Ao caminhar pelas ruas de Miami, especialmente em áreas como Palmetto Bay, é impossível não sentir um estalo de saudade. De repente, a paisagem se ilumina com copas floridas que, à primeira vista, juramos serem os nossos icônicos Ipês brasileiros. Mas, como diz o ditado, as aparências enganam — ou, pelo menos, guardam segredos.



Embora pareçam idênticos, o que vemos na Flórida e o que temos no Brasil são como primos de primeiro grau. Lá, eles são chamados de Trumpet Trees (Árvores Trombeta) e pertencem a espécies que, embora da mesma família (Bignoniaceae), têm personalidades próprias.

O Mistério da Cor:
No Brasil, nosso famoso Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus) tem um nome que confunde: na verdade, suas flores variam entre o magenta e o rosa intenso. Já em Miami, o que domina é o Ipê-rosa de verdade (Tabebuia rosea), nativo da América Central. Enquanto o nosso ‘roxo’ puxa para um tom mais fechado e dramático, o de Miami é um rosa vibrante e aberto, que cobre a árvore com ‘pompons’ tão densos que mal se vê os galhos.



O Espetáculo que Dura Mais:
Outra diferença que notei é a generosidade do tempo. No Brasil, o show do ipê é um presente fugaz; muitas vezes, em uma semana, as flores já forraram o chão. Em Miami, talvez pela estabilidade do clima e pela escolha das variedades, a floração parece ter mais fôlego, pintando a US-1 e as avenidas por um período um pouco mais longo, nos dando mais tempo para contemplar.



É fascinante ver como a natureza encontra formas de nos fazer sentir em casa, mesmo a milhares de quilômetros de distância, através de um ‘primo’ que carrega o mesmo DNA de beleza e resistência.






Que saudade do Boston Market!