O IMECC foi o primeiro Instituto que a Unicamp instalou e nasceu junto com a Computação, em 1968, da qual se separou em 1996.
Eles começaram com um IBM 1130 (1967/1968). Deram um salto gigantesco indo para o Digital DEC 10-60 em 1972, com o qual ficariam até o final da década de 80, quando adquiriram um IBM 3090, como parte do convênio que fizeram com a IBM para instalar o Mestrado de Qualidade com incentivos fiscais, que tambem foram usados para o aporte desta máquina, que fazia parte do pacote que viabilizou a criação do primeiro Mestrado Profissional da Unicamp, o Mestrado em Qualidade, que eu projetei e fui o principal interface para sua implantação do lado da IBM e o Prof Ademir Petenate do lado da Unicamp.
Com olhos de 2026, vejo que O SAS nasceu originalmente na Universidade da Carolina do Norte e teve sua empresa fundada em 1976. O foco inicial de desenvolvimento do SAS foi escrito quase que exclusivamente para a arquitetura de mainframes da IBM (rodando sistemas operacionais como MVS, OS/390 e VM). [1, 2]
Quando o DEC 10-60 foi instalado na Unicamp em 1972, o SAS ainda estava em suas versões embrionárias nos Estados Unidos (o “SAS 72”). Naquela década de 1970 e início de 1980, os estatísticos e pesquisadores do IMECC que utilizavam o DEC-10 rodavam rotinas estatísticas principalmente programando diretamente em Fortran ou utilizando pacotes que possuíam versões robustas adaptadas para o sistema TOPS-10 da Digital, como as primeiras versões do SPSS e do BMDP. [1]
- A grande migração e a era de ouro do SAS na Unicamp aconteceram em 1989, quando a universidade adquiriu o supercomputador IBM 3090. Ele foi o primeiro dessa categoria instalado em uma universidade da América Latina. [1]
- O impacto no IMECC: Registros históricos do Jornal da Unicamp da época destacam explicitamente que geólogos, sociólogos, economistas e, principalmente, os estatísticos do IMECC foram os maiores beneficiados pelo poder de processamento do IBM 3090 ao rodarem o aplicativo SAS. [1]
Nesse período (fim dos anos 80 e início dos anos 90), as fitas magnéticas de grandes bancos de dados públicos — como os dados brutos da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE — eram trazidas para a Unicamp e processadas em programas SAS dentro do IBM 3090 para gerar os cruzamentos estatísticos das teses e pesquisas do instituto.
O 3090 foi comprado com base num incentivo de renúncia fiscal que a IBM já sabia, havia tempo, que estava a caminho — muito antes de o Presidente Collor sancionar formalmente a Lei 8248, em outubro de 1991. A IBM havia sido deixada de fora da reserva de mercado nos produtos que queria fabricar no Brasil (eu mesmo perdi duas viagens de treinamento em máquinas que nunca chegaram a ser produzidas aqui — o Sistema/32 e um caixa eletrônico — porque o lobby do Bradesco e do Itaú tirou a IBM dessas frentes). Sem conseguir competir nesses nichos, sobrou pra IBM o que ninguém mais no Brasil conseguia fazer: mainframe — e o governo entregou essa ‘bomba’ com a condição de que 50% fosse nacionalizado. Totalmente entrosada com o jogo político em Brasília, a IBM já sabia que poderia estruturar Pesquisa e Desenvolvimento e usar o dinheiro da renúncia fiscal pra empurrar suas máquinas, muito antes da lei sair do papel. O convênio com a Unicamp é de 1989, mesmo ano em que o 3090 chegou à universidade — e meu projeto do Mestrado em Qualidade, também de 1989, foi exatamente o P&D que viabilizou o negócio. A edição da Lei 8248, dois anos depois, apenas formalizou algo que já se sabia de longa data e que, na prática, já era o eixo central do convênio que deu origem ao mestrado e à compra do 3090.”
Se não existisse o Mestrado em Qualidade, que entrou como P&D para justificar o uso do dinheiro detnro da Lei 8248, sem o que não seria possivel para a Unicamp ter um 3090, que simplesmente não tinha dinheiro para isto.
Acreditem se quiser, havia um movimento interno contra a instalação do Mestrado Profissional e o Prof. Ademir teve enorme dificuldade para formalizar o curso junto a CAPES!
Em termos práticos, o suporte computacional deles para estatística era o SAS rodando no DEC 10 de forma meio provisória em mainframe — o que, em si, não seria problema, pois eu conhecia o mainframe por dentro, tendo ajudado a desenvolver um. O problema era que, na prática, poucos realmente usavam o sistema com profundidade, e o que usavam exigia submeter o processamento através de JCL complicado, sem interatividade nenhuma — o tipo de burocracia que desanima qualquer pesquisador a encostar diretamente nos dados.
Eu não sabia nada disso e acabei rodando no 4341, programas que faziam DOE, Designs of Experiments, que é a cereja do bolo da estatística, para surpresa do Ademir, que ainda estava assistindo à entrada do 3090, que iria abrir as portas para realmente usar a estatística Full Blowm! Full-blown quer dizer em estágio avançado ou completo.
Hoje vejo que o que o Prof. Ademir sofreu foi um caso clássico de desacoplamento que George Orwell descreveu.
De todas as áreas de aplicação que eu sabia na época serem cobertas pela estatística — medicina, economia, engenharia, controle industrial — a única em que aquele grupo claramente dominava a aplicação prática era o teste de reações farmacológicas. Um nicho respeitável, mas estreito.
Eu estava propondo que a estatística saísse do mainframe e fosse para onde os problemas de qualidade existiam de verdade — que o conhecimento teórico encontrasse o mecanismo autocorretivo que a Unicamp, ainda jovem naquela área, não havia conquistado.
O que aconteceu depois não foi apenas consequência intelectual do projeto. Foi consequência política — no melhor sentido da palavra, o sentido de quem tem poder real e sabe reconhecer competência quando a vê. O IMECC não tinha um programa de pós-graduação no mesmo nível dos outros institutos da Unicamp. A IBM, por sua vez, tinha recursos que em parte seriam usados para instalar um supercomputador ali. Carlos Vogt, o pai da ideia, viu a chance de matar dois coelhos com uma cajadada só.
Quem salvou a Unicamp e indiretamente possibilitou o IMECC e a Unicamp realmente se tornaram a referência que se tornaram, foi o Prof. Ademir Petenate, pois para usar o incentivo fiscal que o Pres. Collor disponibilizou pela lei 8248, tinha que ter P/D e é impossivel fazer isto sem um suporte compuacional adequado, no caso, o IBM 3090 e um mestrado como o de Qualidade que ele foi o principal responsavel dentro da Unicamp
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