## Convênio Unimed Campinas — Unicamp
Estrutura sugerida a partir da introdução já redigida, centrada nas quatro linhas de evidência identificadas como fortes na pesquisa internacional.
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Lógica de organização
O currículo segue a própria lógica da introdução: primeiro forma-se a capacidade de diagnóstico (o que o paciente precisa, o que o profissional é capaz de oferecer), depois entregam-se as quatro linhas de intervenção com evidência publicada, depois a dimensão religiosa/espiritual como competência transversal, e por fim a pesquisa aplicada — a anamnese integrada que é a contribuição original do programa. Duração sugerida: quatro semestres, formato profissional (aulas concentradas + supervisão clínica contínua), como é padrão em mestrados profissionais CAPES.
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Semestre 1 — Fundamentos e Diagnóstico
**Módulo 1.1 — Funcionamento Interno e Weltanschauung do Paciente Oncológico**
Base teórica da Seção 1 da introdução: por que nenhum protocolo único serve a todos. Inclui a distinção freudiana entre Weltanschauung religiosa e científica (Conferência XXXV) como ferramenta conceitual — não como doutrina a adotar, mas como vocabulário para reconhecer quando um paciente precisa de um sistema fechado de sentido e quando opera bem com incompletude tolerada.
**Módulo 1.2 — O Campo da Psico-Oncologia: História, Sociedade Científica e Certificação**
IPOS, currículo nuclear multilíngue, o movimento de certificação profissional (Grassi et al., 2024). Panorama internacional comparado ao estágio brasileiro. Aula inaugural natural para convidar o Dr. Joel como palestrante.
**Módulo 1.3 — Instrumentos de Triagem e Avaliação**
NCCN Distress Thermometer + Problem List, Mental Adjustment to Cancer Scale (Watson), FICA Spiritual History Tool. Treino prático de aplicação. Este módulo entrega as peças que a anamnese integrada (Semestre 4) vai costurar.
**Módulo 1.4 — Autodiagnóstico do Profissional**
Spiritual and Religious Competencies for Psychologists (APA, Divisão 36, Vieten et al.), A Spiritual Strategy for Counseling and Psychotherapy (Richards e Bergin). Exercício obrigatório de autoanálise da própria formação religiosa/irreligiosa e dos vieses que ela gera. Requisito de processo analítico pessoal (nos moldes da análise didática) inicia-se aqui e corre em paralelo até o fim do curso.
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Semestre 2 — As Quatro Linhas de Intervenção (Parte I)
**Módulo 2.1 — Meaning-Centered Psychotherapy**
William Breitbart, Memorial Sloan Kettering. Fundamentos na logoterapia de Viktor Frankl. Formato individual (7 sessões) e em grupo (8 sessões). Estudo dos ensaios randomizados (Journal of Clinical Oncology 2015; Cancer 2018). Indicação: perda de sentido, desmoralização. Prática supervisionada com role-play e, a partir do segundo módulo de estágio, com pacientes reais sob supervisão.
**Módulo 2.2 — CALM: Managing Cancer and Living Meaningfully**
Gary Rodin, Princess Margaret Cancer Centre. Os quatro domínios (sintomas/comunicação; identidade/relações; espiritualidade/sentido; futuro/mortalidade). Estudo do RCT com 305 pacientes. Este é o protocolo mais próximo da filosofia do programa — módulo com carga horária maior e estágio supervisionado obrigatório.
**Módulo 2.3 — Prática Clínica Supervisionada I**
Início do estágio em serviço da Unimed Campinas, sob dupla supervisão (clínica + didática), aplicando MCP e CALM em casos reais, com discussão de caso semanal.
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Semestre 3 — As Quatro Linhas de Intervenção (Parte II) e Competência Religiosa
**Módulo 3.1 — Dignity Therapy**
Harvey Chochinov, Universidade de Manitoba. Protocolo da entrevista gravada/editada, RCT da Lancet Oncology (2011). Indicação: fase terminal, preservação de dignidade e legado. Treino prático de condução de entrevista.
**Módulo 3.2 — Mindfulness-Based Cancer Recovery**
Linda Carlson, Universidade de Calgary. Adaptação do MBSR ao contexto oncológico, estudo MINDSET. Componente experiencial obrigatório: o aluno pratica antes de aplicar.
**Módulo 3.3 — Enfrentamento Religioso: Diferenciação Clínica**
Pargament (RCOPE, enfrentamento religioso positivo vs. negativo), Spiritually Integrated Psychotherapy. Módulo de fronteira: eneagrama como estudo de caso — revisão sistemática, a controvérsia científica, e por que o programa trata a ferramenta como objeto de exame rigoroso e não como instrumento diagnóstico adotado. Convite a diretores espirituais/capelães com experiência prática como interlocutores, sem adoção institucional da técnica.
**Módulo 3.4 — Prática Clínica Supervisionada II**
Continuação do estágio, agora incorporando Dignity Therapy e MBCR, com casos de fase avançada/terminal.
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## Semestre 4 — Integração, Pesquisa e Dissertação Profissional
**Módulo 4.1 — A Anamnese Integrada: Desenho e Validação**
Núcleo da contribuição original do programa. Construção, com o corpo de pacientes da Unimed Campinas como base, de um instrumento único que combine gravidade do sofrimento (Distress Thermometer), estilo de enfrentamento (MAC) e perfil religioso (FICA) numa árvore de decisão que indique qual das quatro linhas — ou combinação delas — oferecer a cada paciente. Este módulo é também o eixo do projeto de dissertação profissional de cada aluno: cada um contribui com dados de sua prática supervisionada para a validação coletiva do instrumento.
**Módulo 4.2 — Melhoria de Processos em Oncologia**
Aplicação do Modelo de Melhoria (Langley/Nolan, tradução coordenada por Ademir Petenate/IMECC-Unicamp) ao fluxo de encaminhamento psicológico dentro do serviço oncológico — ciclos PDSA aplicados à própria prática clínica dos alunos, não como disciplina isolada de gestão.
**Módulo 4.3 — Seminário de Dissertação e Defesa**
Cada aluno apresenta um estudo de caso aprofundado (uma das quatro linhas, aplicada e avaliada com a anamnese integrada em desenvolvimento) mais uma seção metodológica contribuindo para a validação do instrumento coletivo.
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Observações estruturais
1. **Carga prática desde o primeiro semestre.** Mestrado profissional em área clínica não se sustenta como sequência de disciplinas teóricas — a supervisão clínica corre em paralelo do Semestre 2 ao 4, o que é também argumento de peso para a CAPES.
2. **O eneagrama fica deliberadamente fora do núcleo prático.** Ele aparece como módulo de discussão epistemológica (3.3), não como ferramenta que o aluno sai habilitado a aplicar — isso preserva a oportunidade de examinar uma questão central que é uso de soluções alternativas vs comprometer a credibilidade do currículo perante avaliadores céticos.
3. **A tipologia junguiana e as possíveis soluções para resolver as questões aqui abordadas através das idéias de Jung não tem módulo dedicado nesta proposta**. Isto esta sendo feito por coerência de deixar o território para o próprio Dr. Joel desenhar, caso ele entre como coordenador acadêmico — é mais correto abrir um espaço em branco para ele preencher do que pedir que ele reformule algo já fechado.
4. **A anamnese integrada é ao mesmo tempo o produto de pesquisa e o fio condutor da dissertação de cada aluno** — isso resolve de uma vez o requisito CAPES de produção acadêmica e dá ao programa um resultado concreto e publicável dentro de poucas turmas.