O Sabor da Vida e as Olimpíadas de Paris 1924

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O Sabor da vida é um filme francês estrelado por Juliette Binoche e seu ex marido (1998/2003) Benoit Magimel que foi candidato oficial da Academia Francesa ao Oscar de melhor filme. É dirigido pelo franco vietnamita Tran Anh Hung e é uma mistura de três coisas: 1- Festa de Babette, 2- “The Passionate Epicure: La Vie et la Passion de Dodin-Bouffant”,“O Epicuro Apaixonado: A Vida e Paixão de Dodin-Bouffant”, de Marcel Rouff. e 3- as impressões do Diretor do filme sobre a forma que a cultura francesa encara a realidade ou a existência.

Antes de detalhar cada uma destas 3 coisas, temos que ter em mente a moldura que está por trás deste aspecto da cultura francesa: O Epicurismo.

Epicurismo

Vamos à explicação do titulo da obra que deu origem ao filme.

Um epicurista é alguém que segue ou aprecia as filosofias do filósofo grego Epicuro, que viveu entre 341 e 270 a.C. Epicuro fundou uma escola de pensamento conhecida como Epicurismo, que enfatiza a busca do prazer e a evitação da dor como o caminho para alcançar a felicidade. No entanto, a definição de “prazer” no contexto epicurista é mais sutil do que a simples busca por indulgência física.

Princípios do Epicurismo:

  1. Prazer e Felicidade: Para os epicuristas, o objetivo principal da vida é alcançar a felicidade através da busca de prazeres moderados e a evitação de sofrimentos desnecessários. No entanto, eles advogam por prazeres mais elevados e duradouros, como o prazer intelectual e a tranquilidade da mente, ao invés de prazeres efêmeros e corporais.
  2. A Vida Simples: Epicuro ensinava que uma vida simples e autossuficiente, com a companhia de amigos e o cultivo da mente, era o caminho para a felicidade. Ele acreditava que muitos desejos humanos são desnecessários e que a verdadeira felicidade pode ser alcançada ao satisfazer apenas necessidades básicas.
  3. Ausência de Dor (Ataraxia): Uma das ideias centrais do epicurismo é a ataraxia, ou a ausência de perturbação na mente. Para Epicuro, a paz de espírito e a ausência de ansiedade ou medo eram essenciais para uma vida feliz.
  4. Medo da Morte e dos Deuses: Epicuro também argumentava que o medo da morte e dos deuses era irracional. Ele acreditava que a alma é mortal e que os deuses não se envolvem nos assuntos humanos, portanto, não há razão para temer a morte ou as divindades.

Na cultura moderna, o termo “epicurista” às vezes é usado de forma mais ampla para descrever alguém que aprecia os prazeres da vida, especialmente em termos de comida e bebida gourmet, sem necessariamente seguir os princípios filosóficos mais profundos do epicurismo.

Acho que a explicação porque os franceses estão ficando ara trás e permitem a barbaridade da abertura das olimpíadas é que se tornaram um bando de epicuristas…

Vamos ver em detalhes os três aspectos que deram origem ao filme

A Festa de Babette

“ A Festa de Babette ” é um conto escrito por Karen Blixen (também conhecida como Isak Dinesen ), publicado originalmente em 1950 como parte da coleção “ Anedotas do Destino ”. A história gira em torno de temas de sacrifício, arte, altruísmo e o poder transformador da beleza e da indulgência.

A preocupação central em “A Festa de Babette” pode ser compreendida através dos seguintes temas-chave:

  1. Sacrifício e Abnegação: A história retrata os sacrifícios altruístas feitos pelas duas irmãs idosas, Martine e Philippa, que desistiram de seus desejos e oportunidades pessoais pelo bem de sua comunidade religiosa. Elas priorizam o bem-estar dos outros acima de sua própria felicidade, o que leva a uma vida de simplicidade e abnegação.
  2. Arte e Criatividade: Babette, uma refugiada da turbulência política na França, traz suas habilidades culinárias excepcionais para a comunidade. Sua arte na culinária se torna uma metáfora para a expressão criativa e o potencial da beleza para enriquecer e elevar vidas humanas.
  3. Transformação por meio da Indulgência: O banquete extravagante que Babette prepara para a comunidade representa um momento de indulgência e prazer sensorial que contrasta com o estilo de vida ascético dos moradores. Por meio desse banquete, a arte e a generosidade de Babette transformam os participantes, libertando-os momentaneamente de suas crenças e inibições rígidas.
  4. O poder da beleza: a comida requintada e a experiência sensorial do banquete despertam emoções e desejos adormecidos nos moradores, lembrando-os da alegria e da beleza da vida.
  5. Redenção e Graça: O ato de Babette de preparar o banquete também é um ato de redenção pessoal. O banquete serve como um veículo para a graça, simbolizando o potencial para a transformação espiritual e emocional.

No geral, “Babette’s Feast” explora os temas de sacrifício, arte, indulgência e o potencial para que as conexões humanas sejam aprofundadas por meio de experiências compartilhadas. A história destaca a tensão entre abnegação e autoindulgência, e enfatiza a capacidade da arte e da beleza de inspirar mudanças profundas e momentos de graça.

A genealogia de A Festa de Babette pode ser vista no excelente artigo intitulado “ Não foi por sua causa”, Sobre a leitura de A Festa de Babette, de Isak Dinesen/Karen Blixen. Christian M. Hermansen 

Além da exploração dos mesmos temas, catalisados através de uma refeição, a seleção dos vinhos dos dois filmes é a mesma, especialmente o Clos de Vougeot de 1846, que é idêntica.

A Vida e Paixão de Dodin-Bouffant”, de Marcel Rouff.

“La Vie et la Passion de Dodin-Bouffant, Gourmet” do escritor suíço Marcel Rouff é um romance delicioso e bem-humorado que celebra a arte da gastronomia. A história segue Dodin-Bouffant, um epicurista e conhecedor gastronômico, em suas aventuras culinárias. O livro é uma homenagem aos prazeres da alta gastronomia e à busca pela perfeição gastronômica, misturando sagacidade, sátira e profunda apreciação pela culinária francesa. Por meio da paixão de Dodin-Bouffant, Rouff explora temas de arte, cultura e as alegrias da indulgência. É uma leitura encantadora para entusiastas da comida e amantes da literatura francesa.

Em “La Vie et la Passion de Dodin-Bouffant, Gourmet”, Marcel Rouff faz conexões entre as artes culinárias e outras formas de arte, incluindo a pintura. O romance frequentemente usa descrições ricas e vívidas que lembram estilos artísticos, traçando paralelos entre a criatividade e a paixão de grandes chefs e artistas. Essa comparação ressalta a ideia de que cozinhar, assim como pintar, é uma forma de arte que requer não apenas habilidade técnica, mas também criatividade e uma profunda apreciação pela beleza e expressão. As descrições exuberantes e detalhadas no livro evocam o trabalho de pintores que prestam muita atenção à cor, textura e composição.

Por exemplo, o estilo em “La Vie et la Passion de Dodin-Bouffant, Gourmet” compartilha semelhanças com a arte impressionista. Como o impressionismo, que captura momentos da vida com foco na luz, cor e experiência imediata, a escrita de Rouff captura vividamente a essência das experiências gastronômicas. As descrições detalhadas da comida, ambiente e os prazeres sensoriais associados à alimentação evocam o foco impressionista em capturar momentos fugazes e a experiência subjetiva da beleza. Essa escolha estilística aprimora a celebração das artes culinárias no romance como uma busca expressiva e estética.

“La Vie et la Passion de Dodin-Bouffant, Gourmet” pode ser visto como uma celebração da cultura francesa, particularmente suas tradições culinárias, o que pode parecer pretensioso para alguns leitores. O romance idealiza a gastronomia francesa e os gostos refinados associados a ela, retratando esses costumes como um pináculo de conquista cultural. No entanto, esse retrato é frequentemente mais um tributo à arte da alta gastronomia do que uma reivindicação de superioridade. A ênfase está na paixão e dedicação à gastronomia, que pode ser encontrada em muitas culturas, não apenas na francesa.

Eu redigi o parágrafo acima em dúvida, pois o que me veio a mente foi que os franceses adoram “cagar goma”, que é uma gíria usada em português, especialmente no Brasil, para descrever alguém que está se exibindo ou querendo se mostrar superior. É uma maneira informal de dizer que uma pessoa está se achando, ostentando ou tentando impressionar os outros de forma exagerada. É uma expressão coloquial e, dependendo do contexto, pode ser considerada vulgar ou depreciativa.

Aviso ao leitor(a) que estou movido pela experiência da abertura dos jogos olímpicos de 2024, onde a Santa Ceia foi esculhambada com um bando de gente esquisita e não vou reproduzir aqui, porém vou citar a crítica de uma autora inglesa:

Vale a pena traduzir porque é excelente:
O termo “Paedo Perv” é uma gíria depreciativa e ofensiva que combina “paedo”, uma forma abreviada de “pedófilo”, com “perv”, abreviação de “pervertido”. É usado para descrever alguém que se acredita ter um interesse sexual inapropriado em crianças.

Esta é a sua atualização dos Jogos Olímpicos de Paris Paedo Perv.

A tocha foi entregue a um homem e um homem feio vestido como uma mulher ainda mais feia com muita maquiagem e peitos cômicos, como se dissesse que as mulheres não são mais necessárias, que é muito a maneira como Macron opera com sua esposa. (entre aspas – ela é esposa de araque)
As Olimpíadas Paedo Perv então passaram para uma última ceia blasfema composta por artistas drag e trans e um smurf azul.
A maioria deles parece compartilhar o hobby de comer demais. Se fosse a última ceia deles, não seria uma coisa ruim. Um dos esquisitos decidiu deixar sua mão esquerda pendurada para fora de seu short de lantejoulas brilhantes como aquela última tangerina mofada que fica na ultima que fica nos enfeites alaranjados do Natal
Alguém se pergunta o que teria acontecido se essa cena fosse sobre um profeta transando com uma criança de oito anos.
Deve ter sido uma criança não binária de oito anos, presumivelmente não é verdade, teria sido queimada novamente.
Tudo o que podemos dizer neste momento é graças a Deus por Celine Dion que escapou da síndrome da pessoa rígida momentaneamente para trazer um pouco de dignidade aos procedimentos.
Enquanto isso, a câmera corta para imagens de Tom Daley vestido em seus Speedos mais uma vez com seu parceiro Lance Black dando uma surra para os pensamentos de um smurf azul com seu pau para fora.
É isso do primeiro dia dos Jogos Olímpicos Paedo Perv.

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Eu não consigo ficar imparcial para analisar o filme “O Sabor da Vida”, diante de uma barbaridade destas, e concordo plenamente com o ex ministro da cultura francês que declarou que foi um suicídio e minha intenção é mais nesta direção, isto é, examinar a falecida (cultura francesa), mas vou misturar um pouco do que também está lá no bom sentido, ou no sentido nobre, ou no sentido sofisticado e de alto nível, com o qual a cultura francesa está associada.

Voltando a “La Vie et la Passion de Dodin-Bouffant, Gourmet” o estilo do autor compartilha semelhanças com a arte impressionista. Como o impressionismo, que captura momentos da vida com foco na luz, cor e experiência imediata, a escrita de Rouff, e por consequência o filme, captura vividamente a essência das experiências gastronômicas. As descrições detalhadas da comida, ambiente e os prazeres sensoriais associados à alimentação evocam o foco impressionista em capturar momentos fugazes e a experiência subjetiva da beleza. Essa escolha estilística aprimora a celebração das artes culinárias no romance como uma busca expressiva e estética.

A cena do pedido de casamento dele é uma reprodução do Déjeuner sur l’Herbe de Édouard Manet e a mulher nua na relva tem relação com a cena da Juliette Binoche nua, que é bem complicada e requer um quilo de sal para entender o que está por trás. No verbete da wikipedia explica.

Uma coisa dificil neste filme e que deixa o espectador em dúvida, principalmente se já tiver tido contacto com o que está por trás do que está vendo, é a nuance muito delicada e rarefeita entre a estética do que está ali e de onde saiu, como por exemplo a cena do pedido de casamento ambientada em cima do quadro de Manet.

Menos evidente, mas também ligada, está na semelhança com “À la recherche du temps perdu” (Em busca do tempo perdido) de Marcel Proust. Ambas as obras exploram temas de memória, experiência sensorial e busca do prazer. O trabalho de Proust é notoriamente centrado em torno das memórias involuntárias desencadeadas por experiências sensoriais, como o gosto de um bolo madeleine, que é paralelo ao foco de Rouff nas experiências sensoriais e emocionais associadas à alta gastronomia. Ambos os autores usam descrições ricas e detalhadas para evocar a natureza efêmera e profundamente pessoal dessas experiências.

As impressões de Tran Anh Hung Diretor do filme

Tenho dificuldade em falar mal dele, pois se tem uma raça que eu admiro são os vietnamitas. E na entrevista que ele deu acima que eu tirei do Youtube, é uma simpatia.
No Brasil não se tem notícia clara que os Estados Unidos foram derrotados na guerra do Vietnã.
Eu sabia disso superficialmente e incrivelmente descobri em detalhe quando estava visitando meu filho que mora nos Estados Unidos ajudando meu neto mais velho a fazer um trabalho escolar examinando a guerra do Vietnã e porque os Estados Unidos foram derrotados.
É uma pena que fuja ao tema que estamos examinando, mas basicamente os americanos (e os franceses), foram derrotados simplesmente por Determinação e Resiliência Vietnamita: A resistência dos vietnamitas, tanto do Norte quanto do Viet Cong no Sul, foi extremamente forte. Eles estavam dispostos a lutar por um longo período de tempo, suportando grandes sacrifícios. Uma coisa sensacional quando examinada em detalhe foram suas Estratégias de Guerrilha: O uso de táticas de guerrilha pelo Viet Cong, aliado ao apoio logístico e militar do Vietnã do Norte, que tornou impossível para as forças americanas derrotarem os combatentes vietnamitas.

Mas, em que pese a competência, o esmêro e o talento com que Tran Anh Hung realizou este filme, ele fez mesmo foi um assalto ao arquivo e uma celebração de uma cultura que não é a dele e que teve uma relação complicada com seu pais de origem.

Além de que o momento não ajuda… Como pode toda esta sofisticação, este admirável “savoir de vivre”, estes gases tão nobres, verdadeiros eflúvios do paraíso, ter uma besta como o Macron mandando e estar nas mãos de gente como a que fez a abertura dos jogos olímpicos, não dá para entender. Além de, pelo menos para mim, deixar um sabor amargo que é tudo falso.

O Vietnã foi uma colônia francesa de meados do século XIX até 1954, parte da Indochina Francesa. Esse passado colonial deixou um legado complexo, com influências culturais, arquitetônicas e culinárias que ainda são evidentes em ambos os países.

A França tem uma comunidade vietnamita significativa, composta por imigrantes e descendentes de vietnamitas que chegaram em diferentes períodos, especialmente após a Guerra do Vietnã.

No Vietnã, a língua francesa ainda é ensinada em algumas escolas e universidades, e é falada por uma minoria de vietnamitas, especialmente entre as gerações mais velhas.

Fato da vida é que a quinta essência da cultura francesa está sendo apresentada baseada num autor suiço, num filme dirigido por um vietnamita e, principalmente apoiada como representante oficial por uma ala da politica francesa que está por tras da abertura dos jogos olímpicos, e que é progressista

Isso não tira os méritos do filme, mas é uma metáfora perfeita sobre o que está acontecendo com a França.

Embora eu tenha dito que não iria mostrar a abertura, vou abrir exceção, porque vale a pena ver o que está acontecendo:

Composição atual da população francesa

Em termos numéricos

A França tem cerca de 65 milhões de habitantes na Europa mais uns 2 ou 3 milhões em territorios ultramarinos, no censo de 2022.

Pelo menos 25 milhões, senão mais, são imigrantes, metade muçulmanos.

Títulos ou nomes do filme

No Festival de Cannes de 2024 o filme foi apresentado como La Passion de Dodin Bouffant,” e inicialmente foi apresentado ao publico americano como “The Pot-au-Feu,” O Pot-au-Feu”. O pot-au-feu é um prato tradicional da culinária francesa, conhecido como um cozido de carne e vegetais. A tradução literal do termo seria “Pote no Fogo”, mas geralmente é mantido o nome original em francês, “pot-au-feu”, para se referir especificamente a esse prato tradicional.

Porém, como Anatomia de uma queda venceu em Cannes e como a diretora criticou o governo, ele foi excluido para representar a França no Oscar.

Toda a critica elogia O Sabor da Vida, porem a bilheteria dele foi 5 milhões de dólares e a do Anatomia de uma queda 35 milhões de dólares.

Juliette Binoche, em entrevista sobre o filme, parece desculpar-se insistindo que foram escolhidos e não fizeram nada para promover o filme e apenas se dedicaram de corpo e alma ao roteiro.

Uma palavra sobre o vinho e a comida

Para efeito de comparação e para entender um dos argumentos do filme, desmontar seria mais preciso, temos que pegar a receita do Pot au Feu:

Aqui está uma receita clássica de pot-au-feu, um prato tradicional francês que é basicamente um cozido de carne e vegetais. É simples, mas delicioso, e é perfeito para um jantar acolhedor.

Ingredientes

Para a carne e vegetais:

  • 1,5 kg de carne de boi (uma combinação de ossobuco, peito, paleta ou costela)
  • 1 osso de tutano (opcional, mas adiciona sabor)
  • 2 cebolas grandes, cortadas ao meio
  • 4 cenouras grandes, cortadas em pedaços grandes
  • 4 nabos, cortados em pedaços grandes
  • 4 batatas grandes, descascadas e cortadas em pedaços grandes
  • 3 talos de aipo, cortados em pedaços grandes
  • 1 alho-poró grande, cortado em pedaços grandes
  • 1 bouquet garni (um amarrado de ervas que pode incluir louro, tomilho, salsinha, etc.)
  • Sal grosso e pimenta-do-reino a gosto

Para servir:

  • Pão francês ou baguete
  • Mostarda Dijon
  • Cornichons (picles pequenos)
  • Flor de sal

Instruções

  1. Preparar a Carne e o Caldo:
    • Coloque a carne e o osso de tutano (se estiver usando) em uma panela grande e cubra com água fria. Leve ao fogo e deixe ferver. Quando começar a ferver, abaixe o fogo e deixe cozinhar por alguns minutos para que a espuma se forme na superfície.
    • Escorra a água e lave a carne para remover as impurezas. Isso ajudará a obter um caldo claro e limpo.
  2. Cozinhar o Pot-au-Feu:
    • Retorne a carne para a panela limpa e adicione água suficiente para cobrir completamente a carne. Adicione o bouquet garni e uma boa pitada de sal grosso.
    • Leve a panela ao fogo e deixe ferver. Em seguida, abaixe o fogo e cozinhe lentamente por cerca de 2 a 2,5 horas. Durante o cozimento, retire a espuma e a gordura que se formarem na superfície para manter o caldo claro.
  3. Adicionar os Vegetais:
    • Adicione as cebolas, cenouras, nabos, aipo e alho-poró à panela. Cozinhe por mais 30-40 minutos, ou até que os vegetais estejam macios e a carne esteja bem cozida e macia. Nos últimos 20 minutos, adicione as batatas.
  4. Servir:
    • Retire a carne e os vegetais da panela e arrume-os em uma travessa. Coe o caldo e sirva em uma tigela separada, para que cada pessoa possa adicionar conforme desejado.
    • O pot-au-feu é tradicionalmente servido com pão francês ou baguete, mostarda Dijon e cornichons. Você também pode adicionar flor de sal à mesa para temperar a carne.

Dicas:

  • O pot-au-feu pode ser preparado com antecedência, pois os sabores só melhoram com o tempo. É comum preparar o prato no dia anterior e depois aquecê-lo antes de servir.
  • Se desejar, você pode servir o osso de tutano como uma entrada, espalhando o tutano sobre o pão com uma pitada de sal.

O Chef, personagem central do filme, pede para a menina candidata a aprendiz e com excepcional talento para gostos e habilidades que fazem uma cozinheira que sinta o gosto do tutano e elabora uma teoria que somente o tempo poderia dar a ela noção do que estava percebendo.

O tutano, que é a substância gordurosa encontrada dentro dos ossos, especialmente nos ossos longos de animais como vacas, tem um sabor rico e único que é bastante apreciado na culinária. Seu gosto especial pode ser descrito como:

  1. Untuoso e Rico: O tutano é extremamente gorduroso, o que lhe confere uma textura aveludada e um sabor rico e cremoso. Essa qualidade untuosa é semelhante à da manteiga, mas com uma profundidade de sabor mais complexa.
  2. Umami: O tutano é uma fonte natural de umami, o quinto gosto que é frequentemente descrito como saboroso ou salgado. Esse perfil de sabor é intenso e satisfatório, muitas vezes comparado ao sabor da carne assada ou ao caldo de carne.
  3. Sabor de Noz: Algumas pessoas percebem um leve sabor de noz no tutano, o que contribui para sua complexidade e profundidade de sabor.
  4. Levemente Adocicado: Há também uma leve doçura natural no tutano, que complementa seus sabores salgados e umami.
  5. Sabor Sutil de Carne: Por ser parte do osso, o tutano tem um sabor que lembra a essência da carne, mas de forma mais delicada e sutil.

O tutano é apreciado em várias culturas culinárias por essas qualidades e é frequentemente usado como ingrediente em pratos sofisticados ou como uma iguaria por si só. É comum ser assado e servido em pratos, com uma pitada de sal e, às vezes, acompanhado de pão torrado para contrastar com sua textura cremosa.

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Considerações finais

Penso que é um paradoxo intransponível tentar transmitir experiências sensoriais que exigem experimentação real sendo retratadas apenas com texto escrito ou por meio mais sofisticado como o cinema.
Para saber como é o “Real Thing”, ou a coisa mesmo em si, tem que passar pelo nosso sistema sensorial.
Vira um vasto Bla bla bla e se não for salvo pelo talento de uma Karen Blixen, como na Festa de Babette, fica uma coisa tediosa e uma ginástica mental ficar procurando entender cada metáfora estética, cada referência cultural, cada filigrana sofisticada que a frescura da cultura francesa tenta impingir ao mundo como coisa superior.
Ou então uma “Noblesse Oblige” aliviada que parece mais a fábula do rei nú apresentando suas roupas que somente pessoas altamente capacitadas conseguiam ver.

Eu sou mais o menininho que dedurou o esquema…

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