Os Tempos e os Momentos

Tempo e Momento

Tempo é uma das poucas coisas sobre as quais todo mundo tem uma opinião — e ninguém sabe ao certo o que é.
A física quântica e a filosofia concordam, cada uma à sua maneira, num ponto desconcertante: passado e futuro não existem como realidades independentes. São construções da mente — o passado é feito de memória, o futuro é feito de expectativa. O que existe de fato é apenas o presente.
Mas o presente não é um instante. É um momento — e momentos têm tamanhos diferentes.
Há momentos que duram um segundo e ficam para sempre. E há momentos que se estendem por meses, às vezes anos, e que só reconhecemos como tal quando já passaram — quando olhamos para trás e percebemos que havia uma unidade naquilo tudo, um capítulo que estava se escrevendo enquanto vivíamos dentro dele sem saber o título.
Por isto é que existe Tempo e tempos… e nos referimos a coisas bem diferentes quando usamos a mesma palavra e dizemos: “naquele tempo….” ou “os tempos eram outros…”
Meu filho mais velho está vivendo um desses momentos agora. Com um dos filhos já formado e o outro em vias de, está entrando no momento que     o ninho fica vazio.      Eu e Cristina já vivemos isso. Nossos pais viveram isso.      E os pais dos nossos pais, também e assim para trás até onde a memória familiar alcança — e depois ainda mais infinitamente.
E costumamos dizer, com toda razão, quando pensamos nisto: Agora os tempos são outros… Mais quais outros?
Penso no momento que ele e sua esposa estão vivendo e como foi para nós, nossos pais e avós.
Este momento dele e da Kenia é o momento em que o ninho fica vazio. Em que o dever cumprido e a saudade chegam juntos, misturados de um jeito que não tem nome preciso. Em que você olha para aquele ser que partiu e pensa simultaneamente “conseguimos” e “o que será que vai acontecer com nosso filho?”
A educação abre uma porta. Mas é      nosso filho, na pessoa que ele está se tornando — que tem que dar os passos e andar no caminho.

Como nós, nossos pais e avós o fizeram.
E aí entram três coisas que fazem toda a diferença.
O momento oportuno — porque há épocas melhores e piores para determinadas travessias, e quem parte com o vento a favor tem uma jornada diferente de quem parte contra ele.

Ou seja, o momento em que o casal decide formar família e as condições do contexto, que pode ser com o vento a favor ou contra.
O talento alinhado com o que o momento pede — porque quando o que você é encontra o que o mundo precisa, algo se encaixa de um jeito que nenhum esforço isolado consegue fabricar.
E o mapa interno — que é o mais importante de todos. Não o mapa que os outros desenharam para você. O mapa que você construiu na sua própria cabeça, com seu próprio norte. Esse mapa é o que vai determinar não onde você chega, mas o quanto você está disposto a caminhar para continuar procurando.
Em outros termos — e mais direto: quanto você está disposto a dar de si para perseguir o que sonha?
Essa é a pergunta que cada geração herda da anterior. E que cada um, no final, responde sozinho.

Embora tenha sido este o momento para todos os casais que compuseram nossa família que me motivaram a fazer este post, vou usar como exemplo, já que sei bem como foi, nosso momento, o que deu origem a ele, que foi quando nos decidimos a casar e formar uma família.
Estes momentos nossos, ainda estão vividos na nossa imaginação e vou apresentá-los e, depois, vou apresentar como imagino que foram para nossos pais e avós.

Cristina e Roque

O Começo de Tudo

Cristina tinha acabado de receber o diploma de professora e estava prestes a iniciar sua carreira no Imaculada. Eu, por minha vez, havia completado o curso secundário de forma tortuosa — primeiro no Culto à Ciência, depois no Colégio Diocesano, onde me matriculei, pois tinha abandonado o ultimo ano do secundário no Culto à Ciência, por falta do que fazer enquanto aguardava a resolução da minha convocação pelo Exército. Não era exatamente um plano de vida.

Dispensado do serviço militar, fui procurar emprego. O primeiro foi em São Paulo, no frigorífico Swift Armour, onde aprendi os fundamentos de tempos e métodos — cronometragem, análise de processos, a linguagem do chão de fábrica. A experiência era boa. O trajeto, não: ônibus às cinco da manhã para chegar às sete. Durou pouco. Como eu estudava à noite, ia lá para dormir e acabou que abandonei o curso.

A saída veio pela Lever, que havia comprado a Gessy e queria expandir sua operação no Brasil introduzindo dois produtos que simplesmente não existiam no mercado brasileiro até então — maionese e detergente. Abriram muitas vagas. Peguei uma.

Enquanto Cristina construía sua carreira de professora com a disciplina e a determinação que sempre a caracterizaram, eu andava atrás de carros velhos. Não era bem a imagem de solidez que uma moça sensata procura num pretendente.

Desde o primeiro momento em que nos vimos, eu sabia que ia me casar com ela. Ela, observando que eu não aterrissava, ficava razoavelmente na dúvida.
Cristina ainda não era a Teté — mas já sabia que, daquele jeito, nunca seria.
Colocou ordem na casa com a objetividade que viria a definir sua vida inteira e sentenciou, com uma clareza que não deixava espaço para interpretação: Você tem que se definir no que eu sou para você e o que vai fazer com isso!

Não foi exatamente assim. Mas não dá para publicar como foi.
Fizemos as contas — quanto custaria casar e montar uma casa. O número era por volta de 800 unidades monetárias da época, seja lá o que isso representasse em moeda estável, o que no Brasil dos anos 60 era uma questão filosófica em aberto.
Parei com aquela babaquice de atacar moinhos de vento à lá Dom Quixote e entrei na Bosch, ganhando 1.200 da mesma moeda imaginária — mais que suficiente para inaugurarmos nosso projeto de vida.
A Bosch foi uma escola de verdade. Aprendi tempos e métodos de forma completa, instalando linhas de produção para atender a demanda da Volkswagen, que explodia naquele momento em que o Brasil descobria o automóvel como destino inevitável.
Foi lá que conheci o Schmitt. Trabalhamos juntos, perdemos o contato, ele saíra da Bosch, e um dia ele reapareceu com uma pergunta simples:
“Por que você não vem trabalhar na IBM?”
Que foi o que fiz.
E o resto pode ser visto em: Desenvolvimento e persona profissional de Roque Ehrhardt de     Campos

Nosso ninho nunca ficou vazio

Daniel estudou na Unicamp, que era vizinha de casa e ficou em casa até casar, numa transição muito tranquila. Como somos vizinhos dos pais da Kenia, que, como filha, visita os pais, nunca passou-se muito tempo, mesmo eles vivendo nos Estados Unidos, que não nos visitassem.

Pedro foi para Santa Rita e todo fim de semana voltava. Casou-se e morou aqui na mesma cidade até recentemente ter se mudado para os Estados Unidos, de onde voltou depois de ter ficado lá um ano.

Paulo foi estudar hotelaria no Hawai no inicio dos anos 90, ficou um pouco nos Estados Unidos, voltou para o Brasil uns anos depois. Ficou aqui e depois foi em definitivo para os EUA, creio que em 2008 e virou cidadão americano. Sempre que pode nos visitou.

Para mim, a seguinte imagem me remete a ninho vazio:

Breaking Home Ties” Normam Rockwell

Vou tentar imaginar e repetir estes momentos, do casamento e do ninho vazio, para os casais que foram nossos pais e avós, que nos precederam e tiveram momentos como este que acabo de descrever. Tenho poucas informações sobre alguns, alguma informação sobre outros e quase nenhuma, por exemplo, dos pais da mãe de Cristina. A solução que dei para isto foi criar uma narrativa baseado no que se pode imaginar sobre a época e as informações disponíveis, claro que com ajuda de Inteligência Artificial.

Estas narrativas são encontradas pressionando nos títulos das fotos deles:

Ana e Weimar

Rute e Lindolpho

Pedro e Clara

Paulo e Julia

Nenê e João

Alberto e Zuleika

Ana e Weimar

Ana nasceu em 1916 e Weimar em 1918. Consta que ele a via quando ia para a Escola Normal olhando o movimento da rua onde ela ficava na janela. Não sei os endereços, mas a atração acabou os aproximando e começaram a namorar.

Eu conheço a letra deles e os bilhetes estão invertidos. Creio que neste momento, eles sabiam que iam se casar.

Eles iniciaram um namoro firme e, enquanto ela trabalhava numa Fábrica de Seda, que ficava perto da casa dela, ele trabalhava como repórter, não sei exatamente em qual dos dois jornais que existiam na época. Acho que foi no Correio Popular, pois não encontro rastro dele nesta profissão pela Internet, mas encontro o João D’Oliveira Toledo, companheiro de viagem eterno, e ele pertencia ao Correio, o que me leva a crer que meu pai também militava lá. Não me lembro de nenhum relato dele trabalhando efetivamente como repórter. Acho que ele escrevia alguma coluna, pois ele sempre teve mania de fazer isto, pela vida toda. Ele conservou o hábito de se considerar como tendo sido repórter e na minha infância, lembro-me de frequentar a Associação Campineira de Imprensa, principalmente nas festas juninas, quando toda a velha guarda de jornalistas de Campinas lá se reunia.

O prédio foi tombado e hoje abriga a Escola D. Barreto.

O prédio original onde o Correio Popular era uma casa na Rua Regente Feijó, que não encontrei nenhuma imagem e, este prédio, que foi construído em 1940, talvez ele tenha trabalhado lá. Na foto ao lado, os dois passeando na Rua Barão de Jaguara.

Tia Linda, Emilia, como a conhecíamos, era a filha mais velha, irmã de minha mãe e que absorveu a responsabilidade do pai que morrera em 1940 e junto com minha avó materna, Julia, enfrentaram a perda e bravamente sobreviveram. Observe o no.80, na mesma rua, Uruguaiana, duas esquinas para baixo, meus pais vieram do interior para morar no 225.

O namoro de meu pai com minha mãe não tinha a aprovação de minha avó Zuleika, mãe de meu pai, porém, quando morreu o pai dela, meu avô Paulo, em 1940, mudou tudo. Meu pai já estava formado e em condições de escolher umas cadeira de professor primário. D. Francisco de Campos Barreto, bispo de Campinas e tio de minha avó Zuleika interviu obrigando-a a aceitar minha mãe, e fez o casamento.

Minha avó Zuleika, por sua vez, estava separada desde 1927 e, com exceção de Wanda, a filha caçula, de meu pai e seu irmão mais velho, Wladimir, os outros três filhos (Wolney, Wolmar e Walton) praticamente tinham tomado rumo da vida que levariam. Na análise do casamento delas, Zuileika e Julia, entro em maiores detalhes.

Meu pai ficou no interior até 1950, quando conseguiu uma cadeira próximo de Campinas, na Holambra, colônia de holandeses, onde foi instalada uma escola, já como Diretor Escolar. Inicialmente fomos morar na Uruguaiana 225 até 1958 quando meu pai comprou a casa na Luzitana 280, onde fiquei até casar.

Para quem tiver tempo e interesse, veja como era viver em Campinas nos anos 50

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Rute e Lindolpho

Lindolpho

E.R.Squibb and Sons

Lindolpho foi selecionado para trabalhar como propagandista, junto aos médicos dos produtos da Squibb. Nunca me ocorreu antes,, mas na verdade, ele pegou uma circunstância parecida com a minha, isto é, chegou no lugar certo, sendo a pessoa certa. Lindolpho apesar de não ter estudo, era extremamente  educado e jeitoso,so, por causa excelente e tinha um trato impecável, que claramente fez com que fosse selecionado para  a seguinte situação que foi a chegada da Squibb no Brasil:

 A trajetória da Squibb é marcada pela transposição de um laboratório fundado em ideais de   pureza absoluta por uma potência farmacêutica que moldou a medicina moderna no Brasil. Fundada em 1858 pelo Dr. Edward Squibb, a empresa nasceu da rejeição ao lucro sobre a vida: o médico recusou-se a patentear seus métodos de purificação de éter, priorizando a segurança cirúrgica global. O “Padrão Squibb” de qualidade tornou-se o DNA da companhia. 

Ao entrar no  Brasil em 1944, em meio à Segunda Guerra Mundial, a Squibb trouxe essa autoridade científica para um cenário que carecia de antibióticos e anestésicos confiáveis. Para atingir a classe médica, a empresa não utilizou uma força de vendas comum, mas sim uma estratégia de  Propaganda Ética, baseada em quatro pilares:

  1. O Propagandista Científico:   Em vez de vendedores, a Squibb utilizava visitadores treinados para discutir farmacologia e estudos clínicos, posicionando-se como consultores técnicos para os médicos.
  2. Educação como Marketing:   Em uma época de difícil acesso à informação, a empresa distribuía monografias e boletins científicos traduzidos, tornando-se a principal fonte de atualização sobre novas drogas (como a Penicilina) para os profissionais brasileiros.
  3. Presença no Consultório:   Através de amostras grátis de alta qualidade e brindes de mesa sóbrios (pesos de papel, calendários), a marca garantia que o “selo de garantia Squibb” estivesse sempre visível no momento da prescrição.
  4. Fidelização Hospitalar:   Ao focar nos grandes hospitais universitários e Santas Casas, a Squibb garantia que os novos médicos aprendessem sua profissão utilizando seus produtos, criando uma lealdade que durava décadas.
  5. O Propagandista Científico:  Em vez de vendedores, a Squibb utilizava visitadores treinados para discutir farmacologia e estudos clínicos, posicionando-se como consultores técnicos para os médicos.
  6. Educação como Marketing:  Em uma época de difícil acesso à informação, a empresa distribuía monografias e boletins científicos traduzidos, tornando-se a principal fonte de atualização sobre novas drogas (como a Penicilina) para os profissionais brasileiros.
  7. Presença no Consultório:  Através de amostras grátis de alta qualidade e brindes de mesa sóbrios (pesos de papel, calendários), a marca garantia que o “selo de garantia Squibb” estivesse sempre visível no momento da prescrição.
  8. Fidelização Hospitalar:  Ao focar nos grandes hospitais universitários e Santas Casas, a Squibb garantia que os novos médicos aprendessem sua profissão utilizando seus produtos, criando uma lealdade que durava décadas.

Produtos que Lilndolpho ajudou a introduzir, inclusive a penicilina que poderia ter salvo a vida de Paulo, pai de minha mãe:

Este era o perfil que Lindolpho preencheu com sucesso e que possibilitou seu casamento com Rute.

Uma curiosidade: Lindolpho ganhou um Jeep Willys e veio escrito no para brisa “E R Squibb & Sons, Inc” e nos remédios aos remédios acima, importados. O nome da empresa presa nos Estados Unidos não tinha o “Inc.” Pesquisei e descobri que o nome com o Inc no fim era apenas para filiais dela instaladas em outros países, que servia para distinguir r da americana para fins administrativos e legais.
Uma curiosidade ou fatalidade: Paulo, pai de minha mãe,  morreu de infecção hospitalar por falta de antibióticos que já existiam mas que ainda seriam introduzidos pela Squibb um pouco depois  de sua morte, em 1940 e a Squibb entrou aqui  em 1944.    

Prova que Lindolpho tinha um emprego diferenciado e foi bem sucedido é que chegou a ter um Chevrolet 38 e, apenas para registro, o pai dele tinha um Chevrolet 49, que às vezes emprestava para eles irem a SP visitar alguem da familia:

Rute não gostava do Chevrolet 38 e o sonho dela era um Morris, que nunca tiveram. Enquanto que Rute subiu profissionalmente, prestando concurso para Educadora Sanitária, que tinha nível universitário, Lindolpho foi atropelado pelo progresso, saiu da Squibb, teve dificuldade para encontrar trabalho e acabou meio encostado no escritório da firma de materiais de construção do seu pai, que era controlada pelo seu irmão Antônio. Lindolpho desenvolveu uma doença autoimune que o mataria antes dos 60 anos, quando Pedro nasceu, em 1976, que o limitava muito e que era percebido pela família e por Antônio como falta de vontade, o que não era verdade. Prefiro não entrar em detalhes, mas ele não foi o que de certa forma este período final da vida dele sugeriu equivocadamente. Lutou um excelente combate e teve muito sucesso não apenas gerando a vida que gerou, mas desempenhando de forma perfeita o papel de pai que entrou no imaginário de suas filhas como um verdadeiro chefe de família que foi.  

Morris

Rute

Rute formou-se professora primária na Escola Normal e consta que foi excelente aluna o que talvez explique como ela conseguiu uma cadeira de professora primária aqui em Campinas, que era o que fazia quando ela e Lindolpho se casaram. Ela era muito inteligente e aplicada e prestou e passou num concurso para virar funcionária do Instituto Agronômico, onde, aliás, trabalhava seu irmão Wady, Wladimir Fera, que era desenhista da Secção de Entomologia Aplicada do Instituto Agronômico de Campinas, e um exemplo do tipo de ilustração que ele fazia pode ser visto na seguinte publicação:

Rute e Lindolpho foram, logo depois de casados, morar junto com a mãe de Rute, Clara Etelvina Bond Collmann, no pavimento superior onde existiu a Padaria Hamburguesa, na rua José Paulino, logo após o Externato são João, que lugar à loja de Móveis. Clara era esposa de Pedro Fera e tiveram os seguintes filhos: Amélia, Wesley, Felicia, Rute, Odete e Wady. Ainda moravam com ela Wesley e  Wady, com quem foram morar juntos Rute e Lindolpho. Entro em detalhes quand circunstanciar Clara ra e Pedro  Fera.  

Antes de casar-se, Rute fez o curso de Educadora Sanitária na USP em S. Paulo e, posteriormente, entrou num concurso e foi aprovada, bastante tempo depois, quando ela abandonou o emprego do Instituto Agronômico e entrou na Saúde Pública.

Rua Bernardino de Campos

É fácill deduzir que se casaram por amor e não tinham meios para ter uma casa separada para criar sua propria familia e se sujeitaram a morar com Vovó Clara e suportar a convivência de Wady, que ainda estava com ela e demoraria um pouco para se se casar. Não há fotos do casamento deles, vestido de noiva, festa, etc. Deviam estar profunddamente apaixonados para ignorar totalmentente a realidade e, simplesmente somente viam um ao outro. Porém, na sequência, também dá para deduzir que os dois foram à luta e lutaram um bom combate, pois alguns anos depois desfrutavam de um padrão de vida excelente pe para a época.

Rute, como funcionaria do Instituto Agronômico, conseguiu um empréstimo no Instituto de Previdência do Estado de São Paulo (IPESP) para construir casa própria, na mesma época do meu pai, 1954/ 1955, sendo que ela construiu a casa onde Cristina iria morar até se casar comigo em 68 e meu pai comprou a casa da Rua Luzitana, 280. Uma curiosidade: Alguns anos depois, Vovó Nenê e Vovô João, apesar dele ter jurado nunca mais iria ter imóveis após a perda da Fazenda que herdara dos pais e ela também, compraram uma casa com empréstimo do mesmo IPESP, pois Nenê era professora primária de carreira. Conto mais detalhes quando discutir as circunstâncias deles.

Rua Álvaro Muller, 931

Esta casa era perto do Externato Imaculada e Rute conseguiu com as freiras que suas três filhas lá estudassem, o que as educou, melhor, moldou, num padrão non plus ultra, como se fossem do calibre que na época era o melhor tipo de educação que se podia conseguir.

Pedro e Clara

Pedro morreu em 1949, quando Cristina tinha 4 anos, por isso as memórias e informações sobre ele são poucas e um um tanto confusas.
Ele foi funcionário da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e não sei qual era o nome da sua função, mas não era maquinista, Ele atuava dentro dos vagões, provavelmente coletando as passagens e com certeza ligado ao restaurante, talvez como cozinheiro, de onde ele trazia comida que sobrava, frutas que não foram consumidas, de volta do trabaldo trabalho e era uma festa para as filhas e filhos dele.
A propósito, tanto ele como Clara eram excelentes cozinheiros, sendo que ele tinha fama de ser melhor, pois quando decidia cozinhar, ia no Mercadão de Campinas e cuidadosamente selecionava o que ia cozinhar, os temperos e preparava memoráveis refeições que são lembradas até hoje.
Clara, por sua vez, extremamente econômica, conseguia preparar refeições sem comprar nada, com coisas que ela colhia de sua horta, conseguia preparar refeições e, provavelmente de um galinheiro. Ela plantava salsinha e chás, erva doce, horalsinha e chás, erva doce, hortelã, losna, cebolinha, espinafre, serralha, abóbora, alface, tomates, chicória, que Cristina adora e temos alguns destes itens aqui no nosso quintal. Cristina aprendeu a cozinhar com ela.
Vovó Clara tinha alguns pratos que só ela fazia que são memoráveis e deliciosos pastelões de carne moída com salsinha e ovos cozidos cortados bem miudinhos que Cristina alega que nunca mais provou, mas que sente o gosto até hoje!

O casamentnto deles não terminou bem e a história deles é bem triste.

CClara ffoii adottadada ppor uma famílma família ppor t ter sidido imimpossívsívell aoss seusus ppaiis a cr a criarem, porém, rem, porém, no iniiniciio do séculéculo XX,XX, e atété em mmeadoss dele, dele, ass famíliass agrgreggavavam cr criaançças emem queque a ssitutuaçãoção dos p paisis nãnão ppermiitia sobsobreviveviveremm jjuntontos e eestatas cr criaançça acabava acabavam ajuajudanddo dde allguma fforrma aas famíílias s dee aadoção.ção. Ela Ela erara dde oorigigemm alalemãmã e allgo mmaiis europopeu.u. ElEle ccom m ceertezteza a a origem egem eraa ddo LLesteste EurEuroppeu,, creicreio qque da Servia. da Servia.

Ela era muito habilidoEla era muito habilidosa e excelena e excelente costue costureira e ceira e conseseguia souia sobreviver com isto, pois Pedro Fera acabreviver com isto, pois Pedro Fera acabou se amasiando com a dona da pebou sensão em que ele ficava em Itirapina e abandamasiando com a dona da pensão em que ele ficava em Itiapinou a família e abandonou aqui família daqui de Campinas. Campinas. Por isto a imagor isto a imagem m dele ficele ficouu ofuscada, ou mofuscada, ou melholhor suj suja ee há umhá uma te tendência para desprezá-lo incldência para desprezá-lo inclusivsive profissionalmen profissionalmente.. Ledo engano! Ele navegou um mar muito maiLedo engano! Ele navegou um mar muito mais s sofisticado e complicado do que este pfisticado e complicado do que este preçoço que ele pagou na sua imagem sugeque ele pagou na sua imagem sugere e fue e fui pr procurar decurar descobrir icobrir isto e co e consesegui o seguinte:ui o seguinte:

  A Jornada de Pedro Fera: O Banquete sobre Trilhos

  • A Partida (Campinas):   Pedro iniciava o dia cedo na Estação de Campinas. Antes de os passageiros embarcarem, ele já estava no   Carro-Restaurante, conferindo o gelo das geladeiras e os suprimentos frescos (carnes, vinhos e o hortifrúti da região). Com seu dólmã branco impecável, ele acendia o pesado fogão de ferro fundido.
  • O Trabalho em Movimento:   Assim que o trem “Rápido” ganhava velocidade rumo ao interior, a cozinha virava um caldeirão. Pedro equilibrava panelas em grades de segurança enquanto o trem atingia   100 km/h. Ele preparava pratos da alta gastronomia (como Filé Chateaubriand) servidos em prataria e cristais para a elite paulista que viajava nos carros de aço.
  • O “Nó” de Itirapina:   Após cerca de 2 horas de trabalho intenso sob o calor das chapas e o balanço dos trilhos, o trem chegava a   Itirapina. Ali, a composição era manobrada e dividida. O turno de Pedro terminava com a cozinha limpa e o estoque conferido para a viagem de volta.
  • O Refúgio na Pensão:   Exausto pela jornada e pelo calor, Pedro evitava os barulhentos alojamentos coletivos da ferrovia. Ele seguia para uma   pensão de confiança&& nbsp;nbsp;na cidade. Lá, ele encontrava o silêncio necessário para descansar, um banho de verdade e alguém que cuidasse da lavagem de seus uniformes brancos, que precisavam estar alvos para o dia seguinte.
  • A Identidade:   Como um legítimo   “Fera”   (sobrenome de provável origem no Leste Europeu ou latina), ele carregava o prestígio de pertencer à aristocracia operária da ferrovia mais rica do Brasil. Pedro não era apenas um funcionário; era o mestre que garantia o luxo e o sabor na “Inglesa”, como a Companhia Paulista era respeitosamente chamada.
  • A Partida (Campinas):  Pedro iniciava o dia cedo na Estação de Campinas. Antes de os passageiros embarcarem, ele já estava no  Carro-Restaurante, conferindo o gelo das geladeiras e os suprimentos frescos (carnes, vinhos e o hortifrúti da região). Com seu dólmã branco impecável, ele acendia o pesado fogão de ferro fundido.
  • O Trabalho em Movimento:  Assim que o trem “Rápido” ganhava velocidade rumo ao interior, a cozinha virava um caldeirão. Pedro equilibrava panelas em grades de segurança enquanto o trem atingia  100 km/h. Ele preparava pratos da alta gastronomia (como Filé Chateaubriand) servidos em prataria e cristais para a elite paulista que viajava nos carros de aço.
  • O “Nó” de Itirapina:  Após cerca de 2 horas de trabalho intenso sob o calor das chapas e o balanço dos trilhos, o trem chegava a  Itirapina. Ali, a composição era manobrada e dividida. O turno de Pedro terminava com a cozinha limpa e o estoque conferido para a viagem de volta.
  • O Refúgio na Pensão:  Exausto pela jornada e pelo calor, Pedro evitava os barulhentos alojamentos coletivos da ferrovia. Ele seguia para uma  pensão de confiança& nbsp;na cidade. Lá, ele encontrava o silêncio necessário para descansar, um banho de verdade e alguém que cuidasse da lavagem de seus uniformes brancos, que precisavam estar alvos para o dia seguinte.
  • A Identidade:  Como um legítimo  “Fera”  (sobrenome de provável origem no Leste Europeu ou latina), ele carregava o prestígio de pertencer à aristocracia operária da ferrovia mais rica do Brasil. Pedro não era apenas um funcionário; era o mestre que garantia o luxo e o sabor na “Inglesa”, como a Companhia Paulista era respeitosamente chamada.

Pedro Fera faleceu em  1949, no auge dessa era dourada, deixando para trás o rastro do apito da locomotiva e o aroma dos banquetes que preparou cruzando o interior.

Paulo e Julia

Julia aos 75 anos, um pouco antes de morrer

<sJ>Julia<!–></s

EEraa extremxtremamentemente quietta ee ssilelencioiosa.. LLembroro ddella ficficarr incommodadaa cocomigogo e c comm a mov movimentmentaçãoção qquee eueu deviavia fazfazer qur quanddo cricriançança iinddo vvissitá-ltá-la,, aoo quque ela,, retruretrucavava: “M”Meninoino cabulabuloso!”so!” (qu(que não ão para de incomododar).). ConConsttavava que nnuncnca hhavvia vvisto o mto o marr e ppraticicamente vvivveu a vidida todtoda nna vvizizinhançça dda ccassa da U Uruguauguaiana 8080, quque fforaa comppradaa em 1918/201918/20.

OO iirmãoo dela, José,José, qque foe foi termerminanar a vida a vida na cacasa delela, tambémambém erra extrxtremammamentente ssillencnciosooso e didianntee de minhinhass estrtrepoliias,s, ababriia unsuns olhlhoss de espantespanto, mmass não ddizizia nada. Lada. Lembrobro dedele duuass coisas:s: as peras pernas s comm pelele semsemitrranspnsparerentete, chheia dde rugass ffininhnhass e e com umuma ttexxturura ssecaca quque llembmbra um pappel antintigo. Outo. Outra coiisa,, eele erera extreextremammente llimpompo ee usavaava ummas camimisass    qu  que ttinham apapenas a “b”bandnda”” do colcolarrinhonho, sem sem ass ponpontass, comocomo osos ppaddres,es, porporem com com tecciddoss colooloriddos.s. HojHoje,, cocom memeus 82 s 82 annos,s, obsbservorvo mminhha ppele esstáá ficicandoo ddo messmo jjeitoito.

A IrA Irmãã dela,a, Q Quindú,ndú, ttacciturnturna, emsimesmemsimesmadada, muituito quiquietta,, pelpelo quque euu ouviouvia, ddevvia tter algumgum titipo de trautrauma quque sese ssupupunhha foifoi pelpela perderda popor abobortto de fde fillhoo, que eela nãoão ttinhnha nnenhnhum.m. Ela erara cacasadaada ccom BBatitistta,, bbonnachão,chão, papareciecia iitaliano,, ccabeçbeça bbranqanquíssíssimma,, que ajudjudarara a connstruirtruir o túntúnel que ligliga a Vil Vila IndInduststrial com a eststaçãoção de trensens e ere era de de uma simpsimpatiatia incincríível,, supsuper agrgradávável c comomo pessoessoa. Eless ttinhamm uuma cas casinha nana RuRua RRegentegente FFeijó,ijó, a duduass ququadrass dda c casasa de de minha avóvó, nnum terrem terreno quque eraa maisis estestreitoto queque oo dda casa doos meeus ppais,s, na LuzLuzittana,na, 280280, que jja erara bbem e estrereitto.. EEle tinha um carcarinho e umum cuicuidadoo comom ella excepcxcepcioonal,al, que ela recebecebia muitto qquiieta semem ffalarlar naada. Nãa. Não mme lembrlembro da da morterte ddelless.

Um detalhe curioso: Maria, ou Mary, como ela gostava de ser chamada, a terceira mulher da familia, depois de Emilia e Ana, nunca teve uma ocupação regular, como minha mãe, que foi trabalhar na Fábrica de Seda, ou Emilia, que se formou na Escola Normal. Era totalmente doméstica, sendo famosa pelo esmero e cuidado em tudo que fazia, especialmente certos doces e bolos que demandavam um ritual complicadíssimo. Ela devia de ter alguma renda provavelmente herdada de Paulo, seu pai. Ela era minha madrinha de batismo e eu a chamava de Madrinha. Para minha surpresa, quando em 1974 eu comprei minha primeira casa, na vilinha, como chamávamos, e a entrada estava muitíssimo acima de minha capacidade e, quem praticamente providenciou o empréstimio, foi ela, que tinha um dinheiro proveniente da venda da casinha de Batista e Quindú que ela herdara. Ela foi a que morreu mais cedo, com uns 55 anos, de AVC. Estávamos nos Estados Unidos e não vimos o enterro.

Madrinha, ou tia Mary e QuindúMadrinha, ou tia Mary e Quindú

<Paulo<!–

EEle mmorrerreu dede infefecçãção ququando jájá exexistia pestia peniciliina,, pporém, ém, nãoão no BBrasasill. Como ttinhha 5050 anos, ttallvezz um poucuco maiis, dev, devia tter naascciddo em 1885, pem 1885, pois dev devia teer sse ccassado em 1915,5, poispois EmíliEmília,, aa ffilhlha maimais velhvelha,, eera dde 19166. CompComproou aa casa da UUruguuguaiaana 8080 em 1918/20,1918/20, doo bbisavôavô do SeSecarearelli,li, quque andavva cononoscoco de jipe em 85/89 jipe em 85/89.
EleEle eera orrigiináário d de S.S.Paulo e nãnão tinhainha nnenhnhumm parparentnte em CamCampinainas.. TTinhnha umm irrmãão,, GGermrmano,, que atingiuatingiu altlto caarggo nna GuGuardrda Civil dCivil de S.PS.Paullo e mme lembbro dde tê-tê-lo visto farfardado vivisitanando mminhnha aavó. Mó. Minhha mãe ãe see reeferiia aaos pparentetes de meuu avôvô PaulPaulo commo “Os”Os WWelendlendorf”, nf”, não ssei poi porqueque e ne nuncnca ffommoss a Sãa São PaulPaulo visitá-itá-los.os. NoNo iiníciio doos aanos 80 80, nãonão sseii poporquque, , alguélguém d delless foi nofoi nos v visiitaar nna LuziLuzitanana 280280 e era uuma ssenhohora ccom uuma m meninna que era iguigualzinzinha ao Pitó…<pitó…
Pr>Paululo titinhha umama sisituuaçãção ddifeferenciciadada papara conseguieguir comprprar pprataticacamente de cara a casa quque abbrigigaria ssua ffamílília.. ElEle erra dono de uuma cácátededra de mmarrceenaria nna EscolEscola B Bentto QuiQuirinino, que ffoii instalada pertrto do CCullto à CCiêênccia,, aliáliás naa mmessmaa rruaa cocom disstâânciia de umuma quadra quadra. </pitó…

Hoje, Hoje, naququele locle locall ffuncncionna o CColégio Téclégio Técniico do de Campi Campinass (COTUCA) n(COTUCA) no pprédédio do iniciinicialmelmente che chamamado EsEscolola PProfissionall BBenntoo QuiriQuirino.. CConsstruídouído com o apoiopoio finfinancnceiiro dde BBentnto QuQuirinrino doos S Santos (1837-1914)ntos (1837-1914), que visavava aa formformaçãção dde umauma escola escola prrofifissionaional mascmasculina lina e grgratuuita,, oo InInsttituttuto ProfiProfissiionnall BentBento QQuirinirino,, que ffoii ininauguugurado emm 2 de 2 de abriril de 1918 à Rude 1918 à Rua C Cultto à Ciêà Ciência,cia, ssendo sundo sua consonstrução rução ininiciadaiada eem 1917. Su1917. Surgiu giu no cocontexto xto da exexpansãansão dasas aatividadividades industs industriaisiais na a cidadeade de Cde Campmpinanas n nass décadas iniciais do sécdécadas iniciais do século XX lo XX e da nda necesscessiddadede dde formação qformação qualificalificadaa ddos trabalhadabalhadoress.
A nA narrarrativva qquee coconsigosigo construir sir sobrebre PaulPaulo,, diadiantte ddo ffatoto de queque eleele era era um dos profefessorsoress qqualificlificaddos quque ddeu ou origegem a estta esc escolla ee pensensandondo queque elee casou sou emm 1915 1915 e ccomproumprou a casa casa em 19201920 é a seé a seguuinte:te: ConConstta ssobrebre elele quque eraa exímioxímio mmarceneiceneiro,, o que que aliásliás ppoddiaa sser vr vissto nos móveis dnos móveis da c casasa dedele,e, queque ele os cole os consstruiu tuiu todos,dos, ee que eque elee teeria vivindo aa CCampmpinnas pparra fazazer alguma c alguma coissa na Catena Catedrrall de de Caampinnas,s, qque é e é tododa de mmadeireira.. A maA madeiraira é o coração da dé o coração da decocoraçãação da Cated da Catedral.al. QQuase ase tododo o inteo interiior r visíisível é dé de jacarandá-da-baía jacarandá-da-baía e c cedro,dro, madeiramadeiras nobr nobres,s, esscuuras e extremextremamentemente resesistentes.
Em 1915, stentes.
Em 1915, a Catedral já estava abejá estava abertta,, masmas aiaindaa rrecebia iebia inteervençõesvenções artístiartísticasas e me mobiliário.biliário. UUm m marceneiro dadaquella épocépoca teriia trababalhahado emm ppeçasças fundfundamenmentaiis, como o, como os bbanncos os da nnave,ve, cucujoo ddetalhlhamentmento i impressssionantenante exigiu refexigiu reforrmasas e e novasovas confconfecçõescções paara aca acomodmodar o crr o cresciscimentoo daa cidcidade. Ade. Aléém dissdisso,, deddedicarriaa sseuu ttalentento aaoss confessconfessioonááriosos ee balcõbalcões, , peçeçass dde mmarcenariarcenaria funfunciional qual que demandavam en demandavam encaixaixess perfeperfeitos,tos, muimuitas s vezeses rereallizadzados sem o uo uso do de pregregoss, apapenas nas com cavom cavilhas lhas de madee madeira. Ora. Outratra frenteente dde trtrabbalholho constantenstante serseria aa mmanutenção do conutenção do coro,o, eestruruturura que sustustentanta o grando grande órgão francê órgão francês ins instalado ado em 1883 m 1883 e que, devido ao que, devido ao peso do insteso do instrumentumento e à ação de cup e à ação de cupinns, ex, exigia cuidadgia cuidados freques frequentes em seu mtes em seu madeiradeiramento o e nas escadas de acesso nas escadas de acesso.

CCampinmpinass erara muimuito rica por conco rica por concentntrarar oos r riccoss ffazenzendeeirross plaplanttadoredores de de caféfé e ate atraia praia profissionaisis para para executar xecutar não somenão somente e obrasbras como a catedral, como tambem as casas, por exemplo, da Av. Júlio de Mesqcomo a catedral, como tambem as casas, por exemplo, da Av. Júlio de Mesquita, equta, equivalevalente à Av. Paulista de S.Paulte à Av. Paulista de S.Paulo e é possível que Bae é possível que Batista testa tenha sido destas pessoas como Paulo sido destas pessoas como Paulo que vveio atio atraídoaído pelpelo t trabalho. Paulo nbalho. Paulo não era catera católico, mas trabalhanco, mas trabalhando no na CatCatedraldral pode tepode ter conh conhecciddo Batista, Batista, que seria seu cunhaseria seu cunhado posto posteriormriormente.<bnte.
Bat>Batiststa trabalhouabalhou na conna construção do túntrução do túnell ppor volt volta de 1918, ce 1918, comomo uum do dos ope operários dários de uuma das ob das obras das de e enggenharnharia mais desafiadoa mais desafiadoras da épas da época.ca. O túO túnelel (of(oficialmialmentente Túnel Joá PenteaTúnel Joá Penteado, o, emborambora o oo original seja o de pedesiginal seja o de pedestrres e carrarroçaças ao laao lado) foi fo) foi feitoito para ligar para ligar o Centro à VilCentro à Vila Ind Industriastrial, passand, passando porpor babaixxo dda vvasta sta malha ferrovalha ferroviáriária da Comda Companhinhia PPaulisulista da de Estra Estradas das de Fe Ferro.
Éro.
É muitmuito provávevável qu que eles se encontr eles se encontrassemsem nna própria própria Catedral. Era Era o ponto dponto de encenconttroo ccomum: o mamum: o marceneiroceneiro qquee ajuajudoou a mante manter a Cata Catedraldral e o o o operárirário do túnel q do túnel que atravetravessava a sava a cididade.de. BatBatista já eta já esttavava compromcomprometidido com com Quindu e pndu e provavelmeovavelmente de alguma fte de alguma formarma fificou au amigigo de de Paulo e o intaulo e o introduziu à duziu à espposasa e PPauloulo conhconheceu Júceu Júlia ttalvezlvez assim.
Possivelmenassim.
Possivelmente se ase apaixaixonou, nou, dececidiuiu fificar e casar car e casar com Júlia e Júlia e paraa isto tinhisto tinha que se estque se estabelecer profibelecer profissionsionalmentelmente.</bnte.

Para ele ter sido admitido na Escola Profissional Bento Quirino, tinha que ter formação sólida e creio que deveria ter se formado mestre marceneiro no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e veio a Campinas para atender os problemas da Catedral. Ao se apaixonar por Julia, decidiu ficar e empregou-se na Escola Profissional Bento Quirino como Professor e daí a explicação para ter podido comprar a casa.

O padrão construtivo do prédio fala por si só, mas para compararmos com paridade com a profissão de professor nos dias de hoje, temos que levar em conta que o ensino, no Brasil, no inicio do século XX.

Catedral de Campinas

Nenê e João

Casal em 1961 Casal em 1961

<Nong>Nenêê — néée Benedita MorMorais TTeixexeiraa e ddeppois adiadicioionouu de SouzSouzag>

A narrativa que vou construir ppara determinnar aquele momomento em que JJoãão deccidiu casar com BBeneedita vai ser feitta a parttir dde uum rrelatto qque CCristitina fez recenttementee, sobre a mmorte dde DDa.. NNenê:nê:

“Ninguém esperava a possibilidade de que minha avó morresse. Ela morreu de um AVC hemorrágico e não me lembro de vê-la acamada ou se queixando de qualquer coisa em relação à saúde. Ela era o elo que ligava todos ao redor.”Ninguém esperava a possibilidade de que minha avó morresse. Ela morreu de um AVC hemorrágico e não me lembro de vê-la acamada ou se queixando de qualquer coisa em relação à saúde. Ela era o elo que ligava todos ao redor.
De repente, uma manhã em que ebr>De repente, uma manhã em que estava se pava se preparandeparando para ir à missa, ela disse algo ao meu avô e ele olhou para ela e percebeu que estava morta.
A casa virou um caos. As para ir à missa, ela disse algo ao meu avô e ele olhou para ela e percebeu que estava morta.
A casa virou um caos. As netas e filhas se desnortearam, chorando alto descontroladas.
Eu procurei meu avô no meio da confusão, sem encontrá-lo.
Ele estava sentado numa cadeira de vime encostada na parede do terraço da casa com vista para o jardim e quando me viu fez um sinal para que eu me sentasse à sua frente.
Fiquei desconcertada e sem poder me esquivar, fui ao seu encontro.
Ele me disse: Fui pedir sua avó em casamento para o pai, sem que tivesse falado sequer uma palavra com ela. Só nos olhávamos. Muitos dias depois, recebi com surpresa a noticia que ela viria me visitar e fiquei abalado.’
Nesse ponto, meu avô chorava, o que fez com que jamais consietas e filhas se desnortearam, chorando alto descontroladas.
Eu procurei meu avô no meio da confusão, sem encontrá-lo.
Ele estava sentado numa cadeira de vime encostada na parede do terraço da casa com vista para o jardim e quando me viu fez um sinal para que eu me sentasse à sua frente.
Fiquei desconcertada e sem poder me esquivar, fui ao seu encontro.
Ele me disse: Fui pedir sua avó em casamento para o pai, sem que tivesse falado sequer uma palavra com ela. Só nos olhávamos. Muitos dias depois, recebi com surpresa a noticia que ela viria me visitar e fiquei abalado.’
Nesse ponto, meu avô chorava, o que fez com que jamais consiga apagar essa inolvidável lembrança.<bra apagar=”” essa=”” inolvidável=”” lembrança.
Olhandolhando bem em meus olhos, disse: ‘Elbem em meus olhos, disse: ‘Ela veio ao meu e veio ao meu encontro chorando dcontro chorando de a alegria! Você conegria! Você consegue pensar o quanegue pensar o quanto ela me fez feliz?’Uma declaraçã>Uma declaração de amor a ela que o ti de amor a ela que o tinha deixado naquele momento, foi comiha deixado naquele momento, foi comigo que ele repartiu a mais encantadora lembrança de sua vida!<bro que=”” ele=”” repartiu=”” a=”” mais=”” encantadora=”” lembrança=”” de=”” sua=”” vida!
A partir daí eu chorei e choro até hoje por ter sido a depositária de bem tão valioso!”A partir daí eu chorei e choro até hoje por ter sido a depositária de bem tão valioso!”

OO anel

Cristina: “Tenho um canto na minha sala de visitas com fotos dos vários casais que formaram as três últimas gerações, algumas foram colorizadas e colocadas neste post.
Numa destas fotos, vovó Nenê, recém casada, aparece enlaçando meu avô sentado. Ela atrás dele com os braços ao redor de seu pescoço e as mãos se encontrando à frente, onde aparece seu anel de formatura de Magistério que ela queria exibir. Fiquei sabendo pelas minhas tias, suas filhas, que isto lhe valeu uma repreensão e o repúdio de sua mãe que ficou sem falar com ela por um tempo, pela ousadia!
Neste evento, está a mais clara demonstração de seu temperamento determinado!
Sempre foi determinada e nunca fez isto por demonstração de altivez ou prepotência.
Ela era super macia e atuava na família de forma discreta, mas precisa.
Na cadeira de professora que assumiu numa fazenda nos arredores de Campinas, ela fazia questão de dar aulas de alfabetização para os filhos dos colonos.
Sua decisão de ir trabalhar acabou lhe rendendo um empréstimo pelo IPESP para comprar a casa na Rua Barbosa da Cunha onde iriam morar até morrer.”

“Ela “Ela tinhha em ababerrtoo uma conuma conta na Fl na Floriculturaricultura e semanalmanalmentente eleles enviavamvam uum rramo frmo frescoco e perfumperfumado qdo que elala ccolocavalocava aaos pés d pés de S. José, que é a gua S. José, que é a guardda daa SSagradagrada FFamíliamília e Patro Patronoo da Igrda Igreja.ja. VVovôvô JJoão ão nununca sa supeperou ou a amargamargura de tterr pperdido dido a ffazenzenda SaSantata CarolCarolinna e ffez um juz um juramamentnto dde nuncaunca mamais comprar imóv comprar imóvel, pl, porémrém, ela, ela, com o finom o financiamentnciamento q que lhlhe erera de dde dirreiito ppelolo IPESP, cIPESP, compmproou uuma cacasa a excelencelente ne na BaBarbbosa da Cunha, pa Cunha, pertorto ddo BBosque dsque doss AlAlemãmães,s, ondeonde eeles iriiriamm morar r até o fité o fim dos sedos seus dias. Pois bes dias. Pois bem, nest, nesta casa elela arrarreggimementoutou umum grupgrupo de ssenhoranhoras p parara arrearrecadar gêneradar gêneross alimentícioslimentícios e e oututros nos nececessáriossários ppara dra dezenazenas dde famílfamílias cares carentes.s. Ela chamEla chamouu o gro gruppo de S. Frde S. Francinciscoco de Assde Assis.. EEla coma comandava ava o grupogrupo ppedidindo às sudo às suas amigas pas amigas participanticipantess colabolaboraçõaçõess mensmensaiisd comm o quo que e ela coomprpravava oos alim alimentos.s. UUma ddass pepessoas qusoas que ela aj ela ajudouou fooi a Ana Ana, quque trabalhava rabalhava em n nossassa casacasa na na vilinhailinha e e eraa irmã dirmã da Ia, e Ia, eternarna empregadampregada dde ttiaa AAmélia élia e babá da Angbabá da Angelala.”

CriCristina tem este tina tem este traçaço, e sempre está e, e sempre está envolvida com ações desta natureza e foi observando sua avó Nenê que isto aconteceu.<brvolvida com=”” ações=”” desta=”” natureza=”” e=”” foi=”” observando=”” sua=”” avó=”” nenê=”” que=”” isto=”” aconteceu.
Uma curiosidade: Vovó Nenê era nascida no dia 29 de Fevereiro, em ano bissexto, casou-se em ano bissexto e morreu em ano bissexto.
Outra curiosidade: “Vovô Uma curiosidade: Vovó Nenê era nascida no dia 29 de Fevereiro, em ano bissexto, casou-se em ano bissexto e morreu em ano bissexto.
Outra curiosidade: “Vovô João teve um mteve um mal esl estar quando moravam numa casa na esquar quando moravam numa casa na esquina da Júlio de Mena da Júlio de Mesquiquita com a Moracom a Moraess Salles e diante dalles e diante do s susto, sto, as filhas falando em enfar filhas falando em enfarte, coe, correndrendo atrás de médico, ela calmame atrás de médico, ela calmamente sentenciou: ‘Calma, Lyte sentenciou: ‘Calma, Lygia (segunda filha), tem tempo, eu vou morrer antes de seu pai’. E morreu mesmo.”ia (segunda filha), tem tempo, eu vou morrer antes de seu pai’. E morreu mesmo.”

<strJg>Joãão BBattista de SouzSouzang></str

Novamente vou relatar o que a Cristina escreveu, em 9 de Janeiro de 20222022, ààs 1919:30:30:

Cristina: “Quarta feira de sol, com brilho em todo o verde e de repente, sinto vontade de começar a relatar o que você, Cristina: “Quarta feira de sol, com brilho em todo o verde e de repente, sinto vontade de começar a relatar o que você, Dani,ni, pediu que eu fizesse, contediu que eu fizesse, contar f fatos,tos, ffalandolando de pessoas que você não conheceu e, você disse: ‘Hoje gostaria de saber de minha mãe, sobre os de pessoas que você não conheceu e, você disse: ‘Hoje gostaria de saber de minha mãe, sobre os fatos e pessoas que   fizeatos e pessoas que  fizeram partam parte de sua vida, e de quem ela de sua vida, e de quem ela nunca me falou’. O pai de meu pai, das figuras que conheci, a que mais se parece com você, Daniel, não fisicamenunca me falou’. O pai de meu pai, das figuras que conheci, a que mais se parece com você, Daniel, não fisicamente, mas em toda a maneira de ser, na linguagem corporal e talvez em sua dimensão humana, acho que é meu avô, pai de meu pai.
Se eu pudesse qualificá-lo, eu diria que foi austero.
Magro, não muito alto, mas elegante em sua maneira de se vestir e de se expressar nos modos e na fala.
Ah! o chapéu!… sua marca registrada! A maneira como o punha e o tirava da cabeça e dependurava no cabide da entrada da casa!…
E o roupão quando ficava em casa, não era roupão, era ‘robe de chambre’ de tecido adamascado em tom de vinho, com camisa que aparecia no decote em V.
Sua herança, que vinha dos imensos cafezais de sua fazenda Santa mas em toda a maneira de ser, na linguagem corporal e talvez em sua dimensão humana, acho que é meu avô, pai de meu pai.
Se eu pudesse qualificá-lo, eu diria que foi austero.
Magro, não muito alto, mas elegante em sua maneira de se vestir e de se expressar nos modos e na fala.
Ah! o chapéu!… sua marca registrada! A maneira como o punha e o tirava da cabeça e dependurava no cabide da entrada da casa!…
E o roupão quando ficava em casa, não era roupão, era ‘robe de chambre’ de tecido adamascado em tom de vinho, com camisa que aparecia no decote em V.
Sua herança, que vinha dos imensos cafezais de sua fazenda Santa Caarololina, dena, desapareceu quando houve a crise do café em 1929 com a quebra da bolsa em Nova York.
Sem um único apareceu quando houve a crise do café em 1929 com a quebra da bolsa em Nova York.
Sem um único tostão, veostão, veio para Campio para Campinass e ente entrou na casa dou na casa de um irmã casada (tia Moça) onde foi aco um irmã casada (tia Moça) onde foi acolhido com suhido com sua mulher, vovó Nenê, e seus doze filhos. Doze filhos!…
Dos filhos e filhas mulher, vovó Nenê, e seus doze filhos. Doze filhos!…
Dos filhos e filhas todos, odos, a única que cúnica que conseguiunseguiu um emprego para ganhar um peum emprego para ganhar um pequenono salário, salário, foi a mais velha, tia Yeyé, (Maria José). Imais velha, tia Yeyé, (Maria José). Inúmerúmeras vezes eu o ouvi dizes vezes eu o ouvi dizer, , relelatando esse epando esse episódio, que sódio, que viveu numiveu numa agonia agonia pensensando que ele é que desespendo que ele é que desesperadamentedamente gostaria dgostaria de estar no lugar dessa filha, naquele evento, ganhando qualquer coisa…
Essa firma que ele passou a trabalhar, se transformou em sujas mãos, pois graças à sua gestão, passaram a representar a Cimento Itaú em Campinas, recebendo vagões de cimento que redistribuiam às outras firmas. Ele acabou como único dono, já que o cunhado se desligou, pois tinha outros negócios para cuidar, além de uma grande família como a dele, como era costume na época.
Há que ser dito, que seu meio, sua família, vinham de uma linhagem de fazendeiros, que fizeram seus filhos estudarem e tornarem-se médicos, engenheiros e homens de negócios, com empreendimentos variados que os colocava no topo da sociedade campineira da época.
Quando meu avô perdeu seus bens na crise de 29, minha avó, filha única e herdeira de grande fortuna, que incluía filas de casas e imóveis, por e estar no lugar dessa filha, naquele evento, ganhando qualquer coisa…
Essa firma que ele passou a trabalhar, se transformou em sujas mãos, pois graças à sua gestão, passaram a representar a Cimento Itaú em Campinas, recebendo vagões de cimento que redistribuiam às outras firmas. Ele acabou como único dono, já que o cunhado se desligou, pois tinha outros negócios para cuidar, além de uma grande família como a dele, como era costume na época.
Há que ser dito, que seu meio, sua família, vinham de uma linhagem de fazendeiros, que fizeram seus filhos estudarem e tornarem-se médicos, engenheiros e homens de negócios, com empreendimentos variados que os colocava no topo da sociedade campineira da época.
Quando meu avô perdeu seus bens na crise de 29, minha avó, filha única e herdeira de grande fortuna, que incluía filas de casas e imóveis, por exememplo, na rua José Paulo, na rua José Paulino, que fiquei sabendo não me lembro bem no, que fiquei sabendo não me lembro bem como, tomo, também pembém perdeudeu susua herança.
Vale ressaltar que herança.
Vale ressaltar que digo isso, não para falar sobrigo isso, não para falar sobre poder ou riqueza, mas para ressaltar o aspe poder ou riqueza, mas para ressaltar o aspecto de que nossa famílto de que nossa família, da parte de meu pai, além de educação e modoa, da parte de meu pai, além de educação e modos primorosos, colocavam o nome, a honra, a delicadeza no trato, o respeito e a estima de uns pelos outros e a educaç primorosos, colocavam o nome, a honra, a delicadeza no trato, o respeito e a estima de uns pelos outros e a educação acima acima de tudtudo.
Lembro-me de um episódio curioso que é um bom exemplo para entender isso.
Raras vezes meu avô falava em relaç.
Lembro-me de um episódio curioso que é um bom exemplo para entender isso.
Raras vezes meu avô falava em relação a aspea aspectos de domesticidtos de domesticidadedes. Um di. Um dia, eu estava na pia da cozinha que, eu estava na pia da cozinha querendoendo demonstrar que eu já podia ajudar, lavando a louça do demonstrar que eu já podia ajudar, lavando a louça do café, quandafé, quando ele ele mee interrompeu e me disse: ‘interrompeu e me disse: ‘Não são se deve lavar faca de pão, que some deve lavar faca de pão, que somente deve ser usada para cortar o pãote deve ser usada para cortar o pão. Apenas limpe-a e guarde.’
Achei aquilo curioso e levo isso para toda a vida e sempre observei e observo as pessoas que enfiam a faca de pão na manteiga, por exemplo, que sempre me constrangeu e me parece sinal de falta de trato e de boas maneiras.
Nunca tive aproximação com meu avô. Eu o observava mas não tinha ou não sentia que tivesse liberdade para me aproximar. Eu o cumprimentava porque ele me oferecia a mão e eu a beijava, mas nunca minha aproximação foi maior, ou mais amorosa.
Houve, no entanto, uma ocasião em que consegui compreender que ele nutria um grande amor por mim. Foi quando minha avó morreu”. Apenas limpe-a e guarde.’
Achei aquilo curioso e levo isso para toda a vida e sempre observei e observo as pessoas que enfiam a faca de pão na manteiga, por exemplo, que sempre me constrangeu e me parece sinal de falta de trato e de boas maneiras.
Nunca tive aproximação com meu avô. Eu o observava mas não tinha ou não sentia que tivesse liberdade para me aproximar. Eu o cumprimentava porque ele me oferecia a mão e eu a beijava, mas nunca minha aproximação foi maior, ou mais amorosa.
Houve, no entanto, uma ocasião em que consegui compreender que ele nutria um grande amor por mim. Foi quando minha avó morreu”.

Daí para a frente, CriDaí para a frente, Cristina ina relata elata o que foi que foi a narratnarrativva para para explicarxplicar a decdecisãsão de João caão casaar c com Nem Nenê.ê.

Uma viagem ao Rio de Janeiro

Cristina: “HCristina: “Houuve também uma lembrança inesquecível vivida com meu ave também uma lembrança inesquecível vivida com meu avô.. Acho que foi minha avó que o convenceu a me levar junto numa viagem ao Rio de Acho que foi minha avó que o convenceu a me levar junto numa viagem ao Rio de Janeiraneiro que ele pr que ele programougramou para conhecer a Cidade Maravilhosa.    Meu avô queria conhecer o Rio.
Junto com ele para conhecer a Cidade Maravilhosa.   Meu avô queria conhecer o Rio.
Junto com ele fororam tio Bim tio Bizzy e sua esposa Dzy e sua esposa Dirce, Sofirce, Sofia que era caçula e pouco maique era caçula e pouco mais velha qulha que eu, eu tinha un eu, eu tinha uns 10 an10 anoss e ela 20. Eu era cheinha de corpo, como se vê na foto, como a Juju atualmente.
Ele contratou um táxi e ela 20. Eu era cheinha de corpo, como se vê na foto, como a Juju atualmente.
Ele contratou um táxi que nos levou e ficnos levou e ficaria à disposição lá. Vovó Neria à disposição lá. Vovó Nenê não quê não quis ir s ir e láá fomos nós, ficando hospedados no Hofomos nós, ficando hospedados no Hotel Novo Mundo, onde, assil Novo Mundo, onde, assim que chegaque chegamos, pediu pos, pediu para que deixássemos as malas ra que deixássemos as malas nos quartos e descêssemos que ele estaros quartos e descêssemos que ele estaria esperanesperando.
Tínhamos tomado uma ro.
Tínhamos tomado uma refeiçãofeição pelo caminho, mas estávamos com pelo caminho, mas estávamos com fome e imome e imaginginei que fôssemos jantai que fôssemos jantar, porém, porém, qual a minha surpral a minha surpresasa quandoquando ele chamou nosso motorista e disse a ele que desse uma volta ele chamou nosso motorista e disse a ele que desse uma volta pela cidade e mostrasse as principais praias.
Lá fomos nós, todos dentro do carro, ele entusiasmado trocando informações com o motorista quando virou para nós e se deparou com os quatro dormindo profundamente!
A indila cidade e mostrasse as principais praias.
Lá fomos nós, todos dentro do carro, ele entusiasmado trocando informações com o motorista quando virou para nós e se deparou com os quatro dormindo profundamente!
A indignnação dele foi alucinante: “Ele estava tção dele foi alucinante: “Ele estava trazendoazendo todo mundo ptodo mundo parara conhecer o Rio de Janeiro? Não!… Estava pagando para dormirem no Rio de Janeiro!.. Dormir???…
O motorista não sabia o que conhecer o Rio de Janeiro? Não!… Estava pagando para dormirem no Rio de Janeiro!.. Dormir???…
O motorista não sabia o que fazer desolado e eu zer desolado e eu morta de fome com vontade de chorar…Forta de fome com vontade de chorar…Finanalmente ele desmente ele desistiu e disse que o pstiu e disse que o passeiosseio estava encerrado e que estava encerrado e que iríamos jaríamos jantar ar e dorm dormir. Todos desol. Todos desoladosdos com uma cara qucom uma cara que nunca fnunca fiquei sabendo se equei sabendo se eraa por cor causa da fome e do sono ou da busa da fome e do sono ou da bronconca…
A…
A pparte mais hirte mais hilária viria em seária viria em seguida…
Entraida…
Entramosos nnum restm restauuranteante, tudo minuciosudo minuciosamemente pre programado.gramado. Tio Bizzy obsequioso, não querendo contrTio Bizzy obsequioso, não querendo contrariá-lo ainda mais, pegou a carta do menu para traduzir para ele o riá-lo ainda mais, pegou a carta do menu para traduzir para ele o que ele escolhere ele escolheriaa para comer e ele para comer e ele nãão demodemorou ou a e escolher, o que não me lembro, pocolher, o que não me lembro, pois eu sentia tanta fome que quas eu sentia tanta fome que qualquerquer coisa que pusesseisa que pusessem na minha frente eu c na minha frente eu comeriameria mesmo sem saber do que se tratava…
Veio o prato dele, ele estemesmo sem saber do que se tratava…
Veio o prato dele, ele estendeu deu o guardanapo guardanapo sobreobre oos joelhos, quando o garçom joelhos, quando o garçom trouxe o prrouxe o prato to do tio Bizzy.
Foi a conta! Ele bateu a mão e tio Bizzy.
Foi a conta! Ele bateu a mão espalmadapalmada sobre a mesa e vociferou: “De masobre a mesa e vociferou: “De maneeira que você, Bizzy, encomenra que você, Bizzy, encomenda um tipa um tipo de comida para mim e e de comida para mim e escolhecolhe o melhor para melhor para você???”
Creioocê???”
Creio que que o ti tio Bizzy Bizzy gostariria de podeoder chor chorar… mas balbucr… mas balbuciou que forou que fora vovô quvovô que escolhera o prato que veio para ele e vovô arguescolhera o prato que veio para ele e vovô argumentou: “por insistêncientou: “por insistência sua, Bizzy!”… foi a conta dele chama sua, Bizzy!”… foi a conta dele chamar o garçom, do garçom, devolvervolver o prato e do prato e dizer: “Quero o mesmo przer: “Quero o mesmo prato que to que meueu filho escolheu, você entendeu?!” e o garçom, aturdido correu filho escolheu, você entendeu?!” e o garçom, aturdido correu para atetendê-lo…
Eu esdê-lo…
Eu estava a pava a ponto de chorar nto de chorar see não mnão me deixassem comer meu bife com batatas fritas. Tia Dirce e a deixassem comer meu bife com batatas fritas. Tia Dirce e a Sophiaphia roxas para segurar a vontade de rroxas para segurar a vontade de rir à gargalhadas…
Passada a tormenta, ele iria se referir ao tio Bizzy r à gargalhadas…
Passada a tormenta, ele iria se referir ao tio Bizzy como Bizizinho omo Bizizinho e nunca descobri se o unca descobri se o tratamratamento era uma maneira de brincar com ele ou arrependimento e pedido de desculpas pelo vexame que o havia submetido diante do garçom…”nto era uma maneira de brincar com ele ou arrependimento e pedido de desculpas pelo vexame que o havia submetido diante do garçom…”

Vovô João fazia às vezes o que Daniel tem mania de fazer, que é pegar a familia inteira e ir para algum lugar, tanto aqui no Brasil como nos Estados Unidos. Vovô João gostava de praia e mar e iam para Santos e São Vicente:

Lygia, Ralpho, Cail, Mario Natividade, Nenê e João

<Ninho VVazzio

Como a propoComo a proposta é examinaa é examinar d dois momeis momentos dos casais envolvidos, sendo um a decisão de se casarem e formar família e o outro quando o(s) filhos saem para a vida, fica clara que duas tos dos casais envolvidos, sendo um a decisão de se casarem e formar família e o outro quando o(s) filhos saem para a vida, fica clara que duas gerações para trás, a quantidade de filhos não contemplava nada semelhante. Uma geração para trás, ocorreu já algo semelhante e apenas agora que se pode observar esta transição com impacto emocional.<brerações para=”” trás,=”” a=”” quantidade=”” de=”” filhos=”” não=”” contemplava=”” nada=”” semelhante.=”” uma=”” geração=”” ocorreu=”” já=”” algo=”” semelhante=”” e=”” apenas=”” agora=”” que=”” se=”” pode=”” observar=”” esta=”” transição=”” com=”” impacto=”” emocional.
Em relação aos meujs pais, Weimar e Ana, Em relação aos meujs pais, Weimar e Ana, No caso de Paulo e Júlo caso de Paulo e Júlia, mesmo levaa, mesmo levando em conta que ele morreu aos 50 anos de uma infecção, do em conta que ele morreu aos 50 anos de uma infecção, houveuve umuma pressão que acelerou a saída deles, porém, ass pressão que acelerou a saída deles, porém, assim que pm que pode,de, miminha mãe veiha mãe veio morar perto da mãe dela e a morar perto da mãe dela e a casa que ca que comproumprou ononde vivviveu a maior parte da vida estava a uma distâu a maior parte da vida estava a uma distânciacia quque poderia ser feita a pé. Minha avó poderia ser feita a pé. Minha avó Júlia múlia morava na Rua Uruguaina e mes pais na Rua Lusitana.
Mary e Emília ficaram com a mrava na Rua Uruguaina e mes pais na Rua Lusitana.
Mary e Emília ficaram com a mãe e nãe e não se casaram. se casaram.
Geraldo foi embora, mabr>Geraldo foi embora, mas para casar cons para casar construiu um quartuiu um quarto no fundo da Rua Uruo fundo da Rua Uruguaiana 80 e só saiu quando virou Professor Primário e escolheu uma Escola, por sinal na Holambra, onde meu pai era Diretor e ele foi com a família morar lá.<bruaiana 80=”” e=”” só=”” saiu=”” quando=”” virou=”” professor=”” primário=”” escolheu=”” uma=”” escola,=”” por=”” sinal=”” na=”” holambra,=”” onde=”” meu=”” pai=”” era=”” diretor=”” ele=”” foi=”” com=”” a=”” família=”” morar=”” lá.
José, que era meu padrinho de batismo junto com Mary, morava com sua família a uma distância que podia percorrer a pé e ele tinha um sistema de passar na casa da mãe todos os dias antes de ir para o trabalho, na Companhia Paulista de Estradas de Ferro e depois no Senai onde se aposentou como professor de Desenho.
Quando a casa da Uruguaiana 80 desapareceu, José, já aposentado e viúvo, adotou o sistema de visitar a casa dos meus pais, tão arraigado era o hábito. Sempre tinha uma garrafa de Campari esperando por ele em minha casa, meu pai o apreciava muito.José, que era meu padrinho de batismo junto com Mary, morava com sua família a uma distância que podia percorrer a pé e ele tinha um sistema de passar na casa da mãe todos os dias antes de ir para o trabalho, na Companhia Paulista de Estradas de Ferro e depois no Senai onde se aposentou como professor de Desenho.
Quando a casa da Uruguaiana 80 desapareceu, José, já aposentado e viúvo, adotou o sistema de visitar a casa dos meus pais, tão arraigado era o hábito. Sempre tinha uma garrafa de Campari esperando por ele em minha casa, meu pai o apreciava muito.

<NNinho VVazzio no casoo dee Nenê e João<!–>

Quem eram eQuem eram estestes doze doze filhoos ee o quque aconteceuconteceu com ecom eles ves valele umuma rememememorraçãoção ee alalgumumass hhistóristóriass.
CriCristinatina relata que dos 14 relata que dos 14 filhos que tque tiveram, sveram, sobreviveram 12, que ebreviveram 12, que ela a oss coconheceu heceu toddoss, popois s ela freqla frequentavaentava a casa dos avós Nenê e a casa dos avós Nenê e João e eleão e eles tinham o costumtinham o costume de de almmoçarçar aos domaos domingosngos, todos juntos. Vinhtodos juntos. Vinham com as mulhem com as mulheres e fes e filhlhos,s, os “primos”, e o que os “primos”, e o que aconcontececia n nestasstas rreuniõesuniões erera uum ve verdadeidadeiro folcloro folclore.. À noite À noite jogagavaam truco truco, brbrigavam, se desegavam, se desententendiiamm e depoie depois v voltavam a convavam a conversarsar.

AsAs filhfilhas:s: MMariria José (Y(Yeyé)yé), HildHilda, E, Elzza,, CCaroliolinaa (C(Caiu)iu) , Lyg, Lygia,, SSofifia.<b.
Os f>Os filhos:lhos: LinLindolpho,olpho, AnAntonio,nio, LinLineu,u, JJoséé GeraldGeraldo (B(Bizzy),zzy), MMariorio Natatividvidadede e RalfRalfo,, mmorreu jrreu jovemvem, aininda soltolteirro.</b.

YYeYéYé era casada com José TTorrres, qque trabbalhava no PParanáá a vida ttoda e aparecia de temmpos em ttempos.. SãSão pais da NNina e do Joãão, que éé advvoggado bbem sucedido.

HiHildda,, casaada com GeGeralldo BaBarros, alto funcionário doo AntAntigo Bango Banco do Eso do Estado,do, quque morreu ddurante umaa cirurgia. Sãcirurgia. São pais do G pais do Gezizinhho,, do Mo Marcrcoss, da Marda Mariaa Euniceunice e d da MaMaria BeaBeatrrizz (B(Bia)a), que que nasceu nasceu no mesmo d mesmo dia que a que nossosso filho mais velho Daniel.Daniel. Hilda ainda teve mais um filho, Hilda ainda teve mais um filho, José AntônioAntônio, que nasceu casceu comm um um comprommprometitimentento sérisério, , mentalental e físicfísicog. Deg. Demandavaandava um ccuididado exextremo e Hremo e Hildlda e Gere Geraldo cheldo chegaram a vearam a vender uma der uma casa para tratar do menasa para tratar do menino, no, apesarpesar de que serque seria ap apenaas mamantê-ltê-lo vivo, porém vivo, porém semem ssucesscesso e ele morre e ele morreu antesntes ddos 5 anos. Quando fis 5 anos. Quando ficamos demos deittadosdos permermannentemente,temente, aaparecem escecem escarasras no cono corppo, que , que sãoão lesões plesões por prer pressão,são, feridaferidas n na pele e teci pele e tecidos iinferferioreres causadascausadas pela prepela pressão contínua são contínua e prolon prolongada, qada, que ree reduzuz a ca circurculaçãação sanguínsanguínea em áreas específa em áreas específicas. Comucas. Comuns em pesss em pessoasas acamadas acamadas ou em u em cadeadeirara de rodas, ocorrrodas, ocorrem mm maisis em áreas ósseas cm áreas ósseas como cóccixmo cóccix, calcanharcalcanhares e quadris, s e quadris, podendo evoludendo evoluir para infecçõer para infecções grraves.ves. Pois bPois bem, Him, Hilda dispda dispenssavava extxtremo cumo cuiddadodo ao Josao José Antônio, que Antônio, que morreu depois de ficar 5 anos sendo cuidadosamenreu depois de ficar 5 anos sendo cuidadosamente e atendidotendido poor ela, sela, sem esc escaras. Não sei porque, isras. Não sei porque, isto ficoo ficou g gravado na vado na minha minha mente como a síntcomo a síntesese do heroísmo dela e do mardo heroísmo dela e do marido e do amor que dedicaram a esse fi e do amor que dedicaram a esse filho.

ElzElza cas casou-se com José de Teu-se com José de Tela, va, viúvo, com três filhas do primeiro casameúvo, com três filhas do primeiro casamento, to, altolto funcionário dfuncionário da Ser Sericicciculturaltura e morreu premmorreu prematuramente,turamente, numum mommomentonto delidelicado, poido, pois Elz Elza estava g estava grávidávida do últi do último filhoo filho, LiLindolphinho.lphinho. O filho mais velho é José Tella, O filho mais velho é José Tella, que ttantonto conhnhececemosos com om seu bom humor queu bom humor quandondo tinha agêntinha agência a de vie viagegens ns noss ajuajudouu a local localizarzar passagpassagensns para para irmos rmos aosos EstadEstados Uns Unidos.dos. O segO segundo fdo filhlho, Neti, Netinho (Bonifho (Bonifáccio de Telo de Tela Neto) Neto), depoispois Lygia HLygia Helena, Terezinha (Lelé) morta lena, Terezinha (Lelé) morta premrematuturamenamente e Le e Lindndolphphinhonho.

CarCarollinna (C(Caiiu) ) e LygLygia nãão sse ccassarram,m, sesendodo que que Caiu fu ficou cou emm ccassa ccuididando dosos paiais e LygLygia ffoi funcuncionárianária, dde RReppartiçãrtição Pública Pública.

SSofia casa casou-u-see ccom Hild Hildebrabrando,do, queque trabalhava na Contabilitrabalhava na Contabilidadade da Clark quandda Clark quando eu trabalhei lá u trabalhei lá naa áráreaa de Tempde Temposs e Méte Métoddos. . tiveiveram dam dois filhos, João e Hildebrais filhos, João e Hildebrando.do.

<strOsng>Os filhos hommensns dde VoVovóó NenNenê e VVovôvô JJoãoong></str

LiLinddolpho, flpho, filhlho mamais velhs velho,, casou-se com RuthRuth e tiveram trêsês filhas, Maria CCriisttinana, LLaizz e DoíDoía (Maria Auxiuxiliadadorra)).

AntonAntonio Beo Beneditodito casou-se com TTerezreza e tiveram quaquatroo filhaas,, MarMaria Ta Terereza (Tusa (Tushi)i), MMarria José (ZJosé (Zezé),zé), MMariria IInês (Nenês (Nena),), Maria Alice, Antonio, João e Tuca Alice, Antonio, João e Tuca.

Lineu ccassou-u-se ccom CCeccillia e tiveram três filhos: LLinneuzinhouzinho, RegReginna SSilvilvia e aa caççula Ana Maria Ana Maria.

BBizzy (Jzzy (Josésé GerGeralldo) foi co) foi casasado com Dirco com Dirce (Irmã d(Irmã de LilliLillian, ambas fin, ambas filhas de D. Izabel, que eram muitas de D. Izabel, que eram muito amigas de miamigas de minha tia Mary e mha tia Mary e moravamravam na mesma vizinhança). Bizzy e Dirce na mesma vizinhança). Bizzy e Dirce tiveram três três filhos:: Maariaa IzabelIzabel (Bebel), M(Bebel), Mariria Bene Beneditaita (Benê), e Vi(Benê), e Vicenteente de Pade Paula..

MaMariio NatividadNatividade e Rae Ralpho não tivpho não tiveram fram filhos, mlhos, mass Mário foi casado com LuciliaMário foi casado com Lucilia

Alberto e Zuleika

Não conNão consigigo e encontrar alcontrar alguma imagem ou rema imagem ou relato para sato para separar o momento em que decparar o momento em que decidirdiram cam casar e o momenar e o momento em que os filhos ficao em que os filhos ficaram adultam adultos. Vou postar s. Vou postar narrativas que fiz sobre eles e tentar fechar a partir dai. arrativas que fiz sobre eles e tentar fechar a partir dai.

<g>Zuleika<!–g>

Quando fiz 14 anos, dava para viajar sozinho e ir a São Paulo, que o fiz a convite de Vó Zuleika, inclusive para ajudá-la na pintura de algum cômodo da casa que ela tinha na Rua Mario Amaral.


Onde ela morava antes de comprar a da Rua Rio Grande 226.

Laiz, Ana e Cristina 1996


Lembro-me que ela em retribuição, me deu minha primeira calça Jeans, comprada na Sears do Paraíso, que era perto da casa dela.
Nos dávamos muito bem e ela decidiu mostrar São Paulo para mim. Isto é ensinar-me a pegar o Bonde, como andar lá e o que tinha para ver.
Lembro que era duro acompanhá-la, pois andava rápido e era incansável.
Era muito enérgica, porém bem humorada e tinha paciência para me explicar São Paulo, que para mim era imensa.
Criei um blog sobre os anos 50, coisa de nostalgia e inseri informações onde relato o que eu aprendi com ela e o que eu fazia em São Paulo naqueles distantes anos 50, a partir da casa dela.   Aperte o More abaixo:

TTenhonho dois dois relatos sobreobre Zuleika,, um quum que eu cu compusmpus ee outoutro do de mminha mãe, nha mãe, segundo ela, diegundo ela, ditado poado por Vó   Zule Vó  Zuleika ela meka ela mesma.ma.

<MMeu relato: AAvós PPaternos — Zuleika e Alberto – Breve HHistórico

Zuleika era filha de um dentiZuleika era filha de um dentista. Levando-se em conta que ea. Levando-se em conta que era na no i início do século XX, tinham uma situação de classe social diferenciada. Creio que a família viveu em Santos inicialmente. Mudaram-se para Campinas e ela fez maício do século XX, tinham uma situação de classe social diferenciada. Creio que a família viveu em Santos inicialmente. Mudaram-se para Campinas e ela fez magistério na Escola Normal. Como ela mesmo relata para minha mãe na sequencia, o Secretário da Educação, Dr. Altino Arantes, padrinho de formatura, as   ofereceu escolher uma colocação no Estado de S.Paulo desde que não fosse na cidade de   Campinas, porque era por demais procurada. Ela aescolheu Amparo e foi assim que conheceu Alberto.<bristério na=”” escola=”” normal.=”” como=”” ela=”” mesmo=”” relata=”” para=”” minha=”” mãe=”” sequencia,=”” o=”” secretário=”” da=”” educação,=”” dr.=”” altino=”” arantes,=”” padrinho=”” de=”” formatura,=”” as  ofereceu=”” escolher=”” uma=”” colocação=”” no=”” estado=”” s.paulo=”” desde=”” que=”” não=”” fosse=”” cidade=”” de  campinas,=”” porque=”” era=”” por=”” demais=”” procurada.=”” aescolheu=”” amparo=”” e=”” foi=”” assim=”” conheceu=”” alberto.
Não me lembro quantos irmãos vovó Zuleika tinha. Acho que três, o mais velho, José, morto há longo tempo, Orestes e Não me lembro quantos irmãos vovó Zuleika tinha. Acho que três, o mais velho, José, morto há longo tempo, Orestes e Romomeu, caçuu, caçula. Lembro-me de Ores. Lembro-me de Orestes, que era es, que era o segunsegundo, quo, que conheci nos anos 60, econheci nos anos 60, em Santos. Ele fez uma co Santos. Ele fez uma coisa absurda: Cosa absurda: Construiu um prédio de uns 10 andares e em cada andar ficava um membro da família dele, ou seja, os filstruiu um prédio de uns 10 andares e em cada andar ficava um membro da família dele, ou seja, os filhos e filhos e filhass se casavase casavam e iam morar no prédio.    
Duas coisas me chamavam a atenç e iam morar no prédio.   
Duas coisas me chamavam a atenção do prédio: as maçano do prédio: as maçanetas das portas eram de cristal e o apartamento que creio que era dele e era coberturatas das portas eram de cristal e o apartamento que creio que era dele e era cobertura, se comunicava um anse comunicava um andar com o outro pela escada, no que serar com o outro pela escada, no que seria hoje creio que se chama Duplex.
Não sei se é preconceia hoje creio que se chama Duplex.
Não sei se é preconceito, tenho memório, tenho memória de ter a sensaçãe ter a sensação que ele desembaraçava muamba no que ele desembaraçava muamba no portoto e daí vinha tanto dinheiro. Romeu, seu irmão caçula, quando eu o conheci trabalhava na Varig e parecia um comandante, mas creio que tinha algum emprego singelo na organização. Sugeria fortemente ter sido um bon vivant e de alguma forma lembrava Wolmar, e tudo que vale para ele, vale também para Romeu.
e daí vinha tanto dinheiro. Romeu, seu irmão caçula, quando eu o conheci trabalhava na Varig e parecia um comandante, mas creio que tinha algum emprego singelo na organização. Sugeria fortemente ter sido um bon vivant e de alguma forma lembrava Wolmar, e tudo que vale para ele, vale também para Romeu.
Zuleika tinha três irmãs, Julieta, Argentina e Carmem. Eu me lembro de Carmem e    Argentina, que era mais velha. Morava em S. Paulo mais ou menos perto de minha avó, que morava na Rua Rio Grande 226, na mesma rua que o Jânio Quadros morava, em Vila Mariana, relativamente perto do Ibirapuera. tinha três irmãs, Julieta, Argentina e Carmem. Eu me lembro de Carmem e   Argentina, que era mais velha. Morava em S. Paulo mais ou menos perto de minha avó, que morava na Rua Rio Grande 226, na mesma rua que o Jânio Quadros morava, em Vila Mariana, relativamente perto do Ibirapuera.
Quando vibr>Quando visiitei Aei Argentina, ela tinha dezenas de cachgentina, ela tinha dezenas de cachorros e gatos soltos rros e gatos soltos na casa e tinha ficado alterada do juízo. O marido a abandonara e era uma cena tétrica, pois ela era claramente uma pessoa fina, educada e de posses.
Carmem, mais nova. Era casada com Otilio, tinha uma quantidade enorme de filhos. Ela tinha olhos azuis e era loira, e tinha um filho, Flávio, que era a casa e tinha ficado alterada do juízo. O marido a abandonara e era uma cena tétrica, pois ela era claramente uma pessoa fina, educada e de posses.
Carmem, mais nova. Era casada com Otilio, tinha uma quantidade enorme de filhos. Ela tinha olhos azuis e era loira, e tinha um filho, Flávio, que era guarda rodoviário que tinha a capacidade de sentar-se na frente de um piano, sem tocar nada enrolava de forma incrível, parecia que tocava mesmo. Tinha Luiz, que também tinha um Buick 48 igual ao de Wolmar, tinha Otilia, casada com um cara do Banco do Brasil, tinha Terezinha casada com um cara extremamente devagar, tinha Agostinho, que era santo, contador, pobre, morreu cedo e deixou uma prole enorme com uma mulher totalmente devagar. Os filhos eram sujinhos e ranhentos.<bruarda 48=”” rodoviário=”” que=”” tinha=”” a=”” capacidade=”” de=”” sentar-se=”” na=”” frente=”” um=”” piano,=”” sem=”” tocar=”” nada=”” enrolava=”” forma=”” incrível,=”” parecia=”” tocava=”” mesmo.=”” luiz,=”” também=”” buick=”” igual=”” ao=”” wolmar,=”” otilia,=”” casada=”” com=”” cara=”” do=”” banco=”” brasil,=”” terezinha=”” extremamente=”” devagar,=”” agostinho,=”” era=”” santo,=”” contador,=”” pobre,=”” morreu=”” cedo=”” e=”” deixou=”” uma=”” prole=”” enorme=”” mulher=”” totalmente=”” devagar.=”” os=”” filhos=”” eram=”” sujinhos=”” ranhentos.
Flavio e Terezinha viraram alcoólatras e não sei o que aconteceu com eles.
Quando Otílio foi desenganado, o médico mandou dar o que ele quisesse e ele pediu guaraná, que eu o vi bebendo com sofreguidão, na véspera do seu falecimento. Ordália, “Pequenina”, nunca casou, foi educada em colégio de freiras francesas, dava aulas de francês e era difícil. Como falava francês, adquiriu o traço da raça, que despreza o mundo. Quando minha avó ficou sozinha, tentamos fazer as duas morarem juntas, que parecia lógico. Nem pensar. Ela morreu sozinha e demorou vários dias para alguém perceber que estava morta no apartamento. O prédio era aquele do filme “O ano em que meus pais saíram de férias”, rodado aqui em Campinas.
Alberto, marido de Zuleika, era filho único de fazendeiro, rico, com terras que iam desde Jaguariúna até Amparo. O pai tinha muitos imóveis em Amparo, que ele perdeu porque não pagou IPTU e a Prefeitura penhorou. Nunca jamais trabalhou. Ia cortar cabelo em S.Paulo e tinha pente, espelho, escova, tudo francês, que meu pai me deu como lembrança dele. Creio que ele não batia bem.    Flavio e Terezinha viraram alcoólatras e não sei o que aconteceu com eles.
Quando Otílio foi desenganado, o médico mandou dar o que ele quisesse e ele pediu guaraná, que eu o vi bebendo com sofreguidão, na véspera do seu falecimento. Ordália, “Pequenina”, nunca casou, foi educada em colégio de freiras francesas, dava aulas de francês e era difícil. Como falava francês, adquiriu o traço da raça, que despreza o mundo. Quando minha avó ficou sozinha, tentamos fazer as duas morarem juntas, que parecia lógico. Nem pensar. Ela morreu sozinha e demorou vários dias para alguém perceber que estava morta no apartamento. O prédio era aquele do filme “O ano em que meus pais saíram de férias”, rodado aqui em Campinas.
Alberto, marido de Zuleika, era filho único de fazendeiro, rico, com terras que iam desde Jaguariúna até Amparo. O pai tinha muitos imóveis em Amparo, que ele perdeu porque não pagou IPTU e a Prefeitura penhorou. Nunca jamais trabalhou. Ia cortar cabelo em S.Paulo e tinha pente, espelho, escova, tudo francês, que meu pai me deu como lembrança dele. Creio que ele não batia bem.   

Relato de minha mãe, diitado porpor ZZulleikika<!–trong>

Relatelato de minha avó, Z de minha avó, Zulleikaika Magalhães de Campos, à minha mãe,   Ana Magalhães de Campos, à minha mãe,  Ana Ehrhardt de Campos,, em meados da década de meados da década de 80, quando   tinha quase 90 anos.0, quando  tinha quase 90 anos.

RRoque Ehque Ehrhhardt de Cdt de Camposmpos ((em 122/98)98)

<>Formatura em 1913<!–1913ng>

Escolheu o magistério por ser compatível com sua condição de dona de casa.  Sempre gostou de ser professora.  Como presidente da Comissão de Festas e tendo como padrinho das formandas o& nbsp;nosso distinto Secretário da Educação, Dr. Altino Arantes, que em meio a tanto banquete as  ofereceu escolher uma colocação no Estado de S.Paulo desde que não fosse na cidade de  Campinas, porque era por demais procurada.

Sempre que eu fui a Amparo, imaginei que estas casinhas, na Praça Matriz, foram de Alberto. Como ela foi para lá em 1914, esta foi a cidade que encontrou

EEscolheu Amparo, por colheu Amparo, por teer vaga.   Regeu a classe em caráter de substituta, p vaga.  Regeu a classe em caráter de substituta, por três ar três anos, para enfim ser efetivada.   Já efetiva, no os, para enfim ser efetivada.  Já efetiva, no governo de Washverno de Washingtonngton Luís, a lei se modificou, sendo matriculadas   crianças aLuís, a lei se modificou, sendo matriculadas  crianças apenenas com 9 anos completos. Ela ficou então adida em disponibilidade, pas com 9 anos completos. Ela ficou então adida em disponibilidade, para   qualquer  qualquer vaga que se desse, na cidade ou na roça, por ter sido a última a ter sido nomeada   Os fazendeiros combinaram entre si, não aceitando as professoras (para que não&nb&nb sp;sp;saíssem da cidade, favorecendo-as)vaga que se desse, na cidade ou na roça, por ter sido a última a ter sido nomeada  Os fazendeiros combinaram entre si, não aceitando as professoras (para que não&nb sp;saíssem da cidade, favorecendo-as).

Passados ssados uns três meses, foi indicada para uma fazenda, onde trabans três meses, foi indicada para uma fazenda, onde trabalhhouu 8 dias,   t8 dias,  teve que deixar porque as paredes da escola estavave que deixar porque as paredes da escola estavam ruindo. Nesta época levou meu pai
Weimar e seu irmão mais velho Wladimir (em ruindo. Nesta época levou meu pai
Weimar e seu irmão mais velho Wladimir (em 1918)18).   Desse período recorda que as professoras, e  Desse período recorda que as professoras, enquanto adidas, não estavam na folha  de pagamento, não recebendo.
Os fazendeiros conseguiram a inclusão na folha de pagamento, além danquanto adidas, não estavam na folha   de pagamento, não recebendo.
Os fazendeiros conseguiram a inclusão na folha de pagamento, além da&nbs&&nbs p;nbs p;p;permanência na cidade. Havia mais 4 ou 5 professoras na mesma condição.permanência na cidade. Havia mais 4 ou 5 professoras na mesma condição.
Voltando para a cidade, houve uma permuta entre duabr>Voltando para a cidade, houve uma permuta entre duas professoras e ela pediu ao   Delegado de Ensino para ficar no lugar da que saiu, ao que ele concordou, en professoras e ela pediu ao  Delegado de Ensino para ficar no lugar da que saiu, ao que ele concordou, entregandegando-lhe a
classe do G.E. Ra-lhe a
classe do G.E. Rangel Pestana, onde trabalhou (com todo carinho, segundo ela), até 1929,   onze anos em Amparo, portanto.<brel pestana,=”” onde=”” trabalhou=”” (com=”” todo=”” carinho,=”” segundo=”” ela),=”” até=”” 1929,  onze=”” anos=”” em=”” amparo,=”” portanto.
Removeu-se para CampiRemoveu-se para Campinas, para o G.E. Orozimbo Maia onde trabalhou 12 anos, até  1940.
No G.E. Orozimbo Maia introduziu com grande sucesso aulas de Educação Física,&nas, para o G.E. Orozimbo Maia onde trabalhou 12 anos, até   1940.
No G.E. Orozimbo Maia introduziu com grande sucesso aulas de Educação Física,&nbs&nbs p;nbs p;p;pois nas festas a exibição da ginástica era um sucesso.
O inspetor da época indicou para que ela ganhasse a mais por ensinar Educação   Física, o que era muito bem vindo (já era separada, desde 1925, com 5 filhos e uma filha
para criar)      .pois nas festas a exibição da ginástica era um sucesso.
O inspetor da época indicou para que ela ganhasse a mais por ensinar Educação  Física, o que era muito bem vindo (já era separada, desde 1925, com 5 filhos e uma filha
para criar)    .

Foi ppara S.Paulo em 1940.          

O pai da minha mãe, Paulo Ehrhardt, morreu inesperadamente de infecção em 1940, por falta de   antibióticos, aos 50 anos e isto precipitou o casamento dos meus pais e a alteração da situação   familiar de Zuleika.
Ela colocou a filha, Wanda, interna no Colégio Sagrado Coração de Jesus, que era   antigamente na Rua José Paulino em Campinas, com 11 anos. Wanda ficaria lá até os 18 anos, saindo formada e casando-se com Luiz, em 1952, com quem teve 2 filhas e um filho.   O filho mais velho de Zuleika, Wladimir, ficou em Campinas, foi morar na pensão da Braulia e casou-se com a irmã dela, Catarina, em meados de 41, aos 25 anos, ficando sem filhos até a   morte em 1984, quando morreu aos 68 anos. Catarina morrera alguns anos antes.
O terceiro filho de Zuleika, Wolney, foi estudar Educação Física, conheceu Zélia no curso, casou-se com ela em 1941, aos 19 anos. Morreu cedo, aos 53 anos, em 1972. Tiveram três filhas.   O quarto, Wolmar, mudou-se para o Rio de Janeiro, aos 19 anos, em 1941, onde levou uma vida muito comentada na família, por ter trabalhado no Cassino da Urca. Quando acabou o   jogo, em 1945, Wolmar, após um período ignorado, começou a trabalhar como viajante   vendedor de peças de automóveis, nos anos 50, casando-se, em 1959, aos 39 anos, com   Dora. Morreu em 1997, com 67 anos.
O quinto filho de Zuleika, e caçula, Walton, foi trabalhar no comércio em S.Paulo, e ficou morando   com a mãe até 1952, conheceu Laíz, professora primária também, casou-se em 1953 aos 23   anos e mudou-se para Campinas onde viveu até morrer. Teve apenas um filho, Waltinho.
Voltando à história de Zuleika, ela ficou no G.E. do Bosque da Saúde por 4 anos, até 1954,   quando fez concurso para Diretora. Foi classificada em terceiro lugar em S.Paulo e em sexto&& nbsp;nbsp;no Estado todo.    Ela era obviamente inteligente, trabalhadora, competente e obstinada. Porém, tinha o pior gênio   que se tem notícia segundo o testemunho das noras, que apesar de suspeito, era verdadeiro.      
Enquanto aguardava a nomeação, substituiu o Diretor Carlos Chagas, em uma   fazenda em Jundiaí, por 3 ou 4 meses. Enquanto comissionada em Jundiaí onde segundo ela a molecada era “desordeira e desaforada” e vivia desafiando as professoras,    conseguiu ordem e deu a “maior festa”, “debaixo do maior respeito”, sendo que o chefe
Político da época, Dr. Godinho, fazendeiro comentou que a festa foi de “arromba”.   Em 1945 foi nomeada para o G.E. Sta. Lucia, em Araraquara, até 1948, quando permutou com meu pai, Weimar, que tinha prestado e passado no concurso de Diretor de Grupo.
Foi para Garça, onde meu pai estava, para o G.E. de Vila Couto, entrando de licença   e transferindo-se para Araraquara, para o G.E. Vila Xavier, onde ficou somente 1 dia e se aposentou em 1949. Ficou quase 50 anos aposentada, pois morreu com quase 101 anos,   em 96.   
Durante o tempo que lecionou foi homenageada por delegados, inspetores, colegas,   que reconheceram seus trabalhos, pois disputavam vagas para seus filhos nas suas salas de aula.   Suas promoções eram boas, sendo quase sempre em torno de 100%, apesar da   energia notória (acho que ela batia, puxava orelhas, etc.), era grande amiga dos alunos.   (acho que eles morriam de medo dela…)
Em várias circunstâncias foi designada dada sua autoridade e energia para tomar   conta de meninos, pois os meninos “abusavam” das professoras.
O único aluno que a aborreceu, ela lembra que foi um primo de seu marido Alberto,&& nbsp;nbsp;nos anos 20.O pai da minha mãe, Paulo Ehrhardt, morreu inesperadamente de infecção em 1940, por falta de  antibióticos, aos 50 anos e isto precipitou o casamento dos meus pais e a alteração da situação  familiar de Zuleika.
Ela colocou a filha, Wanda, interna no Colégio Sagrado Coração de Jesus, que era  antigamente na Rua José Paulino em Campinas, com 11 anos. Wanda ficaria lá até os 18 anos, saindo formada e casando-se com Luiz, em 1952, com quem teve 2 filhas e um filho.  O filho mais velho de Zuleika, Wladimir, ficou em Campinas, foi morar na pensão da Braulia e casou-se com a irmã dela, Catarina, em meados de 41, aos 25 anos, ficando sem filhos até a  morte em 1984, quando morreu aos 68 anos. Catarina morrera alguns anos antes.
O terceiro filho de Zuleika, Wolney, foi estudar Educação Física, conheceu Zélia no curso, casou-se com ela em 1941, aos 19 anos. Morreu cedo, aos 53 anos, em 1972. Tiveram três filhas.  O quarto, Wolmar, mudou-se para o Rio de Janeiro, aos 19 anos, em 1941, onde levou uma vida muito comentada na família, por ter trabalhado no Cassino da Urca. Quando acabou o  jogo, em 1945, Wolmar, após um período ignorado, começou a trabalhar como viajante  vendedor de peças de automóveis, nos anos 50, casando-se, em 1959, aos 39 anos, com  Dora. Morreu em 1997, com 67 anos.
O quinto filho de Zuleika, e caçula, Walton, foi trabalhar no comércio em S.Paulo, e ficou morando  com a mãe até 1952, conheceu Laíz, professora primária também, casou-se em 1953 aos 23  anos e mudou-se para Campinas onde viveu até morrer. Teve apenas um filho, Waltinho.
Voltando à história de Zuleika, ela ficou no G.E. do Bosque da Saúde por 4 anos, até 1954,  quando fez concurso para Diretora. Foi classificada em terceiro lugar em S.Paulo e em sexto& nbsp;no Estado todo.   Ela era obviamente inteligente, trabalhadora, competente e obstinada. Porém, tinha o pior gênio  que se tem notícia segundo o testemunho das noras, que apesar de suspeito, era verdadeiro.    
Enquanto aguardava a nomeação, substituiu o Diretor Carlos Chagas, em uma  fazenda em Jundiaí, por 3 ou 4 meses. Enquanto comissionada em Jundiaí onde segundo ela a molecada era “desordeira e desaforada” e vivia desafiando as professoras,   conseguiu ordem e deu a “maior festa”, “debaixo do maior respeito”, sendo que o chefe
Político da época, Dr. Godinho, fazendeiro comentou que a festa foi de “arromba”.  Em 1945 foi nomeada para o G.E. Sta. Lucia, em Araraquara, até 1948, quando permutou com meu pai, Weimar, que tinha prestado e passado no concurso de Diretor de Grupo.
Foi para Garça, onde meu pai estava, para o G.E. de Vila Couto, entrando de licença  e transferindo-se para Araraquara, para o G.E. Vila Xavier, onde ficou somente 1 dia e se aposentou em 1949. Ficou quase 50 anos aposentada, pois morreu com quase 101 anos,  em 96.  
Durante o tempo que lecionou foi homenageada por delegados, inspetores, colegas,  que reconheceram seus trabalhos, pois disputavam vagas para seus filhos nas suas salas de aula.  Suas promoções eram boas, sendo quase sempre em torno de 100%, apesar da  energia notória (acho que ela batia, puxava orelhas, etc.), era grande amiga dos alunos.  (acho que eles morriam de medo dela…)
Em várias circunstâncias foi designada dada sua autoridade e energia para tomar  conta de meninos, pois os meninos “abusavam” das professoras.
O único aluno que a aborreceu, ela lembra que foi um primo de seu marido Alberto,& nbsp;nos anos 20.

Alberto

Eu vi Alberto apenas uma ou duas vezes e pela minha lembrança, meu irmão Francisco ficou igualzinho a ele fisicamente.
À luz do que eu consigo entender os usos e costumes como eles estão hoje, duas coisas sobressaem:
Antigamente não havia separação. Casavam-se e morriam juntos, ainda que separados.
Não houve traição no caso de Alberto e Zuleika. O problema deles, colocados de forma simples era que ele não era inteiramente são mentalmente e por falta de ter que lutar pela vida, pois nunca trabalhou, adquiriu comportamentos que inviabilizaram a relação. Já no início do casamento, ela não deixou de trabalhar e ele acostumou-se com as providências que ela tomava no sustento da família.
A aparência que rezava que tudo tinha que estar como os valores socialmente aceitos, falava mais forte. Sempre foi mais forte que instinto, crenças pessoais, quaisquer que fossem as ideias que as pessoas tivessem. Tinha-se que guardar as aparências.
Alberto era filho único de um fazendeiro muito rico que se dedicava à plantação de café, possibilitando a compra de muitos imóveis e terras na região de Amparo.
Trabalhar para nossa tradição, (tá aí algo que não mudou), sempre foi “coisa de pobre” e nossa ideia de nobreza prescreve    que trabalhar diminui o ser humano. Ou seja, rico não trabalha    não porque não queira, mas porque entende que isso faz    parte da condição natural dele… Isso incluía não estudar… Curiosamente, porém, adoravam as boas maneiras e a educação impecável. O máximo de estudo que era permitido era etiqueta, boas maneiras, saber servir e comer, ter bom gosto, principalmente para as mulheres.
Alberto tinha maneiras impecáveis, acompanhado de uma apresentação pessoal primorosa, terno de casimira inglesa, camisa de gravata, sapatos de cromo, barba feita e cabelo arrumado. Falava baixo e macio e parecia extremamente reservado. Lembrava advogado bem sucedido e parecia naturalmente pertencer a uma classe social alta.
Com a morte do pai, Alberto encontrou-se de posse de uma fortuna, que ele não sabia como tinha sido conquistada e, pior, como administrá-la e mantê-la.    Além da incompetência, ele tinha um perfil psicológico que é difícil de diagnosticar, mas tudo indica que era um misto de “border line” com um certo autismo, agravado pela arrogância de quem foi criado no “andar de cima”. Ele, contrariado, simplesmente ficava violento e a verdade, era que diante da realidade que fugia das mãos dele e do desespero de Zuleika que percebia tudo, ele a agredia. E também aos filhos. Meu pai tinha lembranças que não revelava direito, mas eram de medo, pois sofreu agressões além do normal da parte dele. Os outros também, menos Wladimir, que era, por que razão não sei, querido dele.    Em suma, numa década as fazendas de café se esvaíram e sumiram com a crise de 29, quando o café perdeu totalmente o valor. Ficaram os imóveis de Amparo e uns célebres títulos que davam renda e que foram também sumindo. Os aluguéis por falta de administração não acompanharam a inflação, pois a lei do inquilinato é ruim hoje para o proprietário   e, quem tem imóvel para alugar sabe, era muito pior e o fato que não rendiam para pagar os impostos. Os imóveis entraram na dívida pública do município e foram a leilão. Zuleika, amparada por Tio Bispo, decidiu separar-se, tendo sido Wanda a última tentativa de entendimento e liberou Alberto de qualquer pensão ou responsabilidade pelos filhos, que aliás foram assumidas por Tio Bispo. O processo da perda dos imóveis e da renda dos títulos demoraria ainda uns 30 anos para que ele ficasse totalmente na miséria, o que ocorreria no fim dos anos 60. Quando, acredite se quiser, ele pediu ajuda a Zuleika, que convocou os filhos a ajudar o pai, que estava na miséria.
Quanto a isso, lembro de vó Zuleika conversando com meu pai e se referindo encabulada na minha frente sobre Alberto, querendo fazer crer que de alguma forma mantinham o casamento, muito embora estivesse separada dele há mais de 50 anos! Como a comunicação ficou confusa, eu perguntei ao meu pai e ele me disse que ela não queria que ninguém soubesse que haviam se separado! Isso ocorreu nos anos 70 e ela separou-se no final dos anos 20!
Essa passagem de socorrer Alberto, eu lembro bem, pois meu pai ficou encarregado de conversar com os irmãos, verificar a situação em Amparo e resolver o problema.
Wladimir, o queridinho, negou-se a ajudar e Ney já estava morto. Wolmar negou-se também e meu pai e Walton, juntos com Vovó Zuleika, se juntaram para resolver o problema. Tanto quanto eu saiba, Wanda não foi comunicada do estado de coisas, possivelmente porque Vó Zuleika tinha vergonha do que Luís, marido de Wanda, poderia pensar. Meu pai foi com minha mãe visitá-lo e a história que ficou na minha cabeça dá muita pena de contar, mas se faz necessário.
Alberto era fino e educado e estava morando numa pensão com gente de extração muito simples e de atividades grosseiras, que implicava nas maneiras também simples e grosseiras completamente diferentes do que ele prezava e tinha.
Como era inevitável que ele fosse julgado irresponsável por ter abandonado a mulher e os filhos, além de agredir a todos, de alguma forma ele estaria “pagando”, pois ficou condenado ao pior tipo de miséria que se pode imaginar, que é pior que passar fome, é estar num meio hostil e que não é o seu, totalmente isolado e solitário, sem ter com quem sequer poder conversar. Como se estivesse vivendo numa cela solitária.
Me dói dizer isso, mas num gesto de tentar agradar, ele deu ao meu pai um jogo de escova de cabelo, com cabos de prata, espelho,    tesourinha, etc,. que ele levava consigo para cortar o cabelo, quando ainda era rico, pois não cortava cabelo em Amparo e pegava o trem e ia para São Paulo para fazê-lo!!!
Não acredito em castigo tipo lei do Talião, especialmente de Deus ou de qualquer força maior, pois ele não teve culpa nem de nascer rico, nem de não funcionar direito mentalmente, por isso não quero julgar, mas se ele faltou com alguma coisa, pagou tudo direitinho… E não ficou apenas nisso.
Ele era profundamente católico, talvez de missa e comunhão diários, e por não sei por quais circunstâncias, ele com o auxílio da ajuda dada por Vovó Zuleika, Weimar e Walton, foi internado num Sanatório Espírita, que ele abominava e o apavorava.
Ele acabou finalmente morrendo e foi enterrado no jazigo do seu pai, que era muito pomposo, como ocorre até hoje com quem é católico, de posse e enterrado em cemitério antigo.
Eu presenciei tudo isso, não me lembro de velório, apenas do caixão baixando dentro do túmulo do pai dele, com todo mundo em profundo silêncio e minha avó a única a derramar lágrimas.
Creio que ela nunca deixou de amá-lo…

Eu vi Alberto apenas uma ou duas vezes e pela minha lembrança, meu irmão Francisco ficou igualzinho a ele fisicamente.
À luz do que eu consigo entender os usos e costumes como eles estão hoje, duas coisas sobressaem:
Antigamente não havia separação. Casavam-se e morriam juntos, ainda que separados.
Não houve traição no caso de Alberto e Zuleika. O problema deles, colocados de forma simples era que ele não era inteiramente são mentalmente e por falta de ter que lutar pela vida, pois nunca trabalhou, adquiriu comportamentos que inviabilizaram a relação. Já no início do casamento, ela não deixou de trabalhar e ele acostumou-se com as providências que ela tomava no sustento da família.
A aparência que rezava que tudo tinha que estar como os valores socialmente aceitos, falava mais forte. Sempre foi mais forte que instinto, crenças pessoais, quaisquer que fossem as ideias que as pessoas tivessem. Tinha-se que guardar as aparências.
Alberto era filho único de um fazendeiro muito rico que se dedicava à plantação de café, possibilitando a compra de muitos imóveis e terras na região de Amparo.
Trabalhar para nossa tradição, (tá aí algo que não mudou), sempre foi “coisa de pobre” e nossa ideia de nobreza prescreve   que trabalhar diminui o ser humano. Ou seja, rico não trabalha   não porque não queira, mas porque entende que isso faz   parte da condição natural dele… Isso incluía não estudar… Curiosamente, porém, adoravam as boas maneiras e a educação impecável. O máximo de estudo que era permitido era etiqueta, boas maneiras, saber servir e comer, ter bom gosto, principalmente para as mulheres.
Alberto tinha maneiras impecáveis, acompanhado de uma apresentação pessoal primorosa, terno de casimira inglesa, camisa de gravata, sapatos de cromo, barba feita e cabelo arrumado. Falava baixo e macio e parecia extremamente reservado. Lembrava advogado bem sucedido e parecia naturalmente pertencer a uma classe social alta.
Com a morte do pai, Alberto encontrou-se de posse de uma fortuna, que ele não sabia como tinha sido conquistada e, pior, como administrá-la e mantê-la.   Além da incompetência, ele tinha um perfil psicológico que é difícil de diagnosticar, mas tudo indica que era um misto de “border line” com um certo autismo, agravado pela arrogância de quem foi criado no “andar de cima”. Ele, contrariado, simplesmente ficava violento e a verdade, era que diante da realidade que fugia das mãos dele e do desespero de Zuleika que percebia tudo, ele a agredia. E também aos filhos. Meu pai tinha lembranças que não revelava direito, mas eram de medo, pois sofreu agressões além do normal da parte dele. Os outros também, menos Wladimir, que era, por que razão não sei, querido dele.   Em suma, numa década as fazendas de café se esvaíram e sumiram com a crise de 29, quando o café perdeu totalmente o valor. Ficaram os imóveis de Amparo e uns célebres títulos que davam renda e que foram também sumindo. Os aluguéis por falta de administração não acompanharam a inflação, pois a lei do inquilinato é ruim hoje para o proprietário  e, quem tem imóvel para alugar sabe, era muito pior e o fato que não rendiam para pagar os impostos. Os imóveis entraram na dívida pública do município e foram a leilão. Zuleika, amparada por Tio Bispo, decidiu separar-se, tendo sido Wanda a última tentativa de entendimento e liberou Alberto de qualquer pensão ou responsabilidade pelos filhos, que aliás foram assumidas por Tio Bispo. O processo da perda dos imóveis e da renda dos títulos demoraria ainda uns 30 anos para que ele ficasse totalmente na miséria, o que ocorreria no fim dos anos 60. Quando, acredite se quiser, ele pediu ajuda a Zuleika, que convocou os filhos a ajudar o pai, que estava na miséria.
Quanto a isso, lembro de vó Zuleika conversando com meu pai e se referindo encabulada na minha frente sobre Alberto, querendo fazer crer que de alguma forma mantinham o casamento, muito embora estivesse separada dele há mais de 50 anos! Como a comunicação ficou confusa, eu perguntei ao meu pai e ele me disse que ela não queria que ninguém soubesse que haviam se separado! Isso ocorreu nos anos 70 e ela separou-se no final dos anos 20!
Essa passagem de socorrer Alberto, eu lembro bem, pois meu pai ficou encarregado de conversar com os irmãos, verificar a situação em Amparo e resolver o problema.
Wladimir, o queridinho, negou-se a ajudar e Ney já estava morto. Wolmar negou-se também e meu pai e Walton, juntos com Vovó Zuleika, se juntaram para resolver o problema. Tanto quanto eu saiba, Wanda não foi comunicada do estado de coisas, possivelmente porque Vó Zuleika tinha vergonha do que Luís, marido de Wanda, poderia pensar. Meu pai foi com minha mãe visitá-lo e a história que ficou na minha cabeça dá muita pena de contar, mas se faz necessário.
Alberto era fino e educado e estava morando numa pensão com gente de extração muito simples e de atividades grosseiras, que implicava nas maneiras também simples e grosseiras completamente diferentes do que ele prezava e tinha.
Como era inevitável que ele fosse julgado irresponsável por ter abandonado a mulher e os filhos, além de agredir a todos, de alguma forma ele estaria “pagando”, pois ficou condenado ao pior tipo de miséria que se pode imaginar, que é pior que passar fome, é estar num meio hostil e que não é o seu, totalmente isolado e solitário, sem ter com quem sequer poder conversar. Como se estivesse vivendo numa cela solitária.
Me dói dizer isso, mas num gesto de tentar agradar, ele deu ao meu pai um jogo de escova de cabelo, com cabos de prata, espelho,   tesourinha, etc,. que ele levava consigo para cortar o cabelo, quando ainda era rico, pois não cortava cabelo em Amparo e pegava o trem e ia para São Paulo para fazê-lo!!!
Não acredito em castigo tipo lei do Talião, especialmente de Deus ou de qualquer força maior, pois ele não teve culpa nem de nascer rico, nem de não funcionar direito mentalmente, por isso não quero julgar, mas se ele faltou com alguma coisa, pagou tudo direitinho… E não ficou apenas nisso.
Ele era profundamente católico, talvez de missa e comunhão diários, e por não sei por quais circunstâncias, ele com o auxílio da ajuda dada por Vovó Zuleika, Weimar e Walton, foi internado num Sanatório Espírita, que ele abominava e o apavorava.
Ele acabou finalmente morrendo e foi enterrado no jazigo do seu pai, que era muito pomposo, como ocorre até hoje com quem é católico, de posse e enterrado em cemitério antigo.
Eu presenciei tudo isso, não me lembro de velório, apenas do caixão baixando dentro do túmulo do pai dele, com todo mundo em profundo silêncio e minha avó a única a derramar lágrimas.
Creio que ela nunca deixou de amá-lo…

Relato da Wandy sôbre vovó Zuleika

Wandy: Eu convivi bastante com a vovó — sem precisar chamá-la pelo nome, porque a outra avó só vim a conhecer com 14 anos, a mãe do meu pai, que aí sim fui apresentada como vovó Dulce, como todos a chamavam.

Conheci mais tio Weimar, onde conheci vocês em umas férias que já comentamos. Depois passei a ficar em Campinas, na casa da tia Laís. Com tio Wladimir e tia Catarina, eram visitas na casa deles e as vindas à casa da vovó — metódicos, faziam isso todos os anos, chegando de Santos depois de uma semana lá, ficando sempre no mesmo hotel, ou melhor, pensão.

Vejam uma foto dêles na praia, em Santos, numa destas viagens, coincidentemente com tio Wolney e as filhas, Neyse, Neli e Nise:

Da tia Catarina acho que peguei a admiração por unhas bem feitas. As dela eram vermelhas, grandes e sempre impecáveis.

Minha visão da vovó é bem diferente da de vocês, porque a conheci mais velha. Por sermos eu e o Celso os netos “temporões”, éramos os queridinhos — ela era a avó que deixava fazer tudo. Moramos vizinhos por três ou quatro anos, dos meus quatro aos oito anos, e foi para nós o paraíso. O quarto de empregada da casa dela era o nosso quarto de brinquedos: tinha lousa, tinha tudo, era o quartinho da farra e da bagunça. O quartinho da nossa casa era todo arrumadinho, lugar sério. Meu pai mandou fazer um buraco na parede entre os quintais para que pudéssemos ir à casa da vovó sem precisar passar pela rua a toda hora.

Quando adulta, depois de separada, ela às vezes me ajudava — mas era segredo, para não ter ciúmes. Uma vez bati meu Fiat Uno e deu perda total. Ela me ajudou a comprar outro, usado mas muito legal, um Fiat pequenininho mais novo. Sempre a considerei minha única avó de verdade, porque a outra morava na Bahia — mas essa é outra história.

Que me perdôe vovó Dulce, mas a Bahia era muito longe naqueles dias que carro era difícil e avião impossível…

Last, but not least

Fui levado, a redigir este blog/post, pelo que expressa a imagem acima:

O que é formalmente

É um ex-libris — como o nome do arquivo sugere. Selos pessoais usados tradicionalmente para marcar a posse de livros, com a inscrição “ex libris” seguida do nome do dono. Esta aqui é uma versão artística sofisticada, provavelmente desenhada à mão com técnica de pontilhismo e nanquim.


O que a imagem compõe

Dentro de um círculo com borda de corda — símbolo clássico de limite, fronteira, contenção — há uma tensão deliberada entre dois mundos opostos:

À direita: um olho humano vivo, detalhado, atento. Com cílios, profundidade, presença. É o olhar — a consciência, a percepção, a vida interior.

À esquerda: um crânio com asas. A morte, mas com movimento — as asas sugerem que ela não é estática, ela voa, ela chega.

No centro: uma figura em forma de cruz ou letra gótica — possivelmente uma inicial — que divide e ao mesmo tempo une os dois lados.

Abaixo: uma faixa em branco — o espaço tradicional do “ex libris [nome]” — ainda não preenchida, ou intencionalmente vazia.


O que simboliza

É uma meditação clássica sobre a dualidade humana — o memento mori medieval reinterpretado: de um lado a vida que observa e pensa, do outro a morte que espreita com asas. E no meio, a identidade pessoal como ponto de equilíbrio entre os dois.

O olho vivo — os que ainda estão aqui, que observam, que lembram, que escrevem.

O crânio com asas — os que partiram, mas que voam, que permanecem presentes de alguma forma na memória e no DNA de quem ficou.

A cruz no centro — que na Páscoa não é apenas símbolo cristão, mas o ponto exato onde vida e morte se encontram e se invertem. É o coração teológico da festa.

A faixa em branco embaixo — o espaço ainda por preencher. Os que virão. A continuidade.

E tudo dentro de um círculo — que em quase todas as tradições representa o eterno, o que não tem começo nem fim.