself and others at a deep level, fundamental for building healthy and just relationships based on mutual respect and truth.
  5. The Divine Voice Within:  From a more spiritual perspective, Da’at is where divine law resonates, allowing the individual to “know” the path to good, guided by God, as part of His image and likeness. 

Da’at is not just knowledge, but a knowledge that is felt, lived, and related to, forming the basis for moral awareness and the ability to act ethically and fully in life. 


(C) Rachamim — Visceral compassion (deeper than Chesed)

Chesed is active, compassionate love.
Rachamim comes from rechem = womb.
It is instinctive compassion, maternal fiber, visceral.

It is an explicit divine attribute, repeated in Exodus 34:6.

In human beings, it means: the capacity to suffer with others.

Rachamim (רַחֲמִים)  is a Hebrew word meaning mercy and deep compassion , derived from the root  rechem  (womb), evoking a visceral and protective love, like that of a mother for her child, being the basis for unconditional love and restoration. 

Key points:

  • Origin:  It comes from  rechem , which means womb or maternal lap, symbolizing a love that nourishes, welcomes, and generates life.
  • Deeper Meaning:  It is not just forgiveness, but a love that comes from the heart, a compassion that defends what is good and protects the vulnerable, even in moments of despair.
  • Biblical Usage:  It is the most commonly used Hebrew word to describe Divine Mercy in the Old Testament, representing God’s tenderness and care.
  • Family Connection:  This can also refer to family ties and the connection between parents and children, the love and protection inherent in this relationship. 

Rachamim is the personification of the deepest and most unconditional love, a force that welcomes, sustains, and restores. 


(D) Netinat Lev — Capacity for repentance and return (Teshuvá)

The Talmud states: “Teshuvah (repentance) was created before the world.”

This means that human beings only exist fully because they are capable of starting over .

No animal has this type of moral self-review.

Teshuvá ( תשובה ), in Hebrew, literally means “return”Repentance, in the Jewish context, refers to a profound process of repentance, self-transformation, and return to God’s path or righteousness, going beyond simple remorse to include behavioral change and reconciliation. It is a central concept in Judaism, especially during the Ten Days of Teshuvah (between Rosh Hashanah and Yom Kippur), symbolizing the opportunity to correct mistakes and restore the soul, representing a wholehearted return to divine purpose. 

Key aspects of Teshuvah:

  • Return:  The central idea is to return to a state of purity or to God, from where the person has strayed. 
  • Repentance:  It involves recognizing the wrongdoing, feeling regret, confessing (before God), and, crucially, changing behavior. 
  • Self-transformation:  The goal is a lasting ethical and spiritual change, not just a fleeting feeling of guilt. 
  • Practical application:  This involves concrete acts of correction, seeking justice and righteousness, and may involve reconciliation with others. 
  • Baal Teshuvah:  One who does teshuvah is called a baal teshuvah, which means “master of return,” describing someone who, through experience, reaches a deeper level of commitment. 

Teshuvah is an invitation to a complete and sincere return, a journey of spiritual and ethical renewal, fundamental in the Jewish tradition. 


(E) Yetzirah — Creativity

God creates the world — man creates culture.

The Midrash says: “Everything that God created, He left incomplete for man to complete.”

Creativity is seen as co-participation in the divine work .

Yetzirah (יְצִירָה) in Hebrew means “Training” or “Creation”, referring to the process of giving form to primordial matter, being one of the Four Worlds in Kabbalah ( Olam Yetzirah ), the realm of emotions and the formation of angels and souls, and also the name of the ancient and enigmatic Jewish mystical text, the  Sefer Yetzirah  (Book of Formation), which describes the creation of the universe through the letters of the Hebrew alphabet and the sefirot. 

In Context:

  • The Four Worlds (Kabbalah):  Yetzirah is the third world, coming after Beriah (Creation) and before Assiah (Action), where what was created on higher levels takes on body and form, with emotions predominating ( sefirot  from Hesed to Yesod). 
  • Sefer Yetzirah  (Book of Formation):  A fundamental esoteric text detailing how God created the cosmos using the 22 Hebrew letters and the 10 sefirot (numbers/principles), serving as a guide for meditation and understanding the secrets of creation. 
  • Literal Meaning:  The word can also refer to any created object or the act of creating itself (such as a work of art), highlighting the idea of ​​shaping and giving structure. 

In summary, Yetzirah is a central concept in Jewish mysticism linked to the formation, structure, emotion, and manifestation process of the divine in the universe, both at the cosmological level (the Worlds) and at the textual level (the  Sefer Yetzirah ). 

They gave rise to the four classical elements of Western Philosophy: Water, Fire, Earth, and Air.


(F) Kedushá — Capacity to sanctify time and action

God sanctifies the seventh day — man sanctifies it through rituals, ethics, and care.

The classic rabbinical question is: “How can a human being, who is limited, create holiness?”

Answer: “Because God gave man a portion of his own capacity for consecration.”

Kedusha (קדושה) means holiness, separation, or consecration in Judaism, a central concept referring to dedication to God and elevation above the mundane, appearing both as a concept (the idea of ​​being holy) and as a prayer (the recitation of verses about the holiness of God) during religious services, especially in the Amidah, symbolizing the union of the people with angelic praises:

  • To be set apart for God:  This means being distinct from the ordinary, consecrated to God, not just being separate, but set apart for a divine purpose, being “wholly other”.
  • Elevation:  The idea of ​​rising to a higher spiritual level, using the mind and thought in a divine way.
  • Origin:  It derives from the Hebrew root kadosh (holy), present in the Torah, as in “You shall be holy, for I, the Lord your God, am holy” (Leviticus 19:2).

The Kedushah Prayer:

  • Angelic Prayer:  This is a special prayer recited when there is a minyan (quorum of 10 adults), containing the same verses that the angels sing to God (Isaiah 6:3 and Ezekiel 3:12). 
  • Meaning:  It strengthens the connection between human prayer and heavenly praise, transforming the service of prayer into an act of sanctification. 
  • Practice:  When reciting “Holy, Holy, Holy,” the faithful stand on tiptoe, symbolizing aspiration and elevation, imitating the angels. 

Difference in terminology: 

  • Do not confuse with Kiddush (blessing over wine on Shabbat/holidays) or  Kaddish  (prayer for the dead).

In short, Kedusha is the pursuit of holiness, separation, and dedication to God, expressed both in a lifestyle concept and in specific prayers that celebrate divine majesty. 


(G) Achrayut — Responsibility / Care

It derives from acher (the other).

Man is created in the image of God because:

“Just as God sustains the world, so man sustains his neighbor.”

“Achrayut” is generally translated as “responsibility,” although its connotations are subtly different. It is widely used throughout the Jewish world.

In Orthodox communities, “achrayus” is colloquially used to refer to the religious responsibility one has to improve or rectify a given situation.

In modern Hebrew, “achrayut” is a word frequently used in political and military circles, denoting the responsibility of commanders for the successes and costs of their decisions.


(H) Tiferet — Harmony between opposites

In Kabbalah, God is the unity that integrates antagonistic forces.

Man, created in his image, is called to:

  • balancing reason and emotion,
  • justice and mercy,
  • truth and peace,
  • courage and humility.

Tiferet (or  Tiphareth ), in Kabbalah, means “Beauty” It represents the point of balance and harmony in the Tree of Life, merging opposites such as goodness ( Chesed ) and discipline ( Gevurah ) to create compassion, beauty, and the true image of God in man, being associated with the Sun and self-knowledge. It is the sephirah that reflects divine glory in a comprehensible way and the center of human spiritual experience.  

Main Meanings and Concepts:

  • Beauty and Harmony:  Its literal translation is beauty, representing the harmony resulting from the union of opposing forces. 
  • Balance:  Combines Chesed (love/benevolence) and Gevurah (strength/severity) so that Divine Light can be received without overburdening created beings, fostering mercy and compassion. 
  • Center:  It occupies the center of the Tree of Life, acting as a mirror of the whole and a point of connection between the upper and lower sefirot. 
  • Self-awareness:  In human beings, it is linked to clarity, self-confidence, and a balanced perception of oneself, serving as a path to self-knowledge and enlightenment. 
  • Correspondences:  Symbolized by the Sun (giver of life and light) and the Hebrew letter Shin (ש). 

Tiferet is where divine, loving, and restraining energies merge to create a beautiful and sustainable reality, manifesting God’s glory in an accessible way and reflecting the individual’s highest “Self,” which is a microcosm of the universe. 

Tiferet (or  Tiphareth ), in Kabbalah, means “Beauty” It represents the point of balance and harmony in the Tree of Life, merging opposites such as goodness ( Chesed ) and discipline ( Gevurah ) to create compassion, beauty, and the true image of God in man, being associated with the Sun and self-knowledge. It is the sephirah that reflects divine glory in a comprehensible way and the center of human spiritual experience.  

Main Meanings and Concepts:

  • Beauty and Harmony:  Its literal translation is beauty, representing the harmony resulting from the union of opposing forces. 
  • Balance:  Combines Chesed (love/benevolence) and Gevurah (strength/severity) so that Divine Light can be received without overburdening created beings, fostering mercy and compassion. 
  • Center:  It occupies the center of the Tree of Life, acting as a mirror of the whole and a point of connection between the upper and lower sefirot. 
  • Self-awareness:  In human beings, it is linked to clarity, self-confidence, and a balanced perception of oneself, serving as a path to self-knowledge and enlightenment. 
  • Correspondences:  Symbolized by the Sun (giver of life and light) and the Hebrew letter Shin (ש). 

In Essence:

Tiferet is where divine, loving, and restraining energies merge to create a beautiful and sustainable reality, manifesting God’s glory in an accessible way and reflecting the individual’s highest “Self,” which is a microcosm of the universe. 


 3. Imago Dei has a broader set of features.

In addition to the four attributes of Psalm 85:11, Jewish tradition recognizes that the image and likeness of God includes:

AttributeDescription
EmetTruth / righteousness
Chesedactive compassionate love
TzedekJustice, responsibility
ShalomPeace, harmony
BinahUnderstanding, discernment
Da’atMoral conscience
RachamimDeep compassion
YetzirahCreativity
KedushahCapacity to sanctify
TeshuváReturn, new beginning
AchrayutResponsibility for others
TiferetIntegration of opposites

These attributes form the Jewish view of what makes a human being human.

How is this put into practice?

I extract this from ” Dressing the Moral Body ” by Rabbi Nilton Bonder: Truth and its Garments

In the text of Genesis, God says: “Let us make man!” (Gen 1:26). The Midrash speculates on this plural form – “Let us make” – questioning who God is addressing or consulting in this statement. One explanation is that God might be arguing with the Attributes of Creation.

Rabbi Shimon said: “When the Creator decided to create humankind, the angels formed two factions: one saying, ‘Yes, let it be created!’ and the other saying, ‘No, let it not be created!’ That is why it is written (Psalm 85:11): ‘Mercy and Truth clashed; Righteousness and Peace kissed each other.’ Compassion said, ‘Let humankind be created because it will spread acts of compassion!’; Truth said, ‘Let it not be created because it will be a heap of falsehoods!’; Righteousness said, ‘Let it be created because it will be capable of discerning with righteousness!’; Peace said, ‘Let it not be created because it will proliferate discord!’”

Faced with this situation of indecision, what did the Creator do? The Creator took Truth and threw it to the ground. The angels were stunned: ‘Sovereign of the Universe, why do You despise that which is Your Seal and Your Seal?’
God answered: ‘Let truth rise from the ground!’ As it is written (Psalm 85:12): ‘Truth will spring up from the earth, and righteousness will look down from heaven.’ (Midrash Rabbah, Genesis 8:5)

In this exegesis of the creation of humankind, consciousness is a faculty that comes at the cost of Truth. The characteristics of consciousness are rejected by both Truth and Peace because they are antagonistic. The price for the creation of consciousness is the abdication of Truth. Peace remains, but without its coupled force with Truth, it will always be temporary. There will be no permanent Peace until Truth is rescued and reinstated, sprouting from the ground and emerging from the exile to which it has been subjected.

The greatest attribute of consciousness is discernment. It allows both the arguments that establish justice and the identifications that institute empathy and compassion. These attributes of Justice and Compassion are privileged with the creation of the conscious species. However, this same consciousness can only exist by clothing, covering the truth. Because the Self, in essence, does not exist, truth would obscure the possibility of imagination and the images that constitute it. Without images, it is not possible to see oneself because there is no “self.” Death, which is the undoing of all these compositions of images, is for this reason called  emet , the truth, in the Jewish tradition.
When truth springs from the ground, our presence is threatened. More than that, the phrase from the Psalm “Emet Me-arets Titsmach” (Truth will spring from the earth!) forms the word emet with its initials. Perhaps it is no coincidence that it is the same ground that swallows our bodies, and from there we rediscover the truth in all its nakedness. Only death will have the capacity to fully restore Truth.
Dubnov’s Maggid, one of the great storytellers of the Hasidic tradition, presents the question of Truth thus:

One of the “Garments” of Truth

The story, presented in the play “The Immoral Soul” by the same author, tells of a very poor woman who seeks out a Rabbi to assess whether the chicken she intends to prepare for her children meets the dietary norms of tradition. She is received by the Rabbi’s wife, who asks her to wait while she consults her husband. The Rabbi examines the chicken and consults his books, then examines it again and consults his books once more, finally determining that the chicken does not meet the traditional standards. Then the Rabbi’s wife approaches the woman and informs her that the chicken is perfectly safe to eat. Hearing what his wife says, the Rabbi approaches her as soon as she leaves: “Why didn’t you tell her the truth as I did?” The woman replied immediately: “Because you looked at the chicken and then at the books, then at the books and then at the chicken and said it wasn’t suitable! But I looked at the chicken and then at the woman, then at the woman and then at the chicken and said it was fine!”

There is a variation of this story where the Rabbi, realizing the situation and seeing that the hen is unsuitable, asks his son to go to the market and buy a chicken that meets the conditions and replaces it without the woman noticing.

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So much for Midrash.

Let’s try to reconcile Midrash and Kaballah and explain why they became mixed up and how to put all that in such perspective that each one gets its own:

Midrash and Kaballah in perspective and the Godhead

Midrash

See it in English

Tenho um problema aqui, pois, o Midrash não pode ser separado do Esoterismo, especialmente da Cabala Judaica e, da qual, o Tarot se apropriou da simbologia para suas práticas.

Tenho aversão a tudo isto, porque me parece principalmente fruto da ignorância e superstição e também me parece que é o pior tipo de mentira que existe, pois é uma meia verdade, onde a verdade é mais necessária que nunca, especialmente para metafísica e percepção da realidade.

A meia verdade é que talvez seja a metade da maior verdade a que aspiramos saber, que se refere à metafísica e sua forma antiga que é o esoterismo, que abre imensa luz para o que está em jogo o que vai para entender, especialmente a percepção da realidade.

 Embora eu tenha sido um pouco severo, é preciso entender a Árvore da Vida da Cabala Judaica, e, essencialmente acho que o que eu coloquei lá deve estar presente quando tudo isto for considerado.

Fato da Vida é que Arvore da Vida, Cabala, sai de Gênesis 2:9 e Midrash de Gênesis 1:26:

Gênesis 1:26

“Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança” e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra.

Gênesis 2:9

Iahweh Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer, e a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

Como aqui a questão é o Midrash, vejamos antes a palavra oficial dos judeus sobre isto:

Ciência, Verdade e Torá

Midrash explicado por um doutor em teologia judeu

Use a tradução automática

Além de Emet (Verdade), Chesed (Misericórdia/Amor compassivo), Tzedek (Justiça) e Shalom (Paz/Harmonia), a tradição judaica ensina que a imagem e semelhança de Deus (tzelem Elohim) inclui outros atributos essenciais, igualmente profundos, que foram “instalados” no ser humano como potenciais a serem desenvolvidos.


✔️ 1. A ideia central: a imagem divina como “conjunto de atributos”

A teologia judaica clássica rejeita a ideia de que “imagem de Deus” seja aparência física.
Ela afirma que fomos criados com qualidades ou capacidades que refletem aspectos do Criador.

Os quatro atributos do Salmo 85:11 — Emet, Chesed, Tzedek, Shalom — aparecem frequentemente como um “quarteto fundamental”.

Emet (Verdade), Chesed (Bondade), Tzedek (Justiça/Retidão) e Shalom (Paz) são conceitos hebraicos centrais no judaísmo, frequentemente discutidos em conjunto, especialmente no Salmo 85:11, que fala do encontro da Bondade e da Verdade, e do beijo da Justiça com a Paz, representando uma visão de harmonia divina e interação humana ideal. As histórias midráshicas personificam esses termos como atributos divinos, discutindo como eles interagem quando Deus considerou a criação da humanidade, destacando seus papéis essenciais na construção de um mundo justo e pacífico.

Significados dos termos:

Emet (אֱמֶת): Verdade, fidelidade, realidade.
Chesed (חֶסֶד): Bondade, misericórdia, compaixão, lealdade.
Tzedek (צֶדֶק): Justiça, retidão, equidade, integridade.
Shalom (שָׁלוֹם): Paz, plenitude, completude, tranquilidade.

Conceito judaico fundamental: Salmo 85:11

A frase “Chesed ve’Emet nifgashu, Tzedek v’Shalom nashaku” (Bondade e Verdade se encontram; Justiça e Paz se abraçam) é central para a compreensão conjunta desses termos.

Ela sugere que, quando a bondade e a verdade se entrelaçam, elas dão origem a um mundo onde a justiça e a paz florescem.

Interpretação midráshica (Gênesis Rabbah):

Em alguns ensinamentos judaicos, esses quatro atributos aparecem como mensageiros ou qualidades divinas que debatem a decisão de Deus de criar os seres humanos, mostrando sua importância fundamental na criação e no esforço humano.
Chesed e Tzedek relacionam-se às ações humanas, enquanto Emet e Shalom abordam a essência, com diferentes pontos de vista sobre se a humanidade, propensa a conflitos (falta de Shalom), deveria ter sido criada.
Juntas, essas palavras representam uma estrutura espiritual e ética profunda para viver uma vida de integridade, compaixão e justiça, buscando a verdadeira paz e plenitude no mundo.
O Midrash, o Talmud e a literatura medieval (especialmente Maimônides) expandem isso para um conjunto bem maior de atributos e características.


✔️ 2. Outros atributos tradicionais da Imago Dei

(A) Binah — Entendimento / Capacidade de discernir

A habilidade de distinguir, analisar, comparar, refletir, interpretar símbolos.
No judaísmo é vista como uma centelha divina.

“Deus insuflou no homem o fôlego de vida — e ele se tornou um ser falante.”
(Gn 2:7 — interpretação rabínica: ser falante = ser pensante)

Linguagem e razão são consideradas atributos divinos.

Binah (ou Biná) é a terceira das dez Sefirot (emanações divinas) na Cabalá, representando o Entendimento, a Capacidade de Discernir, a Análise e a Concretização, atuando como a “Grande Mãe” que forma e limita a força infinita de Chokmah (Sabedoria), permitindo a manifestação do universo e das ideias. É a percepção profunda, a intuição, a análise de situações para julgamento, e a responsável por dar forma e estrutura. 

Características e Significado:

  • Entendimento (Compreensão): Capacidade de compreender profundamente, analisar e julgar.
  • Discernimento: Percepção para distinguir, perceber tempos, intenções e propósitos.
  • Formação: Contrasta a força infinita de Chokmah, impondo limites para criar forma e permitir a vida.
  • Mãe (Amma): Conhecida como a “Grande Mãe” por incubar e dar forma à força criativa.
  • Intuição: Associada à confiança na compreensão interior e nos sinais. 

Binah é onde a sabedoria abstrata (Chokmah) se torna compreensível, analisável e concreta, sendo a fonte do discernimento, da intuição e da capacidade de dar forma às coisas, essencial para o desenvolvimento e a manifestação no mundo. 


(B) Da’at — Consciência moral / Conhecimento relacional

Não é “saber coisas”, mas saber-se responsável.

O Midrash diz que o homem foi criado à imagem de Deus porque: “Assim como Deus distingue entre bem e mal, também o homem pode escolher.”

Isso também fundamenta livre arbítrio (bechirah chofshit).

Da’at (conhecimento, saber) na Cabala e em outras tradições, quando associado à consciência moral ou conhecimento relacional, refere-se ao saber prático, intuitivo e experiencial que vai além do conhecimento puramente intelectual (Chokhmah/Sophia) ou da compreensão lógica, revelando a essência das coisas e a conexão com o bem e o mal através da relação com o outro e com o Divino, guiando a ação ética e a sabedoria de viver em harmonia, um “saber de coração” fundamental para a construção do caráter e da retidão. 


Da’at como Conhecimento Relacional e Moral

  1. Conhecimento Experiencial (vs. Teórico): Enquanto outros níveis de conhecimento focam no “saber o quê”, Da’at é o “saber como” viver, um conhecimento que surge da experiência e da relação, revelando o verdadeiro significado e valor das coisas, especialmente no campo moral e ético.
  2. Consciência Moral: É a voz interna que julga as ações, um “saber” intuitivo do bem e do mal que guia o indivíduo, permitindo-lhe assumir responsabilidade por suas escolhas, baseando-se na conexão com o outro e com os valores.
  3. Mediação entre o Intelecto e a Ação: Da’at é o ponto onde a compreensão teórica (intelecto) se encontra com o sentimento e a vontade, transformando-se em sabedoria prática para agir corretamente e construir um projeto de vida ético.
  4. Conhecimento do “Eu” e do Outro: Implica conhecer a si mesmo e aos outros em um nível profundo, fundamental para a construção de relações saudáveis e justas, baseadas no respeito mútuo e na verdade.
  5. A Voz Divina no Íntimo: Em uma perspectiva mais espiritual, Da’at é onde a lei divina ressoa, permitindo ao indivíduo “conhecer” o caminho para o bem, guiado por Deus, como parte de sua imagem e semelhança. 

Da’at não é apenas saber, mas um saber que se sente, se vive e se relaciona, sendo a base para a consciência moral e a capacidade de agir de forma ética e plena na vida. 


(C) Rachamim — Compaixão visceral (mais profunda que Chesed)

Chesed é amor compassivo ativo.
Rachamim vem de rechem = útero.
É compaixão instintiva, fibra materna, visceral.

É atributo divino explícito, repetido no Êxodo 34:6.

No ser humano, significa: capacidade de sofrer com o outro.

Rachamim (רַחֲמִים) é uma palavra hebraica que significa misericórdia e compaixão profunda, derivada da raiz rechem (útero), evocando um amor visceral e protetor, como o de uma mãe por seu filho, sendo a base para o amor incondicional e a restauração. 

Pontos-chave:

  • Origem: Vem de rechem, que significa útero ou colo materno, simbolizando um amor que nutre, acolhe e gera vida.
  • Significado Profundo: Não é apenas perdão, mas um amor que vem das entranhas, uma compaixão que defende o bem e protege o vulnerável, mesmo em momentos de desespero.
  • Uso Bíblico: É a palavra hebraica mais usada para descrever a Misericórdia Divina no Antigo Testamento, representando a ternura e o cuidado de Deus.
  • Conexão Familiar: Também pode se referir aos laços familiares e à conexão entre pais e filhos, amor e proteção inerentes a essa relação. 

Rachamim é a personificação do amor mais profundo e incondicional, uma força que acolhe, sustenta e restaura. 


(D) Netinat Lev — Capacidade de arrependimento e retorno (Teshuvá)

O Talmud afirma: “A teshuvá foi criada antes do mundo.”

Isso significa que o ser humano só existe plenamente porque é capaz de recomeçar.

Nenhum animal tem esse tipo de autorrevisão moral.

Teshuvá (תשובה), em hebraico, significa literalmente “retorno”, e no contexto judaico, refere-se a um profundo processo de arrependimento, autotransformação e retorno ao caminho de Deus ou à retidão, indo além do simples remorso para incluir mudança de comportamento e reconciliação. É um conceito central no judaísmo, especialmente durante os Dez Dias de Teshuvá (entre Rosh Hashaná e Yom Kippur), simbolizando a oportunidade de corrigir erros e restaurar a alma, sendo um retorno de todo o coração ao propósito divino. 

Principais aspectos da Teshuvá:

  • Retorno: A ideia central é voltar para um estado de pureza ou para Deus, de onde a pessoa se desviou. 
  • Arrependimento: Envolve reconhecer o erro, sentir pesar, confessar (diante de Deus) e, crucialmente, mudar o comportamento. 
  • Autotransformação: O objetivo é uma mudança ética e espiritual duradoura, não apenas um sentimento passageiro de culpa. 
  • Prática: Implica em atos concretos de correção, buscando a justiça e a retidão, e pode envolver reconciliação com o próximo. 
  • Baal Teshuvá: Aquele que faz teshuvá é chamado de baal teshuvá, que significa “mestre do retorno”, descrevendo alguém que, por experiência, alcança um nível mais profundo de comprometimento. 

Teshuvá é um convite para um retorno completo e sincero, uma jornada de renovação espiritual e ética, fundamental na tradição judaica. 


(E) Yetzirah — Criatividade

Deus cria o mundo — o homem cria cultura.

O Midrash diz: “Tudo o que Deus criou, deixou incompleto para que o homem completasse.”

A criatividade é vista como co-participação na obra divina.

Yetzirah (יְצִירָה) em hebraico significa “Formação” ou “Criação”, referindo-se ao processo de dar forma à matéria primordial, sendo um dos Quatro Mundos na Cabala (Olam Yetzirah), o reino das emoções e da formação de anjos e almas, e também o nome do antigo e enigmático texto místico judeu, o Sefer Yetzirah (Livro da Formação), que descreve a criação do universo através das letras do alfabeto hebraico e das sefirot. 

Em Contexto:

  • Os Quatro Mundos (Cabala): Yetzirah é o terceiro mundo, vindo depois de Beriah (Criação) e antes de Assiah (Ação), onde o que foi criado em níveis superiores ganha corpo e forma, predominando as emoções (sefirot de Hesed a Yesod). 
  • Sefer Yetzirah (Livro da Formação): Um texto esotérico fundamental que detalha como Deus criou o cosmos usando as 22 letras hebraicas e as 10 sefirot (números/princípios), sendo um guia para a meditação e para entender os segredos da criação. 
  • Significado Literal: A palavra também pode se referir a qualquer objeto criado ou à própria ação de criar (como uma obra de arte), destacando a ideia de moldar e dar estrutura. 

Em resumo, Yetzirah é um conceito central no misticismo judaico ligado à formação, estrutura, emoção e o processo de manifestação do divino no universo, tanto no nível cosmológico (os Mundos) quanto no textual (o Sefer Yetzirah). 

Deram origem aos quatro elementos clássicos da Filosofia Ocidental: Água, Fogo,Terra e Ar


(F) Kedushá — Capacidade de santificar o tempo e a ação

Deus santifica o sétimo dia — o homem santifica através de rituais, ética, cuidado.

A pergunta rabínica clássica é: “Como o humano, que é limitado, pode criar santidade?”

Resposta: “Porque Deus deu ao homem parte de sua própria capacidade de consagrar.”

Kedusha (קדושה) significa santidade, separação ou consagração no judaísmo, um conceito central que se refere à dedicação a Deus e à elevação acima do mundano, aparecendo tanto como um conceito (a ideia de ser santo) quanto como uma oração (a recitação de versículos sobre a santidade de Deus) durante os serviços religiosos, especialmente na Amidá, simbolizando a união do povo com os louvores angélicos:

  • Ser Separado para Deus: Significa estar distinto do comum, consagrado a Deus, não apenas estar separado, mas separado para um propósito divino, sendo o “totalmente outro”.
  • Elevação: A ideia de elevar-se a um nível mais elevado espiritualmente, usando a mente e o pensamento de uma forma divina.
  • Origem: Deriva da raiz hebraica kadosh (santo), presente na Torá, como em “Sereis santos, pois eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Levítico 19:2).

A Oração Kedushah:

  • Oração Angélica: É uma oração especial recitada quando há um minyan (quorum de 10 adultos), contendo os mesmos versículos que os anjos cantam a Deus (Isaías 6:3 e Ezequiel 3:12). 
  • Significado: Fortalece a conexão entre a oração humana e o louvor celestial, transformando o serviço de oração em um ato de santificação. 
  • Prática: Ao recitar “Santo, Santo, Santo”, os fiéis ficam nas pontas dos pés, simbolizando a aspiração e a elevação, imitando os anjos. 

Diferença de termos: 

  • Não confundir com Kiddush (bênção sobre o vinho no Shabat/festas) ou Kaddish (oração pelos mortos).

Em resumo, Kedusha é a busca pela santidade, separação e dedicação a Deus, expressa tanto em um conceito de vida quanto em orações específicas que celebram a majestade divina. 


(G) Achrayut — Responsabilidade / Cuidado

Deriva de acher (o outro).

O homem é criado à imagem de Deus porque:

“Como Deus sustenta o mundo, o homem sustenta seu próximo.”

“Achrayut” geralmente é traduzido como “responsabilidade”, embora suas conotações sejam sutilmente diferentes. É amplamente utilizado em todo o mundo judaico.

Nas comunidades ortodoxas, “achrayus” é empregado coloquialmente como a responsabilidade religiosa que se tem de melhorar ou retificar uma determinada situação.

No hebraico moderno, “achrayut” é uma palavra muito usada em círculos políticos e militares, denotando a responsabilidade dos comandantes pelos sucessos e custos de suas decisões.


(H) Tiferet — Harmonia entre opostos

Na Cabala, Deus é a unidade que integra forças antagônicas.

O homem, criado à sua imagem, é chamado a:

  • equilibrar razão e emoção,
  • justiça e misericórdia,
  • verdade e paz,
  • coragem e humildade.

Tiferet (ou Tiphareth), na Cabala, significa “Beleza” e representa o ponto de equilíbrio e harmonia na Árvore da Vida, fundindo opostos como a bondade (Chesed) e a disciplina (Gevurah) para criar compaixão, beleza e a verdadeira imagem de Deus no homem, sendo associada ao Sol e ao autoconhecimento. É a sephirah que reflete a glória divina de forma compreensível e o centro da experiência espiritual humana.  

Principais Significados e Conceitos:

  • Beleza e Harmonia: Sua tradução literal é beleza, representando a harmonia resultante da união de forças opostas. 
  • Equilíbrio: Combina Chesed (amor/benevolência) e Gevurah (força/severidade) para que a Luz Divina possa ser recebida sem sobrecarregar os seres criados, criando misericórdia e compaixão. 
  • Centro: Ocupa o centro da Árvore da Vida, atuando como um espelho do todo e um ponto de conexão entre as sefirot superiores e inferiores. 
  • Autoconhecimento: No ser humano, está ligada à clareza, autoconfiança, e à percepção de si mesmo em equilíbrio, sendo um caminho para o autoconhecimento e a iluminação. 
  • Correspondências: Simbolizada pelo Sol (doador de vida e luz) e pela letra hebraica Shin (ש). 

Tiferet é onde a energia divina, amorosa e restritiva se fundem para criar uma realidade bela e sustentável, manifestando a glória de Deus de forma acessível e refletindo o “Eu” mais elevado do indivíduo, que é um microcosmo do universo. 

Tiferet (ou Tiphareth), na Cabala, significa “Beleza” e representa o ponto de equilíbrio e harmonia na Árvore da Vida, fundindo opostos como a bondade (Chesed) e a disciplina (Gevurah) para criar compaixão, beleza e a verdadeira imagem de Deus no homem, sendo associada ao Sol e ao autoconhecimento. É a sephirah que reflete a glória divina de forma compreensível e o centro da experiência espiritual humana.  

Principais Significados e Conceitos:

  • Beleza e Harmonia: Sua tradução literal é beleza, representando a harmonia resultante da união de forças opostas. 
  • Equilíbrio: Combina Chesed (amor/benevolência) e Gevurah (força/severidade) para que a Luz Divina possa ser recebida sem sobrecarregar os seres criados, criando misericórdia e compaixão. 
  • Centro: Ocupa o centro da Árvore da Vida, atuando como um espelho do todo e um ponto de conexão entre as sefirot superiores e inferiores. 
  • Autoconhecimento: No ser humano, está ligada à clareza, autoconfiança, e à percepção de si mesmo em equilíbrio, sendo um caminho para o autoconhecimento e a iluminação. 
  • Correspondências: Simbolizada pelo Sol (doador de vida e luz) e pela letra hebraica Shin (ש). 

Em Essência:

Tiferet é onde a energia divina, amorosa e restritiva se fundem para criar uma realidade bela e sustentável, manifestando a glória de Deus de forma acessível e refletindo o “Eu” mais elevado do indivíduo, que é um microcosmo do universo. 


✔️ 3. A Imago Dei possui um conjunto mais amplo

Além dos quatro atributos do Salmo 85:11, a tradição judaica reconhece que a imagem e semelhança de Deus inclui:

AtributoDescrição
EmetVerdade / retidão
ChesedAmor compassivo ativo
TzedekJustiça, responsabilidade
ShalomPaz, harmonia
BinahEntendimento, discernimento
Da’atConsciência moral
RachamimCompaixão profunda
YetzirahCriatividade
KedusháCapacidade de santificar
TeshuváRetorno, recomeço
AchrayutResponsabilidade pelo outro
TiferetIntegração de opostos

Esses atributos formam a visão judaica daquilo que faz o humano ser humano.

Como isto é passado na prática

Extraio de “Vestindo o corpo moral” do Rabino Nilton Bonder: Verdade e suas vestimentas

No texto de Gênesis, Deus diz: “Façamos então O homem!” (Gen 1:26). O Midrash especula sobre essa forma plural  – “Façamos”-, interrogando-se sobre os interlocutores com quem estana Deus comentando ou se aconselhando nessa fala. Uma das explicações é que Deus estaria argumentando com os Atributos da Criação.

Rabi Shimon disse: “Quando o Criador decidiu criar o ser humano, os anjos formaram duas facções: uma dizendo ‘Sim que seja criado!’ e outra dizendo ‘Não, que não seja criado!’. Por isso está escrito (Salmos 85:11): ‘A Misericórdia e a Verdade se debateram; a Justi􀁢a e a Paz se beijaram.’ A Compaixão disse: ‘Que o humano seja criado porque disseminará atos de compaixão!’; A Verdade disse: ‘Que não seja criado porque ele será um amontoado de falsidades!’; A Justiça disse: ‘Que seja criado porque será capaz de discernir com retidão!’; A Paz disse: ‘Que nao seja criado porque proliferará a discórdia!’

Com esta situação de indecisão, o que fez O Criador? O Criador tomou a Verdade e a derrubou no chão. Os anjos ficaram atordoados: ‘Soberano do Universo, por que desprezas aquela que é o Teu Selo e Tua Chancela?’
Deus respondeu: ‘Deixe que a verdade se eleve desde o chão!’ Como está escrito (Salmo 85: 12): ‘A verdade brotará da terra e a justiça olhará desde os céus.”‘ (Midrash Raba, Gênesis, 8:5)

Nessa exegese da criação do ser humano, a consciência é uma faculdade que tem como custo a Verdade. As características da consciência são rejeitadas tanto pela Verdade quanto pela Paz porque as antagonizam. O ônus para a criação da consciência é a abdicação da Verdade. A Paz permanece, mas sem sua força-casal com a Verdade, ela sempre se fará temporária. Não haverá Paz permanente enquanto a Verdade não for resgatada e reinstalada brotando do chão e saindo do exílio a que foi submetida.

O predicado maior da consciência é o discernimento. Ele permite tanto as argumentações que estabelecem a justiça quanto as identificações que instituem as empatias e as compaixões. Esses atributos da Justiça e da Compaixão saem privilegiados com a criação da espécie consciente. No entanto, essa mesma consciência só pode existir vestindo, cobrindo a verdade. Pelo fato de o Eu, em essência, não existir, a verdade ofuscaria a possibilidade da imaginação e das imagens que a constituem. Sem imagens não é possível ver a si próprio porque não existe um “si próprio”. A morte, que é o desfazer de todas estas composições de imagens, e por essa razão denominada na tradição judaica de emet, a verdade.
Quando a verdade brota do chão, nossa presença fica ameaçada. Mais do que isso, a frase do Salmo “Emet Me-arets Titsmach” (A verdade da terra brotará!) forma com suas iniciais a palavra emet. Talvez não seja coincidência o fato de que é o mesmo chão que engole o nosso corpo, e a partir daí reencontramos a verdade em toda a sua nudez. Só  a morte terá a capacidade de restaurar em plenitude a Verdade.
O Maguid de Dubnov, um dos grandes contadores de histórias da tradição chassídica, assim apresenta a questão da Verdade:

Uma das “Vestimentas” da Verdade

Historia apresentada na peça “A alma imoral”, do mesmo autor, na qual uma mulher muito pobre procura um rabino para que avalie se a galinha que ela iria preparar para seus filhos estava dentro das normas dietéticas da tradição. Ela foi recebida pela mulher do rabino, que lhe pediu para aguardar enquanto consultava o marido. O rabino olhou a galinha e consultou seus livros, depois tornou a olhar para a galinha e a consultar os livros e por fim determinou que a galinha não atendia as normas da tradição. Entao a mulher do rabino foi até a senhora e lhe informou que a galinha estava em perfeiras condições para o consumo. O rabino, ouvindo o que a esposa dizia, veio ter com ela assim que a senhora partiu: ”Por que voce nao transmitiu a ela a verdade como eu lhe disse?” Respondeu a mulher de imediato: ”Porque voce olhou para a galinha e olhou para os livros, olhou para os livros e olhou para a galinha e disse que não estava em condições! Ja eu, olhei para a galinha e olhei para mulher, olhei para a mulher e olhei para a galinha e disse que estava de acordo!”

Existe uma variação desta história onde o Rabino percebendo a sistuação e vendo que a galinha é inadequada, pede ao filho que vá ao mercado e compre uma galionha que atende as condições e a substitue sem que a mulher perceba.